Maternarias

Maternarias Página criada para partilhar experiências como mulher, pediatra e mãe-, e que nós possamos nos apoiar, acolher, informar.

Atendimento de Pediatria Individualizado Centrado na Família
Atendimento domiciliar ao bebê no pós parto
Palestras
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Um ano depois da pausa, o chamado interno me reconvidou ao Maternarias. Foi um período de madurez, folhas secas ao chão,...
29/10/2018

Um ano depois da pausa, o chamado interno me reconvidou ao Maternarias. Foi um período de madurez, folhas secas ao chão, digestão, adubo, novas raízes, inverno frio e, finalmente, florescer. Honro e agradeço a esse novo lar, a Curitiba das tuias nas portas das casas, de todas as estações em um dia só, mantas, cobertores quentinhos, chás e chimarrão. No quintal, jabuticabas, amoras, manjericão, gatos, cachorros, tecido, balanço, escorregador. Roupas úmidas no varal. Uma menina de 3 anos e pouco mais. E agora, o vento anunciador das boas novas!

Que essa primavera promova encontros potentes entre nós, mesmo que estejamos do lado daí e do lado de cá. Essa rede invisível de amor, empatia e compaixão que nos une e nos fortalece nesse mundo nosso tão singular, tão plural - nosso mundo de mãe.

Desde Manoel de Barros pulsava em mim um flerte doce  pelas desimportâncias. Eu achava tão bonito...! Recentemente perce...
06/10/2017

Desde Manoel de Barros pulsava em mim um flerte doce pelas desimportâncias. Eu achava tão bonito...! Recentemente percebi que esse flerte era na realidade memória, recordação de um coração brincante que fazia poesia ali, na beira do passeio antes de atravessar a rua. Daí preenchi as coisas importantes do meu dia a dia com encontros com o caminho das formigas que carregam pedaços de folhas maiores que elas, porque um dia desses a Bel encontrou o casarão formigueiro dentro da terra e correu seguindo a trilha gigante que elas percorriam pra levar toda aquela floresta nas costas. Estou falando das formigas, mas gosto mesmo é das bolachas do mar que a gente ganha de presente quando a onda traz e deixa elas ali, em resposta a um sinal que a gente pediu a Deus de qualquer bobagem que a gente insistia em duvidar.
Estou nesse barquinho, remando com linhas de bordado livre, água de coco no mirante duma Serra bem grande, ventanias e lua cheia. Às vezes o dia se despede e eu entendo que é minha hora também de ir sonhar. Mas hoje tomei um golinho de café depois das seis, porque me ofereceram e estava bom. Daí fiquei aqui, querendo abraçar o mundo inteiro. E daí começou essa falação de formigas, bolachas do mar, linhas e coração. Pois é, Manoel, vai ver fui aparelhada assim também, toda inteira para amar passarinhos livres.

Foi bem assim: a gente morava em 33m² do espaço aéreo de São Paulo, mais especificamente no 9° andar do bloco B de um ed...
20/07/2017

Foi bem assim: a gente morava em 33m² do espaço aéreo de São Paulo, mais especificamente no 9° andar do bloco B de um edifício que apelidaram, não por acaso, de Pombal. Lá as pessoas eram sempre de fora e estavam sempre de passagem, como eu e o Rafa. A gente estava sempre ocupado: hospital, plantão, trânsito, ir para casa dormir – e tudo isso outra vez, outra vez, outra vez. Foi quando iniciamos um gradual desmame da cidade grande e finalmente chegamos em Sorocaba, uma cidade grande, mas não tão grande assim. Tínhamos um quintal com grama e uma aceroleira, um campinho público na frente de casa que nós apelidamos carinhosamente de Nossa Floresta, onde as pessoas iam colher amoras do pé. Eu sabia o nome dos vizinhos, batia papo na porta de vez em quando de uma ou outra, fazíamos piquenique no parque com as crianças e nos encontrávamos em espaços maternos para prosear. Aí já éramos três, e no pequeno quintal passaram inquilinos coelhos, galinhas, cães e gatos. A vida era boa por causa das relações de afeto que nos conectava àquela cidade, pessoas que ainda hoje moram em nosso coração.
Mas, sabe, a gente adoeceu. Adoecemos da urgência. Do tempo que nunca dava. Da necessidade de correr contra esse mesmo tempo, que de aliado virava um cobrador de tarefas. Essa era a escolha que conseguíamos fazer ali, pelas demandas em todos os níveis que colocávamos para nós mesmos. O Rafa acordava todas as manhãs para um trabalho que sufocava a voz e desconstruía sonhos – mas que pagava nossas contas e que, lá no fundo, ele mantinha com um raio de esperança. Eu passava o dia com a Bel e tentava ir apanhando esses sonhos do chão e encontrando espaços de suspiro para eles. Mas até eu me sentia muitas vezes sem ar. Quem diria, estávamos sempre cansados. Um cansaço crônico, daqueles que a gente se acostuma e nem percebe mais que a vida pode ser de outro jeito. Mas ele não existe por acaso, ele está ali, sinalizando que a gente está fazendo um baita esforço, apesar do lugar meio cômodo, para nos mantermos longe do nosso propósito.
Então, sem desmame gradual, sem aviso prévio, sem planejamentos em cartilhas de médio e longo prazo, vendemos todos os nossos excessos de bagagem numa despedida amorosa desses acúmulos que trazíamos até ali e deixava a vida pesada demais. Os externos e muitos internos também. Olhamos com honra e gratidão para aquela caminhada que se encerrava, abraçados pela coragem, pelas palavras de incentivo, e envolvidos pela fé, que já haviam nos dito, não costumava falhar… Simplesmente fomos! A gente deu um salto antes mesmo de ver o chão, na confiança de que o chão, por graça da abundância divina que aí está para todos nós, estaria lá para nós também. E esteve. O chão, o vento fresco no rosto e o respiro fundo, sentindo verdadeiramente o ar entrar e preencher nossos pulmões. Ah, como é bom respirar! A experiência de entregar, confiar, sentir que é capaz de ser...Feliz.
Pousamos o ninho no pé de uma montanha na linda Serra Grande-BA. Exuberante na sua natureza, sem artifícios ou subterfúgios, somente plena, poderosa, viva. Ah, quanta vida a Terra tem! Aí abracei o mar – e ele nos abraçou – por alguns meses. Nossa chegança foi assim, pequenininha, silenciosa. O mar nos tomava o fôlego, nos inundava de nós mesmos. Ficamos assim por dias, semanas, aceitando os convites generosos do mar de nos preencher de vida. Nosso celular curiosamente quebrou… Finalmente pausamos. Pausamos para podermos gestar os próximos passos. Para acolhermos a nossa família. Para entendermos as possibilidades infinitas que nos são dadas com as escolhas todos os dias. Para mergulharmos nesse olhar para dentro, e nos olharmos nos olhos, sermos sinceros um com o outro, sinceros com a gente mesmo. Muito prazer, eu em mim.
Foram meses de calmaria e terremotos, porque pra limpar a casa a gente precisa tirar tudo do lugar. E o tsunami vinha, invadia mesmo, me mostrava as crenças que me limitavam, as relações que eu precisava curar, as coisas que precisava perdoar, as que precisava aceitar em mim, as que precisava deixar sair. A Isabel, generosa em sua função de filha que escolheu os pais que tem, espelhava tudo que estava em nós – sendo guia, sendo mestre nesse e tantos outros processos para os quais precisávamos olhar. Me recolhi, sentindo necessidade de me conectar comigo mesma, entender meus ciclos, meus ritmos, minha natureza. Cuidar do alimento do meu espírito, me conhecer - o que move a minha alma?
Não foi fácil – e ainda não é. O que tem nessa zona é tudo, menos conforto. Se a gente se muda para “buscar nossos sonhos”, a gente adentra numa jornada que vai além do exterior, do que está posto. Porque os sonhos não estão fora, eles estão dentro, a gente precisa se alinhar a eles, libertar as amarras que não nos deixam fluir para vivermos plenamente como desejamos. Com consciência e auto responsabilização por tudo que acontece – tudo, absolutamente tudo. Com gratidão, infinita gratidão ao Criador de Tudo que É.
Estamos cá nessa vidinha, vivenciando encontros potentes que despertam grandiosamente a humanidade em nós, à la Espinosa saído do papel. Tomamos sol, tomamos chuva, compramos batata doce na feira, investigamos curiosamente as águas-vivas trazidas pelo mar, dançamos, fazemos fogueira, contamos histórias, rimos até faltar o ar. Choramos também. Ficamos por vezes mais preocupados ou ansiosos, mostrando aspectos da nossa sombra que estão ali pedindo atenção e cuidado. Consumimos menos. Estamos encontrando novas relações com o nosso trabalho, de uma forma mais orgânica e que traz sentido para nós. Desconstruindo, reconstruindo paradigmas, sem modelos ou cartilhas, aprendendo sempre, sempre.
Sim, a gente pode! Todo ser pode e merece viver o que faz palpitar de alegria o seu coração. Acordamos todas as manhãs e, em nossas práticas diárias, visualizamos nosso holograma mental, num exercício de nos sentir com tudo que sonhamos para nós, alimentando a nossa força movedora de montanhas. Sim, é possível, todos somos em essência seres únicos, inteiros, completos e perfeitos – Somos Apenas Amor. Tudo é Amor. Viver em consonância com nosso propósito de alma aqui é o que nos conecta à plenitude da Criação.

Silvane Vasconcelos Brotto
Escritora, Pediatra, Mãe e outras coisas mais.

Pelas lentes amorosas do meu grande amor, parceiro de jornada nessa existência Rafael Rajendra Brandalize Brotto

GRUPOS DE PUERPÉRIONos grupos de puerpério ou rodas de maternagem a gente escuta. Uma escuta generosa, acolhedora, cheia...
12/07/2017

GRUPOS DE PUERPÉRIO
Nos grupos de puerpério ou rodas de maternagem a gente escuta. Uma escuta generosa, acolhedora, cheia de amorosidade e reconhecimentos mútuos. A gente se sente representada pela voz da outra, e aquilo que é falado nos toca e nos envolve, abre o nosso leque de reflexões, nos proporciona sentir (o que quer que seja sentido). Nessas rodas de prosa a gente fala. Fala mesmo, pelos olhos, pelo coração, pela garganta que finalmente consegue colocar pra fora coisas que ficam ali presas, sem saber o caminho de sair. A gente fala da dor e da delícia, a gente ri da gente mesma, a gente chora junto, a gente se sente pertencente a esse mundo materno da não-perfeição-graças-a-Deus. A gente acolhe, dá abraços, oferece chá, oferece palavras de incentivo, indica livro, filme, site de fralda e aplicativo no celular de White Noise. A gente é acolhida, recebe carinhos, recebe depoimentos de incentivo, um pedacinho de bolo da amiga que comprou da padaria, porque não teve tempo de fazer, mas queria partilhar um pedacinho do seu cuidado com todo mundo. A gente sai de alma lavada, coração leve e mais um monte de idéias na cabeça. Nessas rodas a gente exercita se conectar a essa rede amorosa que nos cerca, a essa essência humana que nos habita de cooperação, compaixão, sororidade, amor. É muito amô!
E faz tão bem que até nossos bebês sentem, porque entendem que a mamãe relaxou e está envolvida de afeto!

06/07/2017

Olá! Aqui em terras baianas estamos envolvidos por uma baita ventania melodiosa, e me deu vontade de falar de aconchego, ninho…! Por isso gravei esse vídeo falando sobre o meu olhar para a celebração do primeiro ano de vida do bebê! Não tem certo ou errado, cada família encontra no coração como sente de tornar esse ritual uma celebração afetiva, segura e envolvida de muita gratidão. Só lembrando que por família eu quero dizer aquelas pessoas que são as referências mais íntimas de cuidado, afeto e amor para o bebê, de todas as formas amorosas que elas se configuram! Um beijo bem carinhoso !

21/06/2017

E não por acaso, vivenciando aqui movimentos intensos e curadores, gravei algumas reflexões sobre culpa e maternidade! Divido com vocês o primeiro vídeo, com o desejo amoroso de que chegue aos corações de vocês enchendo de acolhimento e possibilidades mil de reflexões também! Se você gostar, compartilhe! Beijo grande, Sil!

O desmame natural é um fechamento de ciclo, mas fundamentalmente a abertura para um novo. Cada história de desmame é úni...
15/06/2017

O desmame natural é um fechamento de ciclo, mas fundamentalmente a abertura para um novo. Cada história de desmame é única, porque mexe com crenças, compensações, medos e rememorações de histórias inconscientes de nós mesmas, das nossas crianças amamentadas ou não. É uma separação, sim, mas quando acontece com consciência, amor e prontidão de mãe e bebê jamais representa uma desvinculação. Abre-se espaço para crescer, florescer e expandir essa ligação mãe-cria de outras mil novas maneiras.

Quando a gente se depara com situações “desafiadoras” trazidas pelos nossos filhos, mesmo muito pequenos, invariavelment...
09/06/2017

Quando a gente se depara com situações “desafiadoras” trazidas pelos nossos filhos, mesmo muito pequenos, invariavelmente nos ocupamos em focar na busca de soluções. Porque esses desafios muito frequentemente são vistos como problemas: meu filho não dorme como eu gostaria; não come o quanto eu gostaria; é muito retraído; é muito expansivo; faz birra no meio do supermercado; quer peito toda hora; chupa o dedo toda hora... E por aí vai. Mas esses processos – de olhar para o que incomoda - são na verdade grandes oportunidades que os filhos nos trazem, nos presenteando com um convite à expansão da percepção, à mudança, à evolução, à cocriação. Nesse caminho cabem todas as possibilidades. Porque a gênese da coisa não está no fato da criança dormir ou não dormir – é sobre o que está submerso e se quer revelar, e como esse desabrochar da revelação potencializa as inteirezas de cada ser. Não é fácil, não está fora, não vem em livros nem em falas de pediatra algum. Mas ao mesmo tempo nos devolve à nossa potência, apropriados, guias de nós mesmos que somos, em contato com o mais pleno e divino que há em nós. É esse percurso profundo e ao mesmo tempo cheio de amor que nos conecta a todas as jornadas que escolhemos traçar nessa existência.

Visitas que vibram alegria, amor e compreensão costumam ser bem vindas para as famílias com bebês recém nascidos. Isso s...
08/06/2017

Visitas que vibram alegria, amor e compreensão costumam ser bem vindas para as famílias com bebês recém nascidos. Isso significa estar disposto e disponível para escutar, acolher, ajudar, incentivar, apoiar, o que exige uma presença verdadeiramente empática de quem adentra nesse universo recém formado. Boa intenção é sempre bem recebida, mas muitas vezes ela vem camuflar nas entrelinhas um bombardeio de críticas, julgamentos e necessidades individuais de validação das próprias crenças. Nenhuma mãe ou pai de bebê recém nascido deveria precisar ficar se justificando sobre as próprias escolhas, pois vejam, já é difícil o suficiente, num momento de tantas dúvidas e fragilidades, ter consciência e segurança para tomá-las. Na verdade é bem chato e inconveniente ouvir comentários que envolvem comparações, “brincadeirinhas”, perguntas insistentes sobre temas que os pais não querem falar, desvalorização do modo como eles escolheram fazer, sugestões baseadas em achismos que desempoderam e desincentivam suas decisões. Lembremos: visitas servem fundamentalmente para celebrar a vida nova que acaba de chegar – e a nova família que acaba de ser formada! Coração e ouvidos abertos, um mimo para a mãe, um bom abraço no pai, um honesto elogio de incentivo, uma ajudinha na louça e saber a hora de ir embora costumam ser recebidos com extrema gratidão nesse momento de turbilhão de novidades.

06/06/2017

Visitas que vibram alegria, amor e compreensão costumam ser bem vindas para as famílias com bebês recém nascidos. Isso significa estar disposto e disponível para escutar, acolher, ajudar, incentivar, apoiar, o que exige uma presença verdadeiramente empática de quem adentra nesse universo recém formado. Boa intenção é sempre bem recebida, mas muitas vezes ela vem camuflar nas entrelinhas um bombardeio de críticas, julgamentos e necessidades individuais de validação das próprias crenças. Nenhuma mãe ou pai de bebê recém nascido deveria precisar ficar se justificando sobre as próprias escolhas, pois vejam, já é difícil o suficiente, num momento de tantas dúvidas e fragilidades, ter consciência e segurança para tomá-las. Na verdade é bem chato e inconveniente ouvir comentários que envolvem comparações, “brincadeirinhas”, perguntas insistentes sobre temas que os pais não querem falar, desvalorização do modo como eles escolheram fazer, sugestões baseadas em achismos que desempoderam e desincentivam suas decisões. Lembremos: visitas servem fundamentalmente para celebrar a vida nova que acaba de chegar – e a nova família que acaba de ser formada! Coração e ouvidos abertos, um mimo para a mãe, um bom abraço no pai, um honesto elogio de incentivo, uma ajudinha na louça e saber a hora de ir embora costumam ser recebidos com extrema gratidão nesse momento de turbilhão de novidades.

Endereço

Sorocaba, SP
18080691

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