16/05/2022
Espanha planeia legalizar a licença menstrual de 3 dias por mês.
A ideia não é nova, o Japão, Taiwan, Indonésia, Coreia do Sul e Zâmbia já usufruem desta medida.
A secretária de Estado Espanhola para a Igualdade, Ángela Rodriguez, refere que “Não estamos a falar de um leve desconforto, mas sim de sintomas graves como diarreia, fortes dores de cabeça e febre”.
Em Portugal, um estudo de 2011 sobre a dismenorreia (dor uterina por volta do período menstrual – pode ocorrer com a menstruação ou precedê-la em 1 a 3 dias) refere que num universo de 274 adolescentes e jovens adultas, 162 (62,8%) das inquiridas referiram dor menstrual, sendo a dor intensa em 15,1% dos casos.
65,7% das que referem dor, reportaram limitações nas suas atividades diárias relacionadas com a dismenorreia.
Em mais de 50% dos casos, a dor é acompanhada de vómitos, cefaleias, diarreia e fadiga.
8,1% faltaram à escola ou ao trabalho por causa dos sintomas dolorosos.
A dismenorreia foi altamente prevalecente nesta amostra de adolescentes e jovens adultas e constituiu uma causa importante de absentismo.
Portanto a ideia de uma licença menstrual faz todo o sentido… mas quantas de nós temos coragem para ligar ao nosso chefe e dizer que não vamos trabalhar por dores relacionadas com a menstruação? Mais facilmente nos escudamos numa dor de dentes.
Os 8,1% parece-me um número muito baixo, porque na realidade as dores menstruais são muitas vezes desvalorizadas e motivo de vergonha por nós mesmas.
Devemos assumir que o período faz parte de ser mulher e que por vezes este é paralizante e deve ser assumido como tal.