07/03/2026
Antes de tentar mudar alguém é preciso estar atento a uma coisa bem simples, mas que muitos evitam: a mudança em si próprio.
Quantas vezes já nos dissemos que vamos mudar qualquer coisa e acabamos por não o fazer. Quantas vezes prometemos a nós próprios tomar uma decisão, romper com uma relação, deixar uma situação, lançar num projecto, cuidar de nós e não o conseguimos. Com certeza que muitas e a grande maioria delas acabou em nada.
E no entanto, desastrosos connosco mesmo, achamos que podemos mudar os outros. Mudar a sua forma de amar, de pensar, de olhar a vida. Vemos o que eles poderiam ser e o seu potencial e acreditamos que se formos suficientemente pacientes e persistentes, suficientemente presentes e compreensivos, suficientemente cuidadores e estimulantes, alguma coisa boa vai acabar por acontecer e a mudança ocorrerá com toda a certeza. Somos assim, crescidos com laivos dum pensamento infantil, que se revela fonte de grande frustração. E não só, pois às vezes, e sobretudo com aqueles que nos são mais próximos e queridos, ao encarar o outro como um projecto nosso colocamos a nossa vida em suspenso porque fazemos do outro condição do nosso próprio movimento de mudança. E enquanto o outro não muda podemos f**ar imóveis, presos no ardil que inconscientemente montamos. Justif**amos a nossa imobilidade com um estamos à espera, que não é o bom momento, que tudo vai correr melhor mais à frente. E sem nos darmos conta os dias e os anos passam e a energia esgota-se. A certa altura damo-nos conta disto e f**amos com a sensação que demos muito e recebemos muito pouco. Que afinal não terá valido a pena.
Mudar não é algo abstrato. É algo de concreto que toca em todo o nosso ser, do corpo à alma. Quando procuramos mesmo mudar é bom estar consciente que no processo vamos tocar em partes de nós que aprenderam a viver assim. As aprendizagens que fizemos e que hoje nos impedem de ser felizes começaram por ser uma forma de nos proteger e que f**am enraizadas no nosso ser. Mudá-las ou desfazermo-nos delas exige consciência, coragem, trabalho e disciplina. É por isso que as pessoas não mudam quando querem, mudam quando sentem que continuar na mesma se torna mais penoso do que mudar.
Não se muda porque alguém nos diz que é necessário. Mudamos quando nos cansamos de andar às voltas e nos sentimos arrastar para um sofrimento sem fim; quando sentimos que não podemos continuar a mentir a nós próprios, quanto tomamos consciência que temos de cuidar de nós. É sempre assim, e é por isso que tentar provocar este clique nos outros é esgotante e frustrante. Mudar os outros é debatemo-nos com algo que não depende de nós, que no processo de chegar ao outro, de analisar, de esperar, de tolerar, acabamos por nos ajustar aos bloqueios do outro, a alinhar a nossa vida em função dos limites do outro. Podemos chamar a isso amor, mas muitas vezes não passa duma maneira de não olhar para o que em nós nos assusta e precisa de ser mudado. É mais fácil focarmo-nos nos problemas dos outros do que nos confrontarmos com as nossas escolhas.
A ironia disto tudo é que são tantas as vezes que queremos que o outro encontre a coragem para dar o passo para a mudança quando nós nos mantemos numa situação que já não nos convém e hesitamos em dar o nosso passo em frente.
O que sei disto tudo, é que com consciência, esperança e amor é possível mudar, ou melhor, é possível despertar e crescer.
Bom dia a todos!
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