31/12/2025
Nós somos formados por partes construídas em diferentes momentos da vida, seja para sobreviver, se adaptar ou pertencer.
Algumas dessas partes aprenderam cedo a doar, a se esforçar, a antecipar necessidades, a merecer afeto pelo desempenho. Outras nunca tiveram a experiência segura de receber sem culpa, medo ou desconfiança.
Quando algo bom chega, como cuidado, amor, elogio, descanso ou prazer, essas partes “não treinadas” para receber podem reagir com tensão, sabotagem ou estranhamento. Não porque a pessoa não queira, mas porque, em algum ponto da história, receber foi associado a perigo, dívida emocional, abandono ou perda de autonomia.
Receber exige vulnerabilidade. Exige confiar que o outro não vai retirar, cobrar ou ferir depois. E nem todas as partes internas viveram contextos onde isso foi possível. É por isso que existem pessoas que muitas vezes aceitam o pouco com naturalidade, e quando recebem muito (nem diria muito, mas o básico) estranham. Sustentam a escassez, mas se desorganizam diante da abundância.
É aí que o papel do psicólogo entra em ação. É mostrar, com repetição e segurança, que hoje o corpo pode relaxar, que o afeto pode permanecer, que o cuidado não precisa ser pago com dor. Que você pode e merece se sentir amado e seguro.
Receber também é uma habilidade emocional. E como toda habilidade, ela se constrói com tempo, consciência e gentileza consigo mesmo. 🤍