10/01/2026
O uso de celulares e telas na primeira infância não é neutro.
O cérebro está em intensa formação e o sistema visual também.
Nos primeiros anos de vida, a visão está em pleno desenvolvimento: ocorre a maturação das conexões neurais, da coordenação entre os olhos e do foco para diferentes distâncias. Quando a criança é exposta precocemente e por longos períodos a estímulos de perto, com pouco tempo ao ar livre e pouca variação de distância, aumentam os riscos de miopia e de alterações no alinhamento ocular, como o estrabismo.
Além disso, a infância é um período crítico para a construção da atenção, da autorregulação emocional, da linguagem e das habilidades sociais — processos que dependem de interação humana, movimento, brincadeira e experiências no mundo real.
O problema não é a tecnologia em si, mas o momento, a quantidade e o contexto em que ela é introduzida. Crianças pequenas ainda não têm maturidade neurológica, emocional e visual para lidar com estímulos intensos, prolongados e muito próximos.
Cuidar da infância é também cuidar do desenvolvimento visual.
É saber adiar, colocar limites, incentivar o brincar, o olhar para longe, a luz natural e as experiências reais.
Desenvolvimento não se recupera depois. Ele precisa ser protegido enquanto acontece.