01/02/2026
A NATUREZA DA PRECARIEDADE OU O CULTO DA INCOMPETÊNCIA
Portugal vive esta semana uma dissonância obscena entre a maquilhagem da campanha eleitoral e o esqueleto do país a desfazer-se. De um lado temos os sorrisos estudados e a simpatia mediática dos candidatos, do outro temos casas a cair, estradas a ceder e vilas isoladas. E logo surge a desculpa habitual de que foi "imprevisível" ou "força da natureza". Isto é mentira. A Engenharia e o Planeamento servem precisamente para domar o imprevisível, porque sabemos que chove no Inverno, sabemos a idade do betão e sabemos o nível de saturação dos solos.
O sistema recusa-se a aceitar que os problemas humanos comuns a todos são técnicos e não emocionais. Quando falha a rede de electricidade, quando colapsam as redes de comunicação e f**amos sem sinal, quando os transportes param e não existe um único plano de contingência activado, não estamos perante um azar. Estamos perante incompetência técnica pura. O nosso drama é que o sistema político premeia a popularidade de pessoas manifestamente incompetentes. Temos gestores públicos e políticos que são óptimos a cortar fitas e a dar abraços em campanha, mas que são nulos a garantir a manutenção de uma infra-estrutura crítica ou a desenhar um sistema de segurança robusto.
Substituímos a competência técnica pela simpatia eleitoral. Preferimos o político que chora connosco na tragédia ao engenheiro frio que a evita. Por isso terminamos zangados e molhados, mas com o voto no bolso dos mesmos de sempre. Continuemos a votar na incompetência política só porque ela é popular, e não num novo sistema de gestão inteligente que cuide, de facto, de todos nós. Enquanto escolhermos o carisma em vez da capacidade, vamos continuar a ver o país cair aos bocados, entre dois tempos de antena.
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