20/04/2026
Nem todo o vazio é igual, embora por fora possa parecer só algo difícil de nomear. Podemos observar vários tipos de vazio com origens e funções diferentes.
O vazio não é só ausência, é também linguagem ou uma forma que o nosso mundo emocional arranja para nos dizer onde está a ferida. Ele diz onde algo falta, mas também onde algo quer nascer ou manifestar-se. E muitas vezes, diferentes vazios coexistem.
Diferentes autores foram tocando partes deste sentir a partir de ângulos distintos:
Na Psicologia Existencial, Viktor Frankl fala do “vazio existencial” quando falta sentido, surgindo tédio, apatia e desorientação. Irvin Yalom trabalha os “dados da existência”: morte, liberdade, isolamento e falta de sentido.
No caso do vazio emocional, Bessel van der Kolk descreve o numbing no trauma (o corpo “desliga”), Stephen Porges na Teoria Polivagal fala de estados de shutdown ou de ausência de emoção como resposta de sobrevivência.
No vazio relacional, John Bowlby traz-nos a Teoria do Apego (principalmente a falta de apego seguro) e Donald Winnicott a falha no ambiente suficientemente bom e ausência de ligação emocional segura.
O vazio identitário surge com Erik Erikson e as crises de identidade nas várias etapas de desenvolvimento ao longo da vida. Carl Rogers traz-nos a incongruência entre self real e self ideal.
No vazio traumático (profundo, sem forma) fala-nos Gabor Maté, ou o vazio como resultado de desconexão precoce e Peter Levine no Somatic Experiencing (trauma alojado no corpo).
O vazio dopaminérgico ou contemporâneo pode ser visto ou lido através de Anna Lembke (Dopamine Nation), Johann Hari (Stolen Focus) e
Byung-Chul Han (A Sociedade do Cansaço). Aqui o vazio vem do excesso e não da falta.
No vazio espiritual, Carl Jung fala na perda de ligação ao Self e Eckhart Tolle no vazio como porta para a presença (que é uma das minhas abordagens preferidas e leituras essenciais).
Nenhum destes autores diz exatamente: “existem 7 tipos de vazio”. Esta leitura é uma integração contemporânea sobre o tema, que aparece em abordagens integrativas atuais, como a terapia informada pelo trauma, abordagens somáticas, psicologia integrativa e contemporânea.