09/12/2025
O isolamento e a solidão, podem marcar a vida de muitos sobreviventes de AVC. Um pouco pode ser “culpa” do próprio, mas não só… Se calhar, até tinha muitos amigos antes do AVC. Sinal disso mesmo, foram as muitas visitas, telefonemas, a preocupação generalizada quando aconteceu. Aos poucos, esses contactos foram diminuindo, até que quase cessaram de todo…
Mesmo com a família, pode acontecer: o esforço pela reintegração vai diminuindo, valoriza-se demais a suposta comodidade de todos, que vai “dispensando” a sua presença, mesmo excluindo… Assim, o sobrevivente, sentindo-se cada vez mais isolado e esquecido, ao ver que a vida de todos continua – e bem, mas a sua também deve contar! –, chega a uma constatação: em certo sentido, era como se tivesse desaparecido…
A grande maioria continua a (sobre)viver, muito limitados ao seu canto. É assim que vivem muitos sobreviventes, que, em vez de celebrarem a vida que reconquistaram, acordam e dormem nesse ritmo, dia após dia!…
A melhor maneira de fazer com que isto não aconteça, é mostrar que não desaparecemos, que com o AVC a vida não cessa, quando muito, adequa-se! Que podemos continuar a fazer amigos, ser úteis e sair de casa (mesmo que com bengala ou cadeira de rodas ou outro apoio), ir às compras, aventurar-se em novas situações, amar e ser amado, etc… Sim, pode-se fazer tudo isso e muitas mais! Mas, quantas vezes, para dar os primeiros passos, será muito útil o impulso, o apoio dos amigos e familiares!...
Mesmo que o seu corpo se tenha modificado, mesmo que a sua fala ou forma de comunicar seja agora diferente, ou o seu humor não seja o melhor, ou outros aspetos. Mas é a mesma pessoa, como virtudes e limitações como antes, depois, sempre!
Infelizmente, muitas pessoas não entendem que pode ser assim. Só se focam nas limitações físicas ou comunicativas, por exemplo, e acabam por nos excluir de reuniões, eventos, convívios, por causa disso mesmo, e fingindo não perceber que estão a contribuir para mais dificuldades na nossa vida...
Por isso, temos que lutar, impor-nos desafios diários. Para ter forças para sair do nosso canto, voltar a ter a autonomia possível, porque também queremos ser felizes!