03/02/2026
Fazia tempo que um livro não me despertava tanta urgência de leitura. Fui devorando Fique comigo dia após dia, até finalizar em uma ou duas semanas.
O livro acompanha a história de um casal e o desenvolvimento da relação entre eles. A partir desse vínculo, somos conduzidos às marcas das histórias familiares individuais e à forma como essas heranças — muitas vezes silenciosas — participam da construção de uma nova família.
No entremeio de tudo isso, algo que toca o real: a ambiguidade dos sujeitos.
Não é simples sustentar essa ambivalência no cotidiano, especialmente em uma sociedade que insiste em nos organizar em polos — ou bons, ou maus; ou certos, ou errados. A narrativa de Fique comigo caminha na contramão disso.
Aqui, não há heróis, vilões ou mocinhas. Há personagens densos, muito bem construídos, que encarnam algo do que somos: sujeitos tentando ser e oferecer o melhor de si diante do que, por vezes, escolhem — e, em outras, do que lhes é imposto. Pessoas que, mesmo desejando acertar, acabam usando meios que nem sempre justificam os fins.
Essa complexidade convoca o leitor a se perguntar sobre si: quem somos, como conduzimos nossas escolhas e de que maneira lidamos com aquilo que nos atravessa de forma mais íntima.
Temas como maternidade, luto, adoecimento, silenciamento, traições e amor percorrem a narrativa de forma sensível e profunda, sem respostas fáceis ou soluções reconfortantes.
Um dos aspectos que mais me tocou foi a dificuldade de comunicação do casal principal — algo tão comum e, ao mesmo tempo, tão adoecedor nas relações. De silêncio em silêncio, constroem-se abismos.
O único ponto que me deixou com uma pontinha de “aaaah” foi o motivo que leva o personagem principal a fazer tudo o que fez. Senti falta de um maior aprofundamento, mas talvez esse vazio também diga algo: ele ecoa a própria impossibilidade de dizer que atravessa a história.
Foi o terceiro livro do ano. Super indico. Amei — e terminei chorando, emocionada! 🥹