18/03/2026
Há 2 anos, estava prestes a dar o maior passo da minha vida, até aqui.
No início de março, nesse ano, despedi-me estando efetiva. “Os tempos não estavam fáceis”, “a área era difícil”, “tinha um ordenado certo”, “psicologia não dava dinheiro”. Mas a verdade é que eu não estava feliz e a vida já estava a ser difícil. Terminei o estágio em fevereiro de 2022, comecei a trabalhar em junho, mas percebi que o meu caminho não era aquele. Aguentei e, em janeiro de 2024 enviei a minha carta de despedimento. Abdiquei de poupanças, tive ajuda de pessoas que estavam a meu lado sem as quais não estaria aqui hoje, e lancei-me. No pior cenário, iria trabalhar para onde fosse preciso outra vez. No melhor cenário, passaram 2 anos. Não foi sempre fácil, ainda não é. Mas a vida é assim. Olho para a menina à direita e vejo medo e insegurança, vejo lágrimas e desespero. Olho para a menina de hoje, à esquerda, e continuo a ver medo e insegurança, mas também resiliência, confiança e coragem. É o bom das dificuldades, fazem-nos sair da zona de conforto, ver do que somos capazes. E caraças, somos capazes de muito mais do que pensamos. Costumo brincar e dizer que a nossa mente, muitas vezes, é a nossa pior inimiga. Mas a verdade é que também pode ser a nossa melhor amiga, se a soubermos educar. É fácil desvalorizar o bom, e só ver o mau. É necessário obrigarmo-nos a fazer o oposto, sob o risco de deixarmos de viver. A vida mudou muito nestes 2 anos, e eu mudei com ela. Hoje é um dia melancólico, de maior introspeção, mas é um dia bonito.
É preciso voar mais. Voar, porque no céu não há estradas, não pisamos nem comparamos caminhos.. Costumo dizer que a vida nos molda, mas que temos que nos erguer acima disso e assumir responsabilidade por aquilo que somos, pelo que fazemos, pelo que queremos que seja diferente. É isso que nos define. Daqui a 2 anos, não sei o que será... mas até aqui está a ser bom. Vejo a vida como um carrossel. E, se não o fosse, com tudo o de bom e mau que a isso está associado, talvez fosse mesmo uma valente seca.
Somos só mais uma pessoa. Somos só mais uma espécie. É preciso ir rindo da viagem. E citando o poeta Daniel Faria “Seja o que for, será bom. É tudo.” 🤍