28/12/2025
Subclade K e gripe 2026
Influenza A(H3N2) subclade K tornou-se a linhagem dominante na temporada de influenza 2025-2026, com impacto epidemiológico significativo devido à sua rápida disseminação e à ocorrência de deriva antigênica. Essa deriva resultou em menor imunidade populacional e maior risco de hospitalizações, especialmente em idosos e crianças pequenas, grupos tradicionalmente mais vulneráveis à influenza A(H3N2).
Dados recentes mostram taxas de hospitalização superiores às médias históricas, com maior gravidade clínica nesses grupos etários.
Implicações para a vacinação: Apesar da redução da reatividade dos anticorpos induzidos pela vacina contra o subclado K, a vacinação continua sendo recomendada e oferece proteção significativa contra desfechos graves. Estudos observacionais e dados de vigilância indicam que a efetividade da vacina na prevenção de atendimentos em pronto-socorro e hospitalizações é de 72–75% em crianças e adolescentes. Embora a proteção contra infecção sintomática possa ser menor, a proteção contra doença grave e morte permanece relevante. Aumentar a cobertura vacinal, especialmente em grupos de risco e contatos próximos, é fundamental para mitigar o impacto da temporada. Vacinas de espectro mais amplo e plataformas de mRNA estão em desenvolvimento, mas ainda não são aprovadas para uso clínico.
Os antivirais recomendados para tratamento e profilaxia incluem oseltamivir, zanamivir, peramivir (aprovado pelo FDA nos EUA para pacientes ≥6 meses) e baloxavir.
O subclado K permanece suscetível a esses agentes, e não há evidências de resistência significativa até o momento. O tratamento precoce com oseltamivir está associado à redução da duração da doença, complicações e mortalidade, especialmente em pacientes hospitalizados ou com doença grave.
A profilaxia pós-exposição com esses antivirais é indicada para indivíduos de alto risco, devendo ser iniciada idealmente em até 48 horas após o contato.
Intervenções não farmacológicas e sistema de saúde: Medidas como higiene respiratória, distanciamento social e uso de máscaras continuam sendo recomendadas como complementares à vacinação e ao tratamento antiviral, especialmente em ambientes de alta transmissão. A sobrecarga dos sistemas de saúde, com aumento de casos e hospitalizações, reforça a importância do diagnóstico rápido e do início precoce do tratamento.
Informações ausentes: Ainda são limitados os dados sobre a efetividade a longo prazo de novas plataformas vacinais e antivirais em populações de alto risco, bem como sobre o impacto de terapias combinadas em desfechos clínicos graves.
Em resumo, influenza A(H3N2) subclade K representa um desafio clínico relevante na temporada atual, exigindo vigilância epidemiológica, alta cobertura vacinal, uso criterioso de antivirais e reforço de medidas não farmacológicas para proteção dos grupos mais vulneráveis.