Há quem não tenha coragem para isso, para se fazer a uma viagem de mochila às costas, sem lugares marcados para pernoitar e sem qualquer tipo de assistência. Parece-me que há quem tenha uma espécie de bloqueador no cérebro, só de pensar nisso acaba qualquer hipótese de sequer continuar a planear o que quer que seja. E se não encontramos onde dormir? E se nos perdemos? E o peso extra que levamos nas mochilas ou nos alforges? E se chove? E se... e se... e se... Eu sou o oposto, se pudesse percorria o mundo inteiro assim, de alforges pesados e mochila às costas, com apenas o essencial na bagagem e o coração cheio de sonhos. Se pudesse percorria o mundo inteiro assim, a movimentar-me só com a minha energia e a minha convicção de que sou capaz de tudo. E se acontece alguma coisa, resolve-se. E se não encontramos onde dormir, estendemos o saco cama por aí. E se alguém se magoa, arranjamos forma de o transportar a um hospital. E se nos perdemos, procuramos solução para um novo caminho, um novo destino. E o peso extra nos alforges e nas mochilas, é óptimo para a nossa preparação. E se chove, a roupa há-de secar. Para mim essa é a sensação mor de liberdade, autonomia total.