30/12/2025
Hoje a ideia era simples: aproveitar um afazer e fazer outros que f**avam perto.
Mas bastou entrar na estrada, para sentir o impacto.
Carros por todo o lado.
Pressa. Ruído. Confusão.
E surgiu-me um pensamento muito claro:
como é que há sempre tanta gente?
como é que isto entope tudo assim?
Não fiz nada do que tinha planeado.
E, curiosamente, não houve frustração.
Houve cansaço… mas não do dia.
Cansaço da densidade.
Pensei em quem trabalha todos os dias e tem de andar na estrada, preso neste ritmo.
E senti uma compaixão profunda.
Porque isto pesa. No corpo. Na mente. Na alma.
Afastei-me da confusão.
E acabei por ir a um lugar que não estava nos planos.
Fui ao cemitério.
Visitar parte da minha família que ali descansa.
No silêncio daquele espaço, algo em mim acalmou.
Sem pressa. Sem estímulos. Sem necessidade de ir a lado nenhum. Ali, o tempo abranda.
E o essencial ganha voz.
Saí de lá e fui desejar um feliz ano novo, pessoalmente, a alguém especial. Um bom amigo. Longe do trânsito. Longe do barulho. Num encontro simples, verdadeiro.
E naquele momento senti, com uma clareza tranquila, o que realmente importa.
Cada vez mais abdico do que é “acessível”. E escolho o que é essencial.
A natureza.
O silêncio.
A presença.
As relações onde o corpo não precisa de se defender.
Talvez seja isto crescer.
Ou talvez seja apenas aprender a escolher melhor onde colocamos a nossa energia.
Hoje não fiz nada do que tinha planeado.
Mas fiz exatamente o que precisava.
Menos ruído fora.
Mais verdade dentro. 🌿
Com amor, verdade e consciência,
Helena Sousa