Psicólogo Guilherme Almeida de Lima

Psicólogo Guilherme Almeida de Lima .

Mujer saliendo del psicoanalista, de Remedios Varo, pintora espanhola. Óleo sobre tela, 71 cm × 41 cm, surrealismo, Muse...
24/03/2026

Mujer saliendo del psicoanalista, de Remedios Varo, pintora espanhola. Óleo sobre tela, 71 cm × 41 cm, surrealismo, Museo de Arte Moderno, México. 1960.

O doutorado me ensinou a imaginar. Me ensinou a calcular as variáveis do impossível para apostar em um real possível, pr...
02/03/2026

O doutorado me ensinou a imaginar. Me ensinou a calcular as variáveis do impossível para apostar em um real possível, preenchido com diferentes narrativas cósmicas, místicas, ancestrais, divinas, pois se cabe a cada um construir a sua própria mitologia individual, eu prefiro deixar sempre um espaço em branco em relação à minha própria verdade. E que ela se inunde do que seja mais urgente: uma tragédia, uma reconciliação, um conflito, um desfecho, um romance. O enredo existencial nasce da mitologia e eu gosto de brincar com as variáveis dos acontecimentos. E por mais que a verdade seja uma ficção, cultivo as minhas ficções com muito carinho. Deixo que ela se estruture sempre no encontro com o desconhecido. E assim eu vou flertando com o delírio escópico dos diferentes ângulos que a matemática sistematiza naquela busca mítica em capturar o exato instante oportuno: o Kayrós.

Esses dias eu tive um sonho, e nele eu escrevia em uma folha de papel sobre a minha história, mas a chuva impedia a fixação da tinta da caneta no papel. E essa árdua tarefa somente me revelou algo que me custa entender: que algo de si é inenarrável. O objeto a é ainda sombrio para mim. “A letra não cessa de se inscrever”, pois há um nó estrutural em toda narrativa que deve permanecer aberto. E talvez seja essa a função do imaginário na construção do eu, dentro de algo que eu ainda estou tentando teorizar e que o doutorado têm me ensinado.

O doutorado me ensinou a imaginar.

Metas.
08/01/2026

Metas.

“Si escuchas bien a la tarde, la brisa aún recuerda la pena de quienes, en las cuevas de este Valle, esperaron juntos la...
22/12/2025

“Si escuchas bien a la tarde, la brisa aún recuerda la pena de quienes, en las cuevas de este Valle, esperaron juntos la amarga partida, dejando atrás casas y haciendas: Expulsados, sin honra; los judios de estas tierras.” (Senda de los suspiros)

“Redescobrir a Teoria Crítica de Theodor Adorno a partir da Psicanálise é, de longe, uma das surpresas mais curiosas que...
16/12/2025

“Redescobrir a Teoria Crítica de Theodor Adorno a partir da Psicanálise é, de longe, uma das surpresas mais curiosas que eu já vivi em meu percurso enquanto pesquisador. Iniciei o doutorado imaginando que a tarefa seria a de um simples diálogo comparativo entre Psicanálise e Escola de Frankfurt: traço o recorte bibliográfico aqui, desenho o percurso metodológico ali… e pronto.

O que tenho vivido, no entanto, se aproxima de um reconhecimento indissociável e angustiante entre Adorno e Freud, isto é, da constatação de que a economia psíquica é a economia do capital, pois estudar a ascensão do fascismo, o recrudescimento do conservadorismo e suas formas contemporâneas de racionalização tem me mostrado que esses fenômenos não se sustentam apenas por estruturas políticas ou econômicas externas, mas encontram profundo amparo nos modos de subjetivação, nos afetos administrados, no medo, na adesão à ordem e na recusa do conflito. O fascismo não emerge do nada: ele se alimenta da promessa de progresso, da nostalgia de uma totalidade perdida e da ilusão de sentido oferecida por narrativas simplificadoras, que encontram terreno fértil justamente em contextos de crise e desamparo como os que vivemos.

Adorno é difícil, sim, e, às vezes, tenho a impressão de que não estou entendendo nada. Mas, então, me dou conta de que, de fato, às vezes eu realmente não estou entendendo nada. E é esse simples não entendimento que me permite apreender algo de seu ensino: a formação exige tempo - tempo de mediação, de elaboração, de recusa, de abertura, de reaproximação, de deslumbramento, de incômodo, de dor no estômago, de fome. A formação exige desconforto; e, para alguém formado sob os véus sedutores e ilusórios das epistemologias conhecidas como metodologias ativas, dar-se conta disso implica enfrentar uma considerável dose de angústia e dissolução ideológica.”

Texto completo: https://open.substack.com/pub/guilhermealmeidadelima/p/entre-um-paragrafo-e-outro?r=1iymzh&utm_campaign=post&utm_medium=web&showWelcomeOnShare=true

“Mas a sua imaginação, estimulada pelo exotismo da aparição do estranho ou por qualquer outra influência física ou espir...
29/11/2025

“Mas a sua imaginação, estimulada pelo exotismo da aparição do estranho ou por qualquer outra influência física ou espiritual, levou-o à desconcertante consciência de uma estranha expansão do seu íntimo, um desassossego errante, uma ânsia adolescente e voraz de distância, uma sensação tão viva, tão nova ou há tanto tempo esquecida e desabituada, que se deixou ficar imóvel, mãos atrás das costas e olhar fixo no chão, interrogando o ser e finalidade daquele sentimento.
Era vontade de viajar, nada mais; mas uma vontade
que o atacava, atingindo proporções dolorosas, quase de alucinação. A sua ânsia tornou-se visionária, a imaginação, animada ainda pelas horas de trabalho, recriou de uma só vez todas as maravilhas e horrores da Terra.” (Thomas Mann, Morte em Veneza)

O tempo aqui é aveludado, as cores são arenosas e a geometria da luz do sol é horizontal e interminável. A experiência é...
10/11/2025

O tempo aqui é aveludado, as cores são arenosas e a geometria da luz do sol é horizontal e interminável. A experiência é despretensiosa, vibrante e quente. A pressa é contradição. O idioma é convite à dança. O vento empurra para o ritmo. O corpo é protagonista. O intelecto é natureza. O laço social é uma torre que sustenta. A força do brilho cerra os olhos. Contemplação. Um estranho familiar.

Praise us, memory will change it into old things
25/10/2025

Praise us, memory will change it into old things

13/10/2025
Começo a escrever um dos capítulos mais profundos da minha tese de doutorado: aquele cuja história me leva a atravessar ...
09/10/2025

Começo a escrever um dos capítulos mais profundos da minha tese de doutorado: aquele cuja história me leva a atravessar o Atlântico para morar na costa do Mediterrâneo.

Ser pesquisador vinculado a uma das Universidades Públicas mais antigas da Espanha representa o efeito narrativo que o significante ‘educação’ produz na minha história de vida: fazer parte do Grupo de Investigación sobre Teoría Crítica y Escuela de Frankfurt, do Institute of Creativity and Educational Innovations (IUCIE), da Universitat de València(Espanha), é uma conquista que reafirma o lugar da psicanálise e da teoria crítica na educação.

Uma conquista que demanda reescrita, pois reescrever a história – mesmo que subjetiva –, traduz o ato político da existência humana, para que nunca esqueçamos que há aqueles que vieram antes de nós e que estão por nós: a história grita ancestralidade.

Reescrevo brevemente essa história acessando as lembranças de quando eu era criança: meus pais chegando em casa no fim do dia, cansados do trabalho. Meu pai, mecânico, com as mãos sujas de graxa; minha mãe, empregada doméstica, com as mãos ressecadas devido aos produtos de limpeza.

As mãos sujas e ressecadas dos meus pais, que dentro dessa pequena reminiscência, revela um recorte do que pra mim marca o lugar da educação: a de que meus pais tiveram suas mãos danificadas pelo tempo para assegurar que as minhas estivessem sempre bem cuidadas.

E se minhas mãos hoje escrevem uma tese, é porque há aquelas que amparam a minha existência. É porque há ecos da minha ancestralidade na formulação do meu desejo. É porque há um povo nos bastidores que dá voz aos meus sonhos e porque vou sendo constituído na medida em que cada um se torna parte de mim mesmo.

E eis que a linguagem vai operando simbolicamente, demarcando lugares, posições; mapeando geograficamente as coordenadas possíveis para que um sonho se torne realidade. Há um povo, como eu disse: pai, mãe, avôs, avós, tios, primos e amigos a professores, terapeutas, artistas, pajés, curandeiros, benzedeiras e merendeiras. (Continua nos comentários)

Elogio ao ócio.
25/09/2025

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22/08/2025

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