19/02/2026
Dessa vez, a escolha da leitura passou por um livro nada óbvio: Meias Verdades, de Thomas Ogden. Eu nunca havia ouvido ninguém comentar sobre ele — o que, quase dando spoiler, é um pecado.
O romance de Thomas Ogden — que vale mencionar de antemão, é psicanalista — conta a história de uma família, com esposa, marido e dois filhos. E, no meio deles, a irmã de Marta, personagem principal da história.
Durante a leitura, vemos a arte como representante da vida e dos conflitos cotidianos. Lemos, por meio das palavras do escritor-poeta-artista, o desenrolar e as consequências duras de sujeitos que se perdem de si mesmos. Que se enclausuram no silêncio e colecionam gritos nunca autorizados a terem som.
Nessa história, todos são afetados pelos traumas de Marta, que sucumbiu aos ataques mortíferos dos pais. Que, diante da falta de investimento, não pôde investir. Da mulher que, ao longo da vida, morreu aos poucos. Em torno de si.
Todo silêncio, visto como amargura, denunciava o estado de horror ao qual ela estava presa e assujeitada.
Sua vida se tornou tragédia, que derramou sobre os seus — mas de forma diferente em cada um deles — tons de abandono, desamor, angústia e impossibilidades.
Ao longo da exposição da vida de cada personagem, vamos permeando conceitos e compreendendo muito mais cada um deles. Pelo viés de cada perspectiva, apreendemos algo novo.
O que ressoou mais forte por aqui foi como uma rede de apoio amorosa, um olhar atento e uma entrega genuína podem salvar um sujeito — às vezes até de si mesmo. Mas que isso não é tudo e nem sempre é suficiente.
A falta de olhar, de cuidado e de investimento no início da vida é, sim, um fator de suma importância.
Sinto que seja importante dizer também que esse livro pode gerar gatilho (trata sobre ideação $u!cid@)).
Livro excelente, pela história e mais ainda pela possibilidade de estudos. Amei 💛 — e terminei com lágrimas nos olhos.