20/12/2025
Nós costumamos pensar que nadar é apenas um exercício cardiovascular para o corpo, mas pesquisas em neurociência e fisiologia mostram que ele também atua como um estímulo poderoso para o cérebro.
Estudos sobre hemodinâmica cerebral durante exercícios em imersão indicam que a água possui um fator físico único: a pressão hidrostática. Ao entrar na água, essa pressão comprime suavemente os vasos sanguíneos periféricos, favorecendo o retorno venoso e aumentando o volume de sangue direcionado ao cérebro, quando comparado a exercícios realizados em terra.
Esse aumento do fluxo sanguíneo cerebral signif**a mais oxigênio e nutrientes para os neurônios, o que está associado a melhor desempenho cognitivo e maior resistência ao estresse mental.
Além disso, o padrão rítmico e repetitivo das braçadas, aliado à respiração controlada, ativa o sistema nervoso parassimpático, induzindo um estado semelhante à meditação profunda. Pesquisas clássicas em neurociência do exercício mostram que esse tipo de atividade estimula a liberação de BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro) uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios, plasticidade sináptica e memória.
O BDNF é frequentemente descrito como um verdadeiro “fertilizante cerebral”, pois ajuda a reparar circuitos neuronais afetados pelo estresse crônico e pelo envelhecimento cognitivo.
A imersão em água também está associada à redução rápida da atividade do eixo do estresse, promovendo liberação de serotonina e endorfinas, neurotransmissores ligados ao humor, bem-estar e clareza mental, como destacado em revisões da Harvard Medical School sobre exercício e cérebro.
Não é apenas atividade física.
Para o cérebro, nadar funciona como um “reboot biológico”: melhora o humor, reduz a sobrecarga mental e ajuda a restaurar a clareza cognitiva quando a mente está cansada ou bloqueada.
Às vezes, a mente não precisa de mais esforço, precisa de água.
📚 Fontes:
Carter et al., Journal of Physiology (2014)
DOI: 10.1113/jphysiol.2014.273912
Cotman CW, Berchtold NC, Trends in Neurosciences (2002)
DOI: 10.1016/S0166-2236(02)02131-4
Erickson et al., Neurobiology of Aging (2011)
DOI: 10.1016/j.neurobiolaging.2010.10.002