03/02/2017
No último dia 28, a empresa Active Pharmaceutical Ltda conseguiu na justiça a liberação para importação e comercialização (na forma manipulada) da melatonina sintética no Brasil. Vale ressaltar, que a decisão determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não se trata do medicamento melatonina na sua forma industrializada para comercialização, como explicou a assessoria da ANVISA por meio de nota. Segundo o texto divulgado, com base na decisão da justiça do Distrito Federal, “Para a comercialização, precisaria de registro na Anvisa, embora seja permitida a importação para uso próprio com receituário médico”.
A melatonina tem seu uso estabelecido na clínica médica no tratamento de alguns distúrbios do sono como insônia por fase retardada, ciclo vigília-sono com períodos diferentes de 24h, latência prolongada para o sono, fragmentação do sono, distúrbios comportamentais do sono REM, correções do sono do idoso, dessincronização entre o ciclo vigília-sono e o dia e a noite, como observado com frequência em alguns tipos de cegueira (pré-quiasmáticas). Além disso, e por ser um importante agente regulador do ciclo vigília-sono (mas não só, também como um agente antioxidante, antiamiloidogênico, neurotrófico e neuroplástico) é usado como um coadjuvante terapêutico em doenças neurológicas e degenerativas (como doenças do espectro do autismo, síndrome de déficit de atenção e hiperatividade, Smith- Magenis, etc) que resultam em distúrbios do sono e dos ritmos biológicos circadianos. Particularmente, em relação a esses últimos, a melatonina é vista como um poderoso cronobiótico, isto é, um agente capaz de sincronizar circadianamente muitas funções do organismo. Por isso tem, também, sido usada na correção dos distúrbios causados pelo "jet-lag".
Uma das vias diretas que a Melatonina tem de regular o peso corpóreo se dá através do seu papel na regulação do balanço energético. Assim, toda a energia ingerida através da alimentação é utilizada ou armazenada nos estoques energéticos para uso futuro. Há evidências experimentais sólidas mostrando que a melatonina age regulando cada uma das etapas do balanço energético: a ingestão alimentar, o fluxo de energia para e dos estoques, e o dispêndio energético. A melatonina é um hormônio que, principalmente por ação central, regula a ingestão alimentar reduzindo-a, ainda que ligeiramente; regula a produção e secreção de insulina, glucagon e cortisol, organizando, assim, o fluxo das reservas energéticas para e dos estoques; e, mais importantemente, aumenta o dispêndio energético, aumentando a massa e a atividade do tecido adiposo marrom e aumentando o escurecimento (browning) do tecido adiposo branco. Pode, portanto, ser visto como mais um fator hormonal antiobesogênico.
Imagem: Jornal O Tempo (MG)
Para saber mais consulte o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)