02/01/2026
Janeiro: Bom Ano Novo!
Não é curioso como o ano novo começa ao mesmo tempo que o inverno?
Por razões históricas, ligadas ao estabelecimento do calendário gregoriano, o início de um novo ano ficou posicionado precisamente no início da estação mais fria e escura. Isto cria um paradoxo. Por um lado, a nossa cultura, que nos habituou a olhar para a passagem de ano como uma comemoração ruidosa e agitada que nos exige que sintamos um impulso de reínicio, muitas vezes traduzida em listas de objetivos e mudanças radicais. Por outro lado, a natureza à nossa volta, que faz exatamente o oposto: recolhe-se, adormece, hiberna, acolhe a pausa a que os dias curtos, as temperaturas baixas e a falta de luz convidam.
No inverno, a natureza inspira ao silêncio e ao repouso, não à aceleração, por isso, se se sentir desajustado nesta época festiva, não é um problema seu, é apenas a sua resposta natural às condições do ambiente. A pressão para um "novo eu" em janeiro pode ser esmagadora, mas está, muitas vezes, fadada ao esgotamento, com a verdadeira primavera — dos nossos ciclos internos — ainda distante. E está tudo bem.
E se, este ano, honrássemos o nosso inverno interior?
Para isso, a psicoterapia pode ser o espaço de recolhimento consciente necessário, onde não é preciso forçar mudança, mas apenas acolher o que já existe, longe da pressão por resultados imediatos.
Nesse lugar pessoal que a terapia proporciona é possível observar, sem julgar, quaisquer "sementes de mudança" que já existam, sem o peso da exigência de transformação instantânea. Pode ser cultivada a autocompaixão, essencial para enraizar qualquer crescimento futuro. Pode ser gentilmente construído um plano transformador, com respeito pelo próprio ritmo biológico e emocional.
O caminho para um renascimento pessoal começa, com frequência, de foma lenta, na coragem de parar quando o mundo pede velocidade e na permissão para não se estar "pronto" quando "é suposto".
Como podemos fazê-lo?
A nossa proposta é simples: que tal usar este inverno, não para forçar a floração, mas para preparar o solo?
A terapia pode ser abrigo temporário, onde se pode, em segurança, escutar com curiosidade o que a quietude terá a dizer e esperar por uma primavera própria. Sem pressa.
O convite, nestes primeiros momentos do ano, é começar ouvindo-se, sem precisar de se consertar ou reinventar, sendo apenas tal como é e, confiando na sua própria intuição, deixar o renascimento vir, se for para vir, no tempo certo — o seu!