21/04/2026
Não há evidência de aumento da gravidade da varicela em adolescentes e adultos após a introdução da vacinação universal infantil nos países com programas estabelecidos. Pelo contrário, os dados mostram reduções substanciais nas hospitalizações e mortes por varicela em todas as faixas etárias, incluindo adolescentes e adultos.[1][2]
Impacto nos desfechos graves
Nos Estados Unidos, durante 25 anos de programa vacinal (1995-2019), as hospitalizações e mortes por varicela diminuíram 94% e 97%, respectivamente, em pessoas com menos de 50 anos. A maior redução (97% nas hospitalizações e >99% nas mortes) ocorreu em pessoas com menos de 20 anos nascidas durante o programa de vacinação.[1] As hospitalizações por varicela tornaram-se raras e as mortes foram praticamente eliminadas nessa faixa etária.[1]
Na Califórnia, entre 1995 e 2009, as taxas de hospitalização ajustadas por idade diminuíram aproximadamente 90% (de 2,13 para 0,25 por 100.000), sem evidência de deslocamento do fardo da doença para grupos etários mais velhos.[2]
Mudança na distribuição etária
Embora tenha ocorrido um deslocamento da idade média ao diagnóstico de varicela após a introdução da vacina, isso não resultou em aumento da gravidade geral. Estudos documentaram:
- Na Alemanha, as incidências diminuíram significativamente em todas as faixas etárias desde 2004, sem evidência de deslocamento da incidência para grupos mais velhos.[3]
- No Quebec, a idade média ao diagnóstico aumentou de 8,4 para 12,0 anos em não-imigrantes e de 15,3 para 19,4 anos em imigrantes, mas as taxas de incidência diminuíram 93% e 87%, respectivamente.[4]
Considerações sobre populações imigrantes
Uma exceção importante envolve populações imigrantes de países tropicais, que frequentemente chegam sem imunidade à varicela. No Quebec, após a introdução da vacina, imigrantes adolescentes e adultos jovens apresentaram risco relativo de varicela 1,53 a 4,64 vezes maior que não-imigrantes, com disparidades crescentes no período pós-vacinal.[4] Isso reflete não um aumento da gravidade relacionado à vacinação, mas sim a presença de bolsões de indivíduos suscetíveis não vacinados em um ambiente de menor circulação viral.[4]
Conclusão
A preocupação teórica de que a vacinação infantil poderia aumentar a gravidade da varicela ao deslocar casos para idades mais avançadas não se concretizou nos países com programas vacinais estabelecidos. A imunidade de rebanho e a alta cobertura vacinal resultaram em reduções dramáticas tanto na incidência quanto na gravidade em todas as faixas etárias.[1][5][2][3]
References
1. Decline in Severe Varicella Disease During the United States Varicella Vaccination Program: Hospitalizations and Deaths, 1990-2019. Marin M, Lopez AS, Melgar M, et al. The Journal of Infectious Diseases. 2022;226(Suppl 4):S407-S415. doi:10.1093/infdis/jiac242.
2. Impact of Vaccination on the Epidemiology of Varicella: 1995-2009. Baxter R, Tran TN, Ray P, et al. Pediatrics. 2014;134(1):24-30. doi:10.1542/peds.2013-4251.
3. Trends in Age-Specific Varicella Incidences Following the Introduction of the General Recommendation for Varicella Immunization in Germany, 2006-2022. Moek F, Siedler A. BMC Public Health. 2023;23(1):2191. doi:10.1186/s12889-023-17098-1.
4. Epidemiology of Varicella Among Immigrants and Non-Immigrants in Quebec, Canada, Before and After the Introduction of Childhood Varicella Vaccination: A Retrospective Cohort Study. Greenaway C, Greenwald ZR, Akaberi A, et al. The Lancet. Infectious Diseases. 2021;21(1):116-126. doi:10.1016/S1473-3099(20)30277-2.
5. The Effectiveness of Varicella Vaccine: 25 Years of Postlicensure Experience in the United States. Shapiro ED, Marin M. The Journal of Infectious Diseases. 2022;226(Suppl 4):S425-S430. doi:10.1093/infdis/jiac299.