04/01/2026
Você só percebe o quanto precisa de um abraço quando chega perto demais do vazio. Essa obra não corre até você, não invade, não força. Ela espera. Só reage quando você decide se aproximar. E talvez seja exatamente assim que a vida funcione.
A peça criada por .ko.mo transforma a parede em presença. Fria à distância, neutra no silêncio, mas viva no instante em que alguém dá o primeiro passo. O abraço não acontece por acaso. Ele exige movimento, escolha e vulnerabilidade. Nada acontece enquanto você permanece imóvel.
Vivemos cercados de conexões rápidas, mensagens instantâneas e contatos constantes, mas cada vez mais distantes de gestos reais. Essa arte expõe uma verdade simples e desconfortável: nem todo afeto vem até você. Alguns só existem quando você se permite chegar perto.
Há algo profundamente humano nesse mecanismo. A estrutura é rígida, mecânica, quase industrial. O gesto final, porém, é acolhedor. Como se dissesse que, mesmo em um mundo duro, ainda há espaço para cuidado. Mesmo em ambientes frios, ainda é possível sentir calor. Mas não sem intenção.
Essa obra não resolve nada sozinha. Ela apenas responde. E a vida faz o mesmo. O que você recebe costuma ser reflexo exato do quanto você se aproxima, do quanto se expõe, do quanto aceita sentir.
Talvez o maior erro seja esperar ser abraçado pela vida sem nunca dar um passo em direção a ela.
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