28/03/2026
O medo surge do nada quando estamos mesmo em perigo. É rápido, intenso e desaparece quando o perigo passa. Mas a ansiedade é como um fantasma: está sempre a sussurrar histórias do que pode acontecer, do que poderia ter acontecido, de tudo o que nos poderia correr mal. E o pior? A maior parte dessas histórias nunca acontecem. A ansiedade funciona como um sistema de feedback desregulado. Vai para cima, para cima, e nunca volta a descer sozinha. Porque o nosso cérebro tem um viés para a negatividade. Vemos 15 cachorrinhos e uma cobra, e para onde vai a nossa atenção? Para a cobra. Sempre para o perigo. E esse viés liga-se à nossa capacidade única de contar histórias: “e se acontecer isto? e se aquilo?” - E a nossa mente começa a acreditar que essas histórias são reais.
Mas há um caminho, que não é lutar contra a ansiedade, porque combater o sistema de luta ou fuga com mais luta seria como tentar apagar um incêndio com gasolina. Temos de dizer ao nosso corpo, à nossa mente: “não há perigo neste momento”. Quando conseguimos fazê-lo, vem a curiosidade. Em vez de f**armos presos no medo, podemos perguntar: “o que será isto? O que está a acontecer?” - E isso pode abrir a porta para a criatividade, para a calma, para um novo modo de pensar. A curiosidade é a chave que transforma o pânico em descoberta.