Paula Chocalhinho

Paula Chocalhinho Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Paula Chocalhinho, Psicólogo/a, Largo do Campo da Feira nº 22, Faro.

🎓 Psicologia Clínica
⏳️Hipnoterapia
👨‍👩‍👧‍👦Constelações Familiares
🧠Psicossomática
❤️‍🩹 Regulação Emocional
👧Trabalho com a Criança Interior
🥰 Autoaceitação e Autocompaixão
📑 Cursos, aulas e workshops

O que é o defalt mode? No fundo é o modo de ameaça em que quase todos nós vivemos a maior parte do tempo - o famoso modo...
26/01/2026

O que é o defalt mode? No fundo é o modo de ameaça em que quase todos nós vivemos a maior parte do tempo - o famoso modo de luta ou de fuga ou estado basal de ameaça: um sistema nervoso constantemente orientado para a expetativa do aparecimento de problemas, como os resolver ou fugir deles, ou colapso, como se o perigo fosse permanente.

Antes de sair deste modo é preciso compreender: a maior parte das pessoas não está ansiosa por fragilidade pessoal, mas por excesso de estimulação e insegurança estrutural. Contextualizemos: vivemos com hiperexposição a notícias ameaçadoras, precariedade económica e relacional, atividade constante, comparação social contínua, ausência de rituais de descarga e de repouso reparadores. Nestas condições, o sistema nervoso aprendeu que não há pausa segura. Logo, não desliga.

O erro comum é tentar “acalmar a mente”. Enquanto o corpo se sente em ameaça, apesar de não estar, vai fazer com que a meditação possa falhar, o pensamento positivo irrita e não funciona, e a racionalização não chega. O "está tudo bem" repetido não resulta. Porquê? Porque a saída é sempre corporal primeiro. A mente segue o corpo, não o contrário.

Porque parece estar toda a gente assim?

Estamos a viver uma era de hiperameaça simbólica sem tempo de digestão emocional, com sistemas de recompensa viciantes e laços humanos cada vez mais frágeis. O corpo reage antes da consciência. Estamos a assistir a uma patologização do corpo que está a reagir a um mundo desregulado. Talvez a pergunta não seja apenas “Como sair do modo luta ou fuga?”, mas também “Que mundo estamos a criar que exige este estado permanente?”

Como tal, se não podes mudar o mundo lá fora, muda as condições em que vives internamente: presta atenção às tuas palavras e narrativa interna. Escolhe com quem te relacionas de forma inteligente. Revê os teus hábitos. Ouve e respeita as tuas necessidades físicas e emocionais. Cuida das tuas emoções e do teu espaço mental, decide o que permanece nesse espaço ou o que tem de se dissipar ou afastar. E, acima de tudo, encontra espaços seguros para ser, desabafar, respirar e repousar.

É a única forma de te regulares quando o mundo lá fora parece caótico.

O cérebro humano foi moldado para sobreviver, não para pensar democraticamente.Quando sentimos insegurança económica, in...
22/01/2026

O cérebro humano foi moldado para sobreviver, não para pensar democraticamente.

Quando sentimos insegurança económica, instabilidade social, perda de referências culturais, ameaça identitária, sensação de descontrolo, aceleração tecnológica, colapso de narrativas antigas, o sistema nervoso entra em modo de ameaça. E em modo de ameaça, o que o cérebro procura? Ordem, clareza, autoridade, respostas simples, um inimigo identificável, um líder forte.

A ambiguidade, a complexidade, o pluralismo e o pensamento crítico são cognitivamente exigentes.
Quando as pessoas estão em sofrimento psicológico, tendem a preferir alguém que mande, alguém que diga o que é certo, alguém que prometa controlo (mesmo que esse controlo seja ilusório).

Muitos países nunca ultrapassaram verdadeiramente o colonialismo, o fascismo, ditaduras, genocídios ou desigualdades estruturais. O trauma coletivo é transmitido. A história não resolvida regressa, pois o trauma tende a repetir-se, idealizar figuras fortes, temer a diferença, procurar ordem e romantizar o passado. “Antigamente é que era bom” é a narrativa traumática clássica.

A democracia é psicologicamente exigente porque exige maturidade: tolerar frustração, aceitar diversidade, conviver com ambiguidade, negociar, aceitar limites, aceitar que não há soluções mágicas. O autoritarismo oferece o oposto: certeza, direção, obediência, simplif**ação, promessa de salvação. É mais fácil para um psiquismo cansado.

Quando uma pessoa está em sofrimento intenso, ela quer respostas rápidas, soluções simples, alguém que diga o que fazer (menos liberdade, não mais). Liberdade exige estrutura interna. Autoritarismo oferece estrutura externa.

Parece estupidez, mas é dor, raiva e medo. É importante dizer isto: as pessoas que aderem a líderes autoritários não são necessariamente ignorantes. Muitas estão assustadas, desiludidas, cansadas, ressentidas, desamparadas. E quando alguém diz: “Eu vou pôr ordem nisto”, alivia.

É caso para dizer: vivemos as condições ideais para que certas ideologias ganhem terreno globalmente, e isso choca com as ideias de progresso que tínhamos como garantidas, e sim, isso é assustador.

O que é que achas desta perspectiva?

Podia dizer que estava na moda ou que era cool ter uma perturbação mental, seja TDAH, Ansiedade Generalizada, Agorafobia...
19/01/2026

Podia dizer que estava na moda ou que era cool ter uma perturbação mental, seja TDAH, Ansiedade Generalizada, Agorafobia, Transtorno Obsessivo Compulsivo, ter o transtorno Antissocial da Personalidade ou Personalidade Borderline, por exemplo. Mas isso iria parecer ofensivo.

Dada a informação que temos disponível em vários canais e a identif**ação com várias personalidades (e com vários sintomas e características), pode parecer apelativo ter um rótulo que apazigue a estranheza que por vezes somos, pensamos e sentimos.

Hoje em dia preferimos ter um diagnóstico e um nome para o que somos, e que explique como funcionamos, do que sermos simplesmente o que somos, apesar das incongruências e peculiaridades. E sim, ajuda bastante perceber que, se de fato tivermos um distúrbio, qual é, como se manifesta e como se trata ou alivia os seus sintomas.

Se dantes ninguém queria imaginar ter um diagnóstico de saúde mental - e, se o tivesse, era com vergonha que o escondia - hoje quase que ostenta esse mesmo diagnóstico com orgulho, como forma de autodefinição: "sou isto", e com "isto" justif**ar o seu comportamento e forma de funcionamento geral.

Atenção, sou psicóloga e ajuda bastante diagnosticar e identif**ar traços patológicos nos clientes, tal como eu própria me defino com uma série de nomes da área da psicologia e de outras correntes mais alternativas que me fazem sentido e encaixam que nem uma luva, portanto também eu padeço desse mal moderno. Mas o que queria chamar à atenção hoje é: se duvidas que podes ter um transtorno, seja ele qual for, deves procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica para confirmar e, se preciso, tratar - seja com terapia seja com alguma medicação que possa ser necessária, temporariamente ou não.

Já ouvi pessoas autodiagnosticarem-se com coisas que me pareceram absurdas e isso limitar a sua experiência porque "tenho um problema, como tal não posso ou não consigo isto ou aquilo". E bem podemos ter um distúrbio de facto, e mesmo assim escondermo-nos atrás desse rótulo e desistirmos de muita coisa, mas não tem de ser assim. Mesmo com patologia há muita coisa que pode - e deve - de mudar.

Procura ajuda se estás em sofrimento e dúvida ❤️‍🩹

Seguimos com aprendizagens importantes para levar para a vida 🌟
16/01/2026

Seguimos com aprendizagens importantes para levar para a vida 🌟

Vai mesmo assim, curto e grosso.Concordam?Acrescentariam alguma coisa a esta lista?
12/01/2026

Vai mesmo assim, curto e grosso.

Concordam?

Acrescentariam alguma coisa a esta lista?

Diz que 2026 é um ano de fogo que pede verdade e autenticidade. E sabem que por aqui, por norma, digo tudo com luvas que...
08/01/2026

Diz que 2026 é um ano de fogo que pede verdade e autenticidade. E sabem que por aqui, por norma, digo tudo com luvas que se é coisa que não gosto é de polémicas, ofender ou ferir as susceptibilidades de alguém. Mas este tinha de ser.

É difícil ver o transe em que muitas mulheres estão sobre certas pessoas que nunca vão ser o que elas querem ou merecem. Transe, obsessão ou mesmo negação da realidade. Vivem numa compulsão pela repetição de padrões de relacionamento obsoletos como o da salvadora, o da inocente, o da traída ou abandonada. Escolhem, consistentemente, este tipo de pessoas para terem o tão almejado final feliz, mas esse final feliz só vem com quem está na mesma página, disponível e investido - não temporariamente ou intermitentemente, isso qualquer um pode fazer - está na tua vida para f**ar e fazer acontecer, não sai ou desaparece em cada contratempo.

Vejo também muitas mulheres que se questionam sobre o que podem fazer mais para que ele fique ou mude - mas que forma de sacrifício é esta? Uma baseada em valores arcaicos de que a mulher faz ou muda o homem. Alguma vez alguém conseguiu isso?

Temos de ser inteligentes e assumir certas derrotas e aprender a desistir de causas perdidas. Há mulheres que levam muitos meses ou anos a tentarem que sim, que seja possível sem qualquer comportamento, atitude ou compromisso da outra parte, alimentando-se de migalhas. Migalhas nunca foram uma refeição completa. Andas desnutrida e fraca por quem nem faz o esforço correspondente.

Por isso, visto seguirmos para uma nova época ou era, deixa para trás também esse teu modelo contraproducente que até agora nunca te trouxe resultados satisfatórios. Tens sim, direito a atirar a toalha ao chão, desistir, virar as costas, ir embora. Não estás a abandonar o outro porque o outro não é teu filho nem tua responsabilidade. Estás a escolher outro modelo, outro padrão - aquele que te faz bem, respeita e f**a. Esse sim, é quem deves perseguir e manter.

Manda este post para aquela amiga que nunca parece aprender e nunca desiste de uma causa perdida ❤️‍🩹

Para início de ano, quero começar com este tema. No outro dia falava com uma cliente de longa data que, aplicando todas ...
05/01/2026

Para início de ano, quero começar com este tema.

No outro dia falava com uma cliente de longa data que, aplicando todas as estratégias ensinadas e encontrando outras pelo caminho, pela dedicação que teve no seu processo de melhoria e recuperação de um quadro de ansiedade generalizada e agorafobia, que acabava por agravar e precipitar crises de intestino irritável e, posteriormente, um síndrome vertiginoso - está agora num processo de follow up e prevenção de recaídas.

É incrível ver os resultados quando a pessoa se empenha mesmo no processo e aplica as recomendações fora da terapia, pelo tempo necessário até a mudança poder acontecer - e esse tempo podem mesmo ser anos, principalmente quando o problema tem uma vida. Só assim pode funcionar o trabalho que fazemos. Mas isto para dizer que ensinamos muito técnicas e estratégias para regular o campo emocional, reduzir stress e ansiedade e criar um estado de segurança interna. Após esta aprendizagem e conquista, como em tudo, há que manter.

Então a mensagem que gostaria de deixar hoje é esta: se não estão em modo de segurança a maior parte do tempo, signif**a que estão em modo de luta ou de fuga, ou então colapso. São os três modos do nosso sistema nervoso. E eu bem sei que 90% do tempo e da população estará maioritariamente no modo de luta ou fuga, entrando ou estando em risco de entrar no modo colapso (burnout). Neste caso, e sei que fomos programados consistentemente para estar no modo luta ou fuga - estado de alerta constante, medo de falhar, ansiedade antecipatória, etc. - a grande conquista nos tempos que correm com o conhecimento que temos hoje, é mesmo sairmos desse "default mode" e irmos para um que é criado conscientemente: o modo de segurança interna.

Não é algo que aconteça naturalmente - só quando os astros se alinham e temos a vida mais ou menos organizada e tranquila - mas mal de nós dependermos só das circunstâncias externas para estar bem, pois nem sempre temos a vida em ordem. A ideia é a segurança vir, primordialmente, de dentro.

Sei que não o conseguimos fazer sem treino, e é isso que vos proponho: se esse estado vos foge e não sabem como criá-lo, pois muitos nunca nem lá estiveram, que aprendam a criá-lo e, depois a mantê-lo. Isso é, em essência, aquilo que mais precisamos de fazer pela nossa saúde mental e o que nós, psicólogos ou psicoterapeutas, temos como objetivo: não só ensino de estratégias de regulação emocional e trabalhar nas causas dos padrões disfuncionais, mas também ajudar a criar e a manter este estado.

BALANÇO DO ANO Sei que muitos vocês não gostam de o fazer, principalmente para não se desiludirem ou frustrarem com o qu...
31/12/2025

BALANÇO DO ANO

Sei que muitos vocês não gostam de o fazer, principalmente para não se desiludirem ou frustrarem com o que não conseguiram alcançar ou fazer de alguma forma. E muitas pessoas também não definem objetivos para o novo ano exatamente pelo mesmo motivo com a desculpa do "Ah novo ano, mesma coisa. Nada muda". E é verdade, cabe-nos a nós mudar só que dá muito trabalho. Cada um vive como quer e faz como pode. Eu cá, pessoalmente, gosto de estabelecer objetivos e cumpri-los. De forma realista e sustentada no tempo.

Este foi o ano em que consegui fazer as pazes com a comida e regular melhor o meu apetite, perder e manter o peso e os bons hábitos. E posso dizer: ALELUIA, custou mas foi. Encontrei a fórmula que funciona para mim, depois de muitas consultas, experiências e tentativas. Sinto que finalmente estou equilibrada a esse nível. Também foi o ano que lancei o curso de Autoaceitação Radical e a Academia C(A)LMA, que quero voltar a lançar para o próximo ano e que resume os ensinamentos e treinos que faço nas minhas consultas.

Fiz muitas coisas em termos profissionais até Maio, nomeadamente algumas que não chegaram a ir para a frente, parcerias e atividades que pensei em realizar, mas é mesmo assim. Tentativa e erro e há coisas que florescem e outras que não. Para além do mais, tudo isso requer muito de nós e nem sempre temos a energia e a capacidade para estar sempre na produção e tive de, mais uma vez e cada vez mais, aprender a respeitar e aceitar os meus ritmos e velocidade, que muitas vezes é parada paradinha e durante muito tempo.

Tinha planeado lançar em Setembro um curso que estou a preparar desde 2020/21 mas não estive com a disposição nem energia certas para o fazer, considerando que é o segundo ano consecutivo em que me sinto exausta no segundo semestre. De formas diferentes em cada ano, mas tem sido assim e, acima de tudo, este foi o ano em que aprendi a simplif**ar em todos os aspectos e ir apenas ao que é essencial, a todos os níveis, respeitando o que é e o que é possível sem grande frustração.

E é isto pessoas, de forma muito resumida. Muito trabalho de desenvolvimento pessoal sempre, partindo pedra, questionando-me, fazendo terapia consistentemente, acolhendo dores, gerindo expectativas e tomando decisões a cada momento. E para 2026 não sei bem o que dizer porque na verdade sinto-me num renascimento qualquer que não envolve grandes palavras nem grande cognição. Quero apenas ser e fazer o que tenho de ser e fazer, dum lugar de Alma e Presença como tanto falo aqui e ir vivendo, fazendo e aprendendo da melhor forma possível, apresentando aqui e partilhando convosco o que consigo 🤍

Nesta fase entre o Natal e o Ano Novo, muitas pessoas sentem uma pressão silenciosa para avaliar, agradecer, aprender, f...
29/12/2025

Nesta fase entre o Natal e o Ano Novo, muitas pessoas sentem uma pressão silenciosa para avaliar, agradecer, aprender, fechar ciclos e entrar melhor no novo ano e fazer aquilo que não foi feito ou conseguido até então.

Culturalmente, o fim do ano é vivido como:

▶️Um balanço obrigatório.
▶️Uma narrativa coerente (“o que aprendi”, “o que ficou para trás”).
▶️Uma promessa implícita de renovação.

Do ponto de vista psicológico, isto pode tornar-se problemático porque:

〽️ A vida psíquica não é linear
🗓 Muitos processos emocionais não obedecem ao calendário
📝 O sofrimento não se resolve por decreto simbólico
😪 Há pessoas que chegam a dezembro exaustas, não transformadas

O que é o positivismo tóxico nesta altura?

Quando se invalida ou tenta minimizar a dor "porque tudo é aprendizagem e lições a aprender" e se quer sair rapidamente das situações, emoções ou sentimentos difíceis, fazendo fuga para a frente, usando-se frases como:

“Tudo acontece por uma razão”

“Agora é virar a página”

“Tenho de entrar em 2026 com outra energia”

Na verdade, nem toda a dor vem com ensinamento imediato ou com ensinamento que seja a não ser acolher o que é difícil e, por vezes, incompreensível e até inultrapassável.

Clinicamente, esta filosofia pode gerar:

❤️‍🩹 Invalidação emocional
❤️‍🩹 Culpa por ainda doer
❤️‍🩹 Vergonha por “não ter aprendido nada”
❤️‍🩹 Sensação de falha pessoal

Encerrar vs. sobreviver:

Encerrar implica elaboração, simbolização, integração. Sobreviver implica apenas continuar vivo/a, funcional, inteiro/a. Há anos que pedem sobrevivência, não evolução e força.

Quando o ano termina mas o processo não:

Muitas pessoas entram no novo ano com luto não elaborado, burnout ativo, relações ambíguas e sintomas ainda presentes. Forçar o fecho pode ser uma forma de evitamento emocional, não de saúde mental. Na verdade, algumas coisas não se fecham, acompanham-nos e passam a fazer parte de nós.

Como tal, e como sempre, sejam gentis convosco e, se possível, com os outros também. A vida é um processo e uma jornada contínua, não conseguimos fazer resets como gostaríamos. Temos de ir cuidando e sentindo o que há para sentir, fazendo apenas o que é possível e realista.

Muitas pessoas não sabem explicar porque é que esta época as desorganiza e angustia. Sentem apenas um aperto, irritabili...
23/12/2025

Muitas pessoas não sabem explicar porque é que esta época as desorganiza e angustia. Sentem apenas um aperto, irritabilidade, tristeza difusa ou vontade de se isolar. Pode estar relacionado com questões emocionais e feridas antigas.

Vamos então aprofundar este tópico:

Porque é que o Natal ativa feridas emocionais?

O Natal não é apenas uma data, é uma espécie de arquivo emocional. Ele evoca cheiros, músicas, rotinas antigas, frases familiares e lugares da infância. Tudo isto atua como gatilho mnésico e sensorial, ativando memórias implícitas, muitas delas pré-verbais. O corpo lembra-se antes da mente. Por isso, muitas pessoas dizem: “Não sei porquê, mas fico diferente no Natal.”

A criança interior não é só a parte doce. Na cultura popular, a ideia de criança interior é vista como leve, brincalhona e espontânea. Contudo, em termos das feridas emocionais e do trabalho terapêutico que fazemos, ela também contém:

❤️‍🩹A criança que se sentiu só.
❤️‍🩹A criança que teve de amadurecer cedo.
❤️‍🩹A criança que se adaptou para não perder amor.
❤️‍🩹A criança que não foi vista e não se sentiu aceite.

O Natal pode reativar exatamente estas partes.

🪞Natal como espelho das faltas

Para quem teve pais emocionalmente indisponíveis, conflito familiar crónico, ausência de proteção e excesso de responsabilidade precoce, o Natal funciona como um espelho do que não foi vivido, do que não pôde ser pedido e do que ficou suspenso. Todos estes sentimentos e sensações recalcadas vêm ao de cima e tomamos contacto com elas sem saber o que lhes fazer.

💭Idealização vs. memória emocional

O Natal é carregado de uma narrativa idealizada: família unida, mesa farta, crianças felizes, adultos protetores. Quando a memória emocional não coincide com este ideal, surge dissonância, vergonha (“eu devia gostar disto”), sentimento de defeito pessoal.

🙅‍♂️Regressão emocional: adultos com atitudes infantis

Nesta época, muitos adultos f**am mais sensíveis à crítica, reagem de forma desproporcional, sentem-se invisíveis ou excluídos, têm vontade de fugir ou fechar-se. Acaba por ser um fenómeno de regressão emocional contextual em que o sistema nervoso regressa a estados e modos antigos de sobrevivência.

O Natal não ativa apenas memórias felizes. Para muitas pessoas, ativa a criança que teve de se adaptar para sobreviver. Como tal, e percebendo isto, devemos ser gentis conosco e procurar ajuda caso seja difícil o convívio com a família e enfrentar esta época.

Luto, perdas e separações são, no Natal, um dos territórios emocionais mais silenciosos e mais dolorosos. Porque é que o...
22/12/2025

Luto, perdas e separações são, no Natal, um dos territórios emocionais mais silenciosos e mais dolorosos.

Porque é que o Natal agrava o luto?

O Natal não é apenas uma data: é um marcador relacional. Ele evidencia ausências. Ativa a cadeira vazia, o lugar que já não é ocupado, os rituais que deixam de existir, o “já não é como dantes”. No luto, não se sofre só pela pessoa perdida, mas pela perda do futuro imaginado com ela. No Natal, a ausência ganha forma, volume e intensidade.

Luto não é só a ausência de alguém por motivos de falecimento. Nesta época, muitas pessoas vivem lutos não reconhecidos socialmente como separações e divórcios, rupturas familiares, infertilidade ou perda gestacional, perda de saúde, perda de projetos, casas, papéis identitários, etc. O sofrimento é real, mesmo quando ninguém morreu.

Pressões externas e frases que se usam que agravam o sofrimento:

“Tens de ser forte”
“A vida continua”
“Pelo menos tens saúde”
"Há situações piores ou pessoas a passar por algo bem mais difícil"

Estas frases invalidam a dor, apressam o processo e isolam ainda mais. Neste caso, o luto não precisa de ser corrigido. Precisa de ser acompanhado e validado. Devemos ter compaixão e não usar frases feitas, mas perguntar como é que o outro está e ouvir sem julgamento e sem atirar soluções rápidas.

O que também não ajuda é forçar gratidão, evitar o tema a todo o custo, tentar “animar” a pessoa e exigir presença social. A alegria dos outros não é uma obrigação para quem está em luto.

Frases terapêuticas que podes antes usar, para outros que estejam a passar por uma situação de perda e luto, ou para ti mesmo/a:

“Podes sentir falta e ainda assim continuar.”

“A tua dor não estraga o Natal.”

“Fazer por sobreviver, por agora, já é muito.”

“Honrar a ausência também é uma forma de amor.”

“Não tens de apressar o luto. Toma o teu tempo.”

Endereço

Largo Do Campo Da Feira Nº 22
Faro
8000-131

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