Paula Chocalhinho

Paula Chocalhinho Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Paula Chocalhinho, Psicólogo/a, Largo do Campo da Feira nº 22, Faro.

🎓 Psicologia Clínica
⏳️Hipnoterapia
👨‍👩‍👧‍👦Constelações Familiares
🧠Psicossomática
❤️‍🩹 Regulação Emocional
👧Trabalho com a Criança Interior
🥰 Autoaceitação e Autocompaixão
📑 Cursos, aulas e workshops

Nesta fase entre o Natal e o Ano Novo, muitas pessoas sentem uma pressão silenciosa para avaliar, agradecer, aprender, f...
29/12/2025

Nesta fase entre o Natal e o Ano Novo, muitas pessoas sentem uma pressão silenciosa para avaliar, agradecer, aprender, fechar ciclos e entrar melhor no novo ano e fazer aquilo que não foi feito ou conseguido até então.

Culturalmente, o fim do ano é vivido como:

▶️Um balanço obrigatório.
▶️Uma narrativa coerente (“o que aprendi”, “o que ficou para trás”).
▶️Uma promessa implícita de renovação.

Do ponto de vista psicológico, isto pode tornar-se problemático porque:

〽️ A vida psíquica não é linear
🗓 Muitos processos emocionais não obedecem ao calendário
📝 O sofrimento não se resolve por decreto simbólico
😪 Há pessoas que chegam a dezembro exaustas, não transformadas

O que é o positivismo tóxico nesta altura?

Quando se invalida ou tenta minimizar a dor "porque tudo é aprendizagem e lições a aprender" e se quer sair rapidamente das situações, emoções ou sentimentos difíceis, fazendo fuga para a frente, usando-se frases como:

“Tudo acontece por uma razão”

“Agora é virar a página”

“Tenho de entrar em 2026 com outra energia”

Na verdade, nem toda a dor vem com ensinamento imediato ou com ensinamento que seja a não ser acolher o que é difícil e, por vezes, incompreensível e até inultrapassável.

Clinicamente, esta filosofia pode gerar:

❤️‍🩹 Invalidação emocional
❤️‍🩹 Culpa por ainda doer
❤️‍🩹 Vergonha por “não ter aprendido nada”
❤️‍🩹 Sensação de falha pessoal

Encerrar vs. sobreviver:

Encerrar implica elaboração, simbolização, integração. Sobreviver implica apenas continuar vivo/a, funcional, inteiro/a. Há anos que pedem sobrevivência, não evolução e força.

Quando o ano termina mas o processo não:

Muitas pessoas entram no novo ano com luto não elaborado, burnout ativo, relações ambíguas e sintomas ainda presentes. Forçar o fecho pode ser uma forma de evitamento emocional, não de saúde mental. Na verdade, algumas coisas não se fecham, acompanham-nos e passam a fazer parte de nós.

Como tal, e como sempre, sejam gentis convosco e, se possível, com os outros também. A vida é um processo e uma jornada contínua, não conseguimos fazer resets como gostaríamos. Temos de ir cuidando e sentindo o que há para sentir, fazendo apenas o que é possível e realista.

Muitas pessoas não sabem explicar porque é que esta época as desorganiza e angustia. Sentem apenas um aperto, irritabili...
23/12/2025

Muitas pessoas não sabem explicar porque é que esta época as desorganiza e angustia. Sentem apenas um aperto, irritabilidade, tristeza difusa ou vontade de se isolar. Pode estar relacionado com questões emocionais e feridas antigas.

Vamos então aprofundar este tópico:

Porque é que o Natal ativa feridas emocionais?

O Natal não é apenas uma data, é uma espécie de arquivo emocional. Ele evoca cheiros, músicas, rotinas antigas, frases familiares e lugares da infância. Tudo isto atua como gatilho mnésico e sensorial, ativando memórias implícitas, muitas delas pré-verbais. O corpo lembra-se antes da mente. Por isso, muitas pessoas dizem: “Não sei porquê, mas fico diferente no Natal.”

A criança interior não é só a parte doce. Na cultura popular, a ideia de criança interior é vista como leve, brincalhona e espontânea. Contudo, em termos das feridas emocionais e do trabalho terapêutico que fazemos, ela também contém:

❤️‍🩹A criança que se sentiu só.
❤️‍🩹A criança que teve de amadurecer cedo.
❤️‍🩹A criança que se adaptou para não perder amor.
❤️‍🩹A criança que não foi vista e não se sentiu aceite.

O Natal pode reativar exatamente estas partes.

🪞Natal como espelho das faltas

Para quem teve pais emocionalmente indisponíveis, conflito familiar crónico, ausência de proteção e excesso de responsabilidade precoce, o Natal funciona como um espelho do que não foi vivido, do que não pôde ser pedido e do que ficou suspenso. Todos estes sentimentos e sensações recalcadas vêm ao de cima e tomamos contacto com elas sem saber o que lhes fazer.

💭Idealização vs. memória emocional

O Natal é carregado de uma narrativa idealizada: família unida, mesa farta, crianças felizes, adultos protetores. Quando a memória emocional não coincide com este ideal, surge dissonância, vergonha (“eu devia gostar disto”), sentimento de defeito pessoal.

🙅‍♂️Regressão emocional: adultos com atitudes infantis

Nesta época, muitos adultos f**am mais sensíveis à crítica, reagem de forma desproporcional, sentem-se invisíveis ou excluídos, têm vontade de fugir ou fechar-se. Acaba por ser um fenómeno de regressão emocional contextual em que o sistema nervoso regressa a estados e modos antigos de sobrevivência.

O Natal não ativa apenas memórias felizes. Para muitas pessoas, ativa a criança que teve de se adaptar para sobreviver. Como tal, e percebendo isto, devemos ser gentis conosco e procurar ajuda caso seja difícil o convívio com a família e enfrentar esta época.

Luto, perdas e separações são, no Natal, um dos territórios emocionais mais silenciosos e mais dolorosos. Porque é que o...
22/12/2025

Luto, perdas e separações são, no Natal, um dos territórios emocionais mais silenciosos e mais dolorosos.

Porque é que o Natal agrava o luto?

O Natal não é apenas uma data: é um marcador relacional. Ele evidencia ausências. Ativa a cadeira vazia, o lugar que já não é ocupado, os rituais que deixam de existir, o “já não é como dantes”. No luto, não se sofre só pela pessoa perdida, mas pela perda do futuro imaginado com ela. No Natal, a ausência ganha forma, volume e intensidade.

Luto não é só a ausência de alguém por motivos de falecimento. Nesta época, muitas pessoas vivem lutos não reconhecidos socialmente como separações e divórcios, rupturas familiares, infertilidade ou perda gestacional, perda de saúde, perda de projetos, casas, papéis identitários, etc. O sofrimento é real, mesmo quando ninguém morreu.

Pressões externas e frases que se usam que agravam o sofrimento:

“Tens de ser forte”
“A vida continua”
“Pelo menos tens saúde”
"Há situações piores ou pessoas a passar por algo bem mais difícil"

Estas frases invalidam a dor, apressam o processo e isolam ainda mais. Neste caso, o luto não precisa de ser corrigido. Precisa de ser acompanhado e validado. Devemos ter compaixão e não usar frases feitas, mas perguntar como é que o outro está e ouvir sem julgamento e sem atirar soluções rápidas.

O que também não ajuda é forçar gratidão, evitar o tema a todo o custo, tentar “animar” a pessoa e exigir presença social. A alegria dos outros não é uma obrigação para quem está em luto.

Frases terapêuticas que podes antes usar, para outros que estejam a passar por uma situação de perda e luto, ou para ti mesmo/a:

“Podes sentir falta e ainda assim continuar.”

“A tua dor não estraga o Natal.”

“Fazer por sobreviver, por agora, já é muito.”

“Honrar a ausência também é uma forma de amor.”

“Não tens de apressar o luto. Toma o teu tempo.”

Nesta época, ativam-se três forças psicológicas muito fortes:1. Idealização da famíliaO Natal carrega a fantasia de uniã...
18/12/2025

Nesta época, ativam-se três forças psicológicas muito fortes:

1. Idealização da família

O Natal carrega a fantasia de união, harmonia e reconciliação. Colocar limites é vivido internamente como quebrar o mito. Podemos pensar: “Se eu me afastar, sou a pessoa que estraga o Natal.”

2. Regressão emocional

Mesmo adultos, regressamos a papéis antigos:

O filho que tem de agradar
O mediador
O cuidador emocional
O invisível

Nestes estados regressivos, dizer “não” parece perigoso, mesmo quando já não o é.

3. Culpa transgeracional

Muitas famílias funcionam à base de:

- Lealdade silenciosa
- Sacrifício emocional
- Pensamento de: “sempre foi assim e assim tem de continuar a ser - é a tradição e tem de ser cumprida”

Colocar limites ativa medo de exclusão e culpa profunda, que não é racional. Limites não são rejeição mas são vividos como tal.

Um dos dilemas centrais do Natal é este: cuidar de mim vs. não magoar os outros.

Aqui é importante perceber que:

- Limite é diferente de castigo
- Limite é diferente de abandono
- Limite é diferente de desamor

Contudo, emocionalmente, o sistema nervoso interpreta como: “Se eu me proteger, disser não ou colocar limites vou deixar de pertencer.”

Sabemos que não é verdade, logicamente, apesar de sentirmos como tal (inconsciente).

Como tal, este pode ser o ano que queres e podes fazer diferente, ou não. Tu decides: participar como sempre e da mesma forma, mudares o teu posicionamento e a tua dinâmica com os outros, ou ajustares a tua atitude para que possas passar esta quadra da forma mais tranquila possível.

No Natal, há um conjunto muito específico de tensões psicológicas e emocionais que se intensif**am, mesmo em pessoas que...
15/12/2025

No Natal, há um conjunto muito específico de tensões psicológicas e emocionais que se intensif**am, mesmo em pessoas que, ao longo do ano, se sentem relativamente equilibradas. Esta época funciona como uma espécie de amplif**ador: tudo o que está bem f**a mais luminoso, tudo o que está frágil f**a mais visível.

Aqui estão as questões mais comuns:

1. Pressão para estar bem

A ideia de que o Natal tem de ser feliz e cheio de harmonia cria uma norma emocional artificial. Muitas pessoas sentem culpa por não corresponder ao espírito natalício.

2. Sobrecarga mental e exaustão

A acumulação de tarefas, presentes, logística familiar, gastos e obrigações aumenta o stress de forma silenciosa. O corpo f**a em modo de alerta constante.

3. Reativação de dinâmicas familiares difíceis

Na época em que “tem de se estar com a família”, voltam padrões que estavam adormecidos:

– Comparações
– Críticas
– Tensões antigas
– Papéis que a pessoa já ultrapassou

4. Solidão até quando se está acompanhado

Muita gente sente uma solidão profunda por não se sentir vista, compreendida ou encaixada no ambiente familiar.

5. Comparação social

Redes sociais + idealização desta época = sensação de inadequação (“toda a gente tem famílias perfeitas menos eu”).

6. Luto e ausências

O Natal é um marcador temporal fortíssimo.
As ausências, rupturas e perdas f**am mais intensas, mesmo que já tenham anos.

7. Dissonância entre o que se deseja e o que se vive

Pessoas que gostariam de paz, espaço ou calma sentem-se esmagadas por expectativas, convites ou exigências externas.

8. Regressão emocional

O Natal ativa memórias da infância. É comum voltar a sentir-se como a criança dentro do sistema familiar, com as velhas inseguranças e dinâmicas.

9. Pressão financeira e culpa

Gastos excessivos, sensação de não dar o suficiente, ou impossibilidade de acompanhar o ritmo consumista.

10. Isolamento emocional em relações íntimas

Casais podem sentir distanciamento porque cada um vive o Natal de forma diferente: expectativas, rituais, história pessoal. Bem como a questão de cada elemento do casal, por vezes, passar com a sua própria família, havendo distância geográf**a.

E tu, como sentes esta época?

O dating fatigue e a ascensão do "boy sober" é um fenómeno sociocultural que está a tornar-se um movimento global e muda...
12/12/2025

O dating fatigue e a ascensão do "boy sober" é um fenómeno sociocultural que está a tornar-se um movimento global e muda completamente a paisagem dos relacionamentos. As mulheres passaram a decidir:

🙅‍♀️Não entrar em situationships
🙅‍♀️Não investir em homens indisponíveis
🙅‍♀️Não ter s**o desconectado.
🙅‍♀️Não aceitar migalhas emocionais
🙅‍♀️Não embarcar em dinâmicas tóxicas ou confusas.

O que é sobriedade relacional?

É uma desintoxicação de padrões que causam sofrimento. As mulheres estão a decidir f**ar “sóbrias” no sentido de:

1. Recusar a dopamina barata: matches rápidos, s**o casual, validação fugaz, conversas vazias, homens emocionalmente indisponíveis.

2. Reconhecer auto-enganos: perceberam que muitas vezes confundiam química com compatibilidade, intensidade com intimidade, atenção com interesse real e disponibilidade momentânea com comprometimento.

3. Escolher vínculos mais conscientes: a sobriedade aqui é clareza - “Quero relações estáveis, recíprocas e maduras. Não aceito menos.”

4. Redefinir limites: dizer não com mais facilidade, sair cedo de relações ambíguas, proteger a energia emocional, recusar homens que querem benefícios sem compromisso.

Porque é que tantas mulheres estão a aderir a esta sobriedade?

1. Saturação emocional: os apps e a cultura hookup criaram burnout afectivo.

2. Maturidade afectiva: as mulheres, de forma geral, estão mais avançadas emocionalmente do que muitos homens da mesma faixa etária.

3. Processos de desenvolvimento pessoal: as mulheres têm muito mais vocabulário emocional. Os homens, em média, estão 10 a 15 anos atrás em literacia afectiva.

4. Trauma relacional acumulado: muitas chegam ao limite após ghosting, breadcrumbing, love bombing, indisponibilidade e relações curtas e que não evoluem. A sobriedade aparece então como autoproteção.

E qual é o impacto disto nos homens? Alguns sentem-se desorientados. Outros começam a perceber que têm de aprender intimidade real. E alguns, mesmo que lentamente, começam a crescer emocionalmente para acompanhar estas mulheres. Mas há também uma resistência: homens habituados a acesso fácil a s**o e validação estão a perder privilégios emocionais, e isso gera tensão.

Pode parecer mentira, mas já perdi a conta às pessoas que atendi e atendo que têm relações de várias ordens com pessoas ...
09/12/2025

Pode parecer mentira, mas já perdi a conta às pessoas que atendi e atendo que têm relações de várias ordens com pessoas que apresentam traços ou que têm perfil narcisista. Sejam filhos, pais, mães, irmãos ou irmãs, chefias ou companheiros - principalmente companheiros.

Nunca é fácil ter uma relação com pessoas com este tipo de personalidade: nunca se colocam em causa, o erro e a culpa é sempre do outro, têm pouca empatia e consciência crítica sobre si, projetando os seus defeitos e falhas nos outros e, sempre que se sentem criticados ou alcançados, reagem intempestivamente, discutindo, acusando o outro, distorcendo a conversa ou fazendo o tratamento do silêncio.

Estes perfis são manipuladores e o seu objetivo é terem as suas necessidades satisfeitas, seja a que custo for para o outro (completamente irrelevante para um narcísico), necessidades essas sejam de poder, admiração, atenção, validação, apoio incondicional e incontestável. Sempre que essas necessidades não são atendidas, o narcísico revolta-se, vitimiza-se ou acusa o outro de ser desleal, destratando, criticando ou ofendendo.

Uma pessoa empática e sensível, facilmente se coloca em causa e assume que o erro, de facto, foi seu - numa primeira fase desculpando-se e f**ando mortif**ada por ter causado tal impacto no outro. E nisto podem passar-se anos até perceber que, afinal, o outro exige obediência e correspondência cega, sem nunca considerar a pessoa com quem está.

É neste momento que estas vítimas (porque o narcísico é, em última instância, um agressor psicológico) buscam apoio: como posso melhorar a minha autoestima e como posso fazer o outro perceber o meu lado, compreender e validar o que lhe digo. E a resposta é: não conseguem.

Não vão conseguir que um narcísico concorde com a vossa visão se vai contra aquilo que ele quer acreditar sobre si mesmo - que não tem falhas e é irrepreensível. E se têm uma relação com uma pessoa que é abusiva, agressiva, crítica e que vos manda abaixo, como podem querer ter autoestima nessa relação? Eles, por defeito, não têm a capacidade de respeitar limites ou serem empáticos com a dor do outro com quem têm uma relação de grande proximidade.

Essa autoestima pode ser conquistada através do afastamento dessa dinâmica e do estabelecimento de limites, havendo consequências práticas no desrespeito desses limites. Não há argumentação possível com um narcísico. Nada do que digam vai mudar alguma coisa. O que podem fazer, em última instância, é terminar a relação, ou afastar-se dessa pessoa. Sendo da família, podem escolher ter apenas contacto ocasional e superficial.

No outro dia publiquei uns stories a falar sobre este assunto e suscitou alguma discussão. Quem toma esta medicação muit...
05/12/2025

No outro dia publiquei uns stories a falar sobre este assunto e suscitou alguma discussão. Quem toma esta medicação muitas vezes fá-lo em segrego porque ainda sente muito o estigma e crítica social. Quem quer perder peso, deveria ter força de vontade e fechar a boca, supostamente. Mas já vimos que, no longo prazo, isso não funciona.

Há pessoas que pensam em comida o tempo todo, têm adição ao açúcar e comem compulsivamente. Trata-se de um comportamento aditivo e compulsivo. Como se tratam as adições? Com medicação. Só terapia e reeducação alimentar verif**a-se insuficiente na maior parte dos casos, a longo prazo por uma série de motivos: sim é preciso sustentar bons hábitos de alimentação e prática de exercício físico, mas a maior parte de nós tem empregos em que estamos sentados e parados a maior parte do tempo, há falta de tempo livre, principalmente quem tem filhos e pouca ou nenhuma rede de suporte, há cansaço acumulado e questões emocionais e psicológicas de várias ordens que afetam a adesão a bons hábitos de vida e reforçam a necessidade de compensação através da comida ao final do dia.

Paralelamente temos excesso de exposição e facilidade de aquisição de alimentos calóricos: doces e chocolates, álcool, hidratos e snacks, bem como vivemos numa cultura que gira em torno da comida - convívios familiares recorrentes, jantares e almoços com colegas e amigos regularmente - e sabemos que comemos e bebemos mais quando em grupo.

A própria alimentação, o que comemos e como comemos tem sofrido profundas alterações nas últimas décadas, introduzindo um modelo de refeição pouco equilibrado: metade do prato é proteína e a outra metade é hidratos, sempre com mais sal e gordura do que o recomendado. Sobremesas doces sempre que possível e muitas bebidas açucaradas ou com teor alcóolico. Até o tamanho dos pratos tem vindo a aumentar, e o exercício que fazemos tem vindo a reduzir. Conduzimos para todo o lado e estacionamos à porta onde podemos. Temos elevadores, comemos poucos legumes e pouca fruta. Tornámo-nos adictos à comida porque a comida foi adulterada e contém açúcar e químicos que nos mantêm viciados.

O estilo de vida também se tornou altamente sedentário: deixámos de caminhar, caçar e cultivar (e às vezes até preparar) a própria comida. Estamos sentados o tempo inteiro e a seguir, para fazer algum desporto, temos de ir correr ou levantar pesos para um ginásio cheio de gente de madrugada ou ao final do dia, atrasando o jantar e adiando a hora de dormir ou madrugando e lesando as horas de sono. Onde é que isto pode ser apetecível e sustentável a longo prazo? É possível, mas para uma minoria, que realmente aprecia e consegue manter essa rotina, que envolve também certos traços de personalidade e certas motivações.

Como tal, e perante tudo isto, conseguimos perceber que o excesso de peso é um problema sistémico e multifatorial que não é fácil de tratar só com "força de vontade". Não há força de vontade que resista a todos estes factores. Como tal, sim, sou defensora da toma de medicação para perda de peso, desde que com acompanhamento médico, nutricional e psicológico, como deveria de ser, bem como com a prática sustentada de exercício físico e mudança de hábitos alimentares e de vida. Não é fácil, mas a medicação ajuda bastante a conseguir manter a adesão a um plano destes.

A fadiga emocional em profissionais de saúde é um fenómeno muito comum, e silencioso, que surge quando alguém passa dema...
02/12/2025

A fadiga emocional em profissionais de saúde é um fenómeno muito comum, e silencioso, que surge quando alguém passa demasiado tempo a cuidar dos outros sem ter espaço suficiente para se regenerar.

A fadiga emocional é um esgotamento que acontece quando o sistema emocional f**a sobrecarregado. Não é apenas cansaço físico: é a sensação de se estar vazio por dentro, de não ter mais disponibilidade emocional para dar, mesmo querendo ou precisando.

Nos profissionais de saúde isto aparece porque o trabalho exige:

👂 Empatia constante.

⚠️ Responsabilidade elevada.

🤕 Contacto com sofrimento, incerteza e crise.

🫂 Gestão emocional de outras pessoas.

⏱️ Decisões rápidas e emocionalmente exigentes.

As causas mais comuns:

🪨 Sobrecarga de tarefas.

⌛️ Falta de tempo para pausas.

🚨 Exigência emocional elevada.

🏫 Pressão institucional.

⚡️Baixos recursos e alta responsabilidade.

❤️‍🩹 Falta de contenção e supervisão emocional.

💣 Cultura profissional que normaliza o aguentar tudo.

O que ajuda na prevenção e recuperação?

1. Pausas micro-reguladoras (1–2 minutos)

Respiração, alongamentos, afastar-se do ruído e fazer retiradas estratégicas (pausas para beber água ou tomar um chá).

2. Limites afetivos e temporais

Não signif**a ser-se distante, signif**a reconhecer quando o corpo atinge o limite e reorganizar disponibilidade, criando tempo para si.

3. Supervisão ou espaços de narrativa emocional

Ter espaços e pessoas onde se pode contar o que se vive e o que se sente sem ter de se mostrar forte e capaz o tempo todo.

4. Rotinas que respeitem o corpo

Descanso reparador, mesmo que implique dormir mais, alimentação nutritiva, pequenas caminhadas e contacto com a natureza.

5. Reconectar com o propósito

Perceber-se o que faz sentido hoje: será que devo continuar neste trabalho ou é preciso uma mudança?

6. Terapia e acompanhamento psicológico

Especialmente quando surge apatia, irritabilidade, choro fácil ou dificuldade em desligar após o trabalho.

7. Recuperação somática

Técnicas de grounding, respiração consciente, movimentos lentos e todas as atividades que possam diminuir a hiperactivação do sistema nervoso.

Já experienciaste alguns destes sintomas?

Mankeeping é um termo recentemente utilizado na investigação de género para descrever uma dinâmica emocional e social-re...
25/11/2025

Mankeeping é um termo recentemente utilizado na investigação de género para descrever uma dinâmica emocional e social-relacional em que mulheres, especialmente em relações heterossexuais, assumem uma carga desproporcionada de trabalho invisível e não remunerado para sustentar o bem-estar emocional, social e psicológico dos homens com quem se relacionam.

A palavra faz eco de “kinkeeping” — termo sociológico antigo que se refere ao trabalho de manter laços familiares e sociais, trabalho frequentemente atribuído a mulheres.

Alguns exemplos de comportamentos ou situações que se encaixam no fenómeno:

A mulher é quem organiza, ou assume, a vida social do parceiro: lembra-lhe de telefonar a amigos, planear encontros, manter-se em contacto com o seu círculo social ou insistindo para que haja essa dinâmica.

A mulher é quem, além de lidar com as suas próprias emoções, se torna o principal apoio emocional do parceiro: ouvindo as suas queixas, apoiando e sustentando os seus estados de humor, estando sempre disponível.

A mulher investe tempo, atenção, afeto e consegue pouca ou nenhuma devolução equivalente. A dinâmica torna-se exaustiva e pouco recíproca.

A consequência: esgotamento emocional, ressentimento, sensação de falta de apoio e de estar sozinha e, a longo prazo, desistência das relações tradicionais por parte das mulheres que não querem mais assumir esse papel.

Daí se verif**ar, atualmente, uma tendência crescente nas mulheres que preferem estar sozinhas, sentido que não há homens disponíveis para uma relação de igualdade nos papéis e com maturidade suficiente para serem capazes de lidar emocionalmente com os desafios e dificuldades da relação, sem se esquivarem, tornarem defensivos ou agressivos, ou se remeterem ao silêncio — ou mesmo saírem de cena.

Este termo e assunto ressoa contigo?

Chama-se a isto autoabandono. Não há vazio que não fale de uma ausência, neste caso ausência de nós mesmos/as: habitarmo...
21/11/2025

Chama-se a isto autoabandono. Não há vazio que não fale de uma ausência, neste caso ausência de nós mesmos/as: habitarmos em pleno o nosso corpo, com tudo o que ele inclui - nomeadamente o corpo de dor ou as partes dolorosas que temos também - das quais verdadeiramente fugimos e anestesiamos de várias formas para não sentir.

Hoje não falo do vazio deixado por alguém ou por um animal de estimação, seja por afastamento, separação ou falecimento, mas sim o vazio que muitos/as de vocês sentem que nem sabem de onde vem. Muitas vezes vem da gravidez das nossas mães, que se sentiram muito sozinhas. Ou da infância, de se terem sentido abandonados/as ou com ausência afetiva de mãe, pai e/ou pais, ou porque houve violência e um senso de instabilidade constante, etc.

Independentemente dos motivos, o que é certo é que lidamos muito mal com o desconforto emocional, seja culpa, medo, tristeza, raiva ou mesmo essa sensação de vazio que é tão angustiante para a maior parte de nós. É tão angustiante que tentamos fugir dela da forma que sabemos e conseguimos.

Para muitos é completamente inconsciente essa fuga, que pode ser feita através do trabalho, através do cuidado aos outros ou do contacto constante com outros (estar sempre rodeado/a de pessoas, ou ter sempre programas sociais ou mesmo estar sempre em algum lugar a fazer alguma coisa), ou então através de relacionamentos íntimos: a busca incessante pelo outro.

Não sabemos como habitar o nosso próprio corpo, não sabemos estar em nós e em presença. Temos demasiados pensamentos, sensações, emoções e sentimentos que nos causam dor, frustração ou irritabilidade, e todo o organismo vivo foge do desconforto, quanto mais nós com tanta complexidade e riqueza mental e emocional.

Então a salvação e a cura para esta fuga é só uma: deixarmos de fugir de nós mesmos/as e encararmos as coisas de frente, sem subterfúgios, sem anestésicos (droga, tabaco, álcool, os outros, compras, o que seja), com coragem e compaixão. Somos a nossa eterna companhia, a pessoa com quem vamos viver para o resto da vida, a nossa verdadeira cara metade ou a metade da laranja. Que tal desenvolvermos uma boa relação com essa pessoa que somos nós?

Endereço

Largo Do Campo Da Feira Nº 22
Faro
8000-131

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Segunda-feira 15:00 - 19:30
Terça-feira 11:30 - 13:00
15:00 - 19:30
Quarta-feira 11:30 - 13:00
15:00 - 19:30
Quinta-feira 11:30 - 13:00
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Sexta-feira 10:00 - 13:00
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