José Luís Fonseca Lda

José Luís Fonseca Lda Consultório de Pediatria Médica. Primeiras consultas só utentes dos 0 aos 3 meses. Seguem-se até aos 18 anos.

03/03/2026

Há quem confunda limites com autoritarismo.
Há quem ache que dizer “não” é falta de amor.

Mas a verdade é simples:
Tal como os rios precisam de margens para não transbordarem, as crianças precisam de limites para não se perderem.

Limites não são muros. São direções.
Não são gritos. São orientação.
Não são castigos. São segurança.

Uma criança sem limites não é mais livre. É mais ansiosa. Porque não sabe até onde pode ir. Porque não sente chão.

Quando um pai ou uma mãe diz: “Não podes fazer isso.”
Está a oferecer algo muito mais importante do que controlo.
Está a oferecer estrutura. Está a oferecer proteção. Está a oferecer amor com firmeza.

Educar pela positiva não é dizer “sim” a tudo. Não é igual a permissividade.
É saber dizer “não” sem deixar de amar.
É colocar limites com respeito.

Porque tal como um rio com margens flui, uma criança com limites floresce.🪴

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02/03/2026

Há irmãos e há estranhos com quem se compartilha os pais. Mas “meio-irmão” devia ser uma expressão proibida. Porque é um mau exemplo de bondade. E porque, por isso mesmo, faz mal ao crescimento.

É muito difícil ter irmãos. Mas que não haja dúvidas sobre isso: é, também, muito bom. Mas é difícil. Porque se perde muito. Daí que aquela expressão “eles são muito amigos”, tenha uma “evolução natural” e saudável para: “são como o cão e o gato”. Entrecortada pelo já clássico “estão impossíveis”. Unicamente porque a “conta-corrente” que se estabelece entre dois irmãos, faz com que eles sejam capazes das maiores cumplicidades e dos maiores arrufos. Próprios, aliás, duma “relação de irmãos”. Aliás, para que é que se quer que dois irmãos sejam “muito amigos”? Não será isso um degrau abaixo deles serem “muito irmãos”?

Há, depois, os “meios-irmãos” que, de pequena fractura em pequena fractura, se foram afastando e, à conta de tudo o que ficou por dizer entre eles, se transformam em estranhos que partilham os mesmos pais. Que, de início, se evitam. Logo a seguir, se cumprimentam de maneira formal. A seguir, se desculpam com uma mulher ou um marido que possa ter chegado à vida deles aos quais se atribui toda a culpa pela fractura que assumem. E, finalmente, se incompatibilizam por uma “porcaria” sem sentido. Dois irmãos que se incompatibilizam começaram por ser, com a cumplicidade dos pais, “meios-irmãos”.

Para tudo se transformar num desafio de complexidade crescente para os pais há, nas famílias reconstruídas, muitos “meios-irmãos”. Para além daquela fórmula escorregadia “os meus, os teus e os nossos” que faz com que os filhos tenham, desde logo, mais hipóteses de se sentirem “meios-irmãos” do que, simplesmente, irmãos. É muito difícil gerir os cuidados, gerir os gestos de amor, gerir as repreensões e as zangas, e gerir os espaços (dos quartos, dos armários da roupa, da mesa ou do sofá), quando todos eles parecem prontos a reivindicar: “esse é o meu lugar!”. Nada do que se passa entre todos os nossos filhos é fácil! Mas enquanto não for claro o lugar de cada um dos nossos filhos, dentro de nós, estamos a transformá-los em “meios-irmãos”. E isso é mau!

Eduardo Sá

22/02/2026

Sim, o sol é a principal fonte de vitamina D, mas o uso correto de protetor solar não costuma causar deficiência na prática; estudos e revisões mostram que, apesar de o filtro reduzir a produção cutânea em condições ideais de laboratório, na vida real a maioria das pessoas mantém níveis adequados com exposição habitual, dieta ou suplementação quando necessário.

Explicação científica
A vitamina D é sintetizada na pele quando a radiação UVB do sol converte precursores cutâneos em colecalciferol (vitamina D3). Em teoria, um protetor solar com alto fator bloqueia os raios UVB e pode reduzir a síntese local se aplicado de forma perfeita e em quantidade ideal, o que foi demonstrado em estudos controlados.

O que mostram os estudos na prática
Na prática diária, o efeito do protetor solar sobre os níveis séricos de vitamina D é pequeno ou inconsistente. Pesquisas populacionais e revisões indicam que pessoas que usam protetor solar regularmente não apresentam, em geral, maior risco de deficiência de vitamina D do que quem não usa, provavelmente porque: aplicação é muitas vezes incompleta; as pessoas ainda recebem alguma exposição UV; e há fontes alimentares e suplementares que contribuem para os níveis totais.

Fontes alternativas e quando preocupar
A maior parte da vitamina D necessária vem da exposição solar, mas também existe aporte por alimentos (peixes gordos, gema de ovo, alimentos fortificados) e por suplementos quando indicado. Grupos com maior risco de deficiência incluem idosos, pessoas com pele muito pigmentada, quem passa muito tempo em ambientes fechados, quem usa roupas que cobrem a pele por completo e quem tem condições médicas que afetam absorção ou metabolismo — nesses casos, monitorização e suplementação podem ser necessárias.

Recomendações práticas
- Mantenha a proteção solar para reduzir risco de queimaduras e câncer de pele; a prevenção é prioritária.
- Se houver preocupação com vitamina D (sintomas, fatores de risco ou histórico), faça um exame de sangue (25‑OH‑vitamina D) e discuta suplementação com o seu médico. Suplementos são uma forma segura e eficaz de corrigir níveis baixos quando recomendados por um profissional.
- Para a população em geral, não é necessário deixar de usar protetor solar para “garantir” vitamina D; em vez disso, combine proteção, alimentação adequada e, se preciso, suplementação sob orientação médica.

Resumo prático: use protetor solar para proteger a pele; se tem fatores de risco para deficiência de vitamina D ou dúvidas sobre os seus níveis, peça uma análise ao seu médico e considere suplementação se for indicada.

21/02/2026
11/02/2026

O meu pequeno está constipado… e sei que não é caso único. Parece que andamos todos a lidar com gripes e viroses, dia após dia.

- “Ele ainda está com febre”, digo eu ao médico. - “Já lhe dei o ibuprofeno que receitou, mas passaram só duas horas e a febre voltou…”

E é aqui que muitas de nós, em desespero, começamos a fazer malabarismos: damos paracetamol, depois pensamos em mais qualquer coisa, até um supositório aparece à mistura… só para ver se aquela febre baixa de vez.

E baixa.
Mas o problema continua lá.

A infecção não desapareceu, pelo contrário. E esquecemo-nos muitas vezes de uma coisa importante: a febre também é uma defesa do corpo. É uma forma natural de combater os micróbios. Com a temperatura mais alta, os vírus e bactérias não se multiplicam da mesma maneira.

O ibuprofeno ou o paracetamol (normalmente um ou outro chega, raramente é preciso mais) não são para “apagar” a febre. Servem sobretudo para aliviar dores e ajudar o nosso filho a sentir-se mais confortável, enquanto o próprio organismo faz o seu trabalho.

A febre não é o inimigo.

Misturar medicamentos à pressa, só porque a temperatura voltou a subir, pode até ser contraproducente.

Partilho isto como mãe, porque sei bem a angústia que é ver um filho quente, mole e sem energia. Mas às vezes, mais do que combater a febre a todo o custo, precisamos de confiar um bocadinho mais no corpo deles, e respirar fundo.

Força, mamãs. Não estamos sozinhas nisto. 🤍

27/01/2026
24/01/2026
11/01/2026

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