15/12/2025
Meu Deus… 25 anos.
Às vezes digo isto em voz alta e ainda me custa a acreditar.
O Têzero,Tripas de Aveiro faz hoje 25 anos.
E quando tudo isto começou, eu era apenas um miúdo. Tinha 6, 7 anos, andava na primeira ou segunda classe. Naquela altura começou a surgir a linguagem do T0, T1, T2… e eu achava aquilo um piadão enorme. Já nessa idade, talvez por ser um bocadinho sonhador (ou teimoso), eu pensava:
“Um dia, se tiver um negócio, vou chamar-lhe Têzero. Depois, quando crescer, faço o T1, o T2, o T3, o T4… quem sabe até um duplex.”
A vida riu-se.
Passaram-se 25 anos… e continuo no Têzero.
E talvez não seja por acaso.
Porque este Têzero, pequenino no nome, dá um trabalho gigante. Dá-me tudo… e tira-me quase tudo. Já fiz dias de 18, 19 horas fechadas lá dentro. Não tenho vida para quase nada. Pouca vida para a família, pouca vida para mim. Nunca arrisquei crescer noutras cidades — Porto, Lisboa,Braga,Coimbra,Nazaré, Algarve — lugares onde, sei bem, poderia ser muito mais compensador financeiramente. Mas também sei que isso signif**aria perder ainda mais daquilo que já quase não tenho: tempo, presença, equilíbrio.
Fiquei em Aveiro.
Uma cidade linda, mas exigente. Uma cidade onde as tripas ainda têm preços acessíveis, onde a comparação é constante. A minha tripa é mais cara? É. Mas a qualidade também é outra. E deixem-me dizer isto com toda a honestidade do mundo: eu nunca, nunca, nunca falarei mal das outras tripas. Nunca. Foi graças a elas que, desde pequenino, me apaixonei por este produto. Eu não inventei a tripa. Eu apenas mexi na massa, mudei o conceito, embelezei, tratei-a com respeito e amor.
O T0 distingue-se pela dedicação,pelo cuidado, pelo detalhe.
Mas, acima de tudo, distingue-se pelo amor.
Amor à tripa.
Amor a Aveiro.
Amor ao trabalho.
Amor à vida.
Quero agradecer a todos. Mesmo a todos.
Aos que vêm todos os dias.
Aos que vêm uma vez por ano.
Aos que dizem bem.
E até aos que este ano me disseram que, por motivos políticos, nunca mais cá viriam. A esses, desejo igualmente um Feliz Natal. Com sinceridade. Porque se há coisa que aprendi é que a política divide-nos cá fora, mas lá dentro da Assembleia da República acabam todos no mesmo restaurante, a cumprimentarem-se, a rirem juntos, amigos no Facebook. E somos nós, cá em baixo, que nos zangamos.
Aos que diziam, há 25 anos, que o T0 não durava um mês…
Pois é. Estamos cá.
E não é fácil manter uma casa aberta durante 25 anos em Aveiro. Não é mesmo. Manter uma marca viva, com identidade, para os aveirenses, para quem nos visita, para turistas de todo o mundo — e, sobretudo, para os turistas nacionais, que são aqueles a quem mais me dedico — não é para qualquer um.
Também quero dizer isto:
Esta altura do ano não é fácil para mim. Muitos de vocês sabem. Dezembro traz memórias duras. Mas hoje tenho um filho, tenho uma mulher que me apoia, e tenho vocês. Os que gostam de mim… e até os que não gostam. Porque sei que há clientes que vêm ao T0 recomendados por pessoas que não morrem de amores por mim. E isso, no fundo, é um elogio. Porque se não houvesse qualidade, não mandavam.
Por isso, hoje, permito-me isto:
Desejar-vos tudo de bom.
Desejar-me também tudo de bom — porque acho que mereço.
E agradecer. Do fundo do coração.
Um abraço enorme a todos.
Felicidades.
Beijo no coração.
Amo-vos.
Paulo Pinheiro 🇵🇹