05/03/2026
Vivemos como se fôssemos feitos de aço.
Como se fôssemos imortais.
Corremos atrás de poder, de dinheiro, de reconhecimento.
De coisas que prometem importância.
Medimos a vida em números,
em conquistas,
em bens acumulados.
Construímos identidades à volta do que possuímos
e esquecemos quem realmente somos.
Mas a verdade é que somos frágeis.
Profundamente frágeis e vulneráveis.
Este corpo que hoje anda, trabalha e sonha
é apenas uma breve passagem no tempo.
Às vezes brinco que todos deveríamos, pelo menos uma vez na vida,
acompanhar um médico ou um enfermeiro durante 24 horas num serviço de urgência.
Ou entrar num carro do INEM.
Ou ser bombeiro por um dia.
Se calhar bastariam duas horas a combater um incêndio.
A nossa consciência seria certamente outra.
Porque um dia, inevitavelmente,
o relógio pára para cada um de nós.
E nesse momento
nenhum título nos acompanha.
Nenhuma conta bancária nos protege.
Nenhum objeto atravessa esse limite.
Os bens ficam.
Os cargos ficam.
As coisas ficam.
Nós partimos.
E então torna-se claro
que o que realmente importa
não é aquilo que acumulámos,
mas aquilo que vivemos,
o que partilhámos,
o que oferecemos
e o que recebemos.
Os gestos de bondade.
A compaixão.
As gargalhadas.
Os momentos em que nós,
ou alguém que estava connosco,
se sentiu visto, ouvido, amado.
Porque por trás de toda a ambição humana,
de toda a sede de poder
e de toda a corrida pelo mundo…
existe um desejo simples
e profundamente humano:
amar
e ser amado.
Essa é a maior verdade da nossa existência.
No fim,
quando tudo o resto desaparece,
só o amor permanece.