28/12/2025
A Bruxa de Évora é uma figura envolta em mistério, medo e sabedoria popular, nascida mais da tradição oral do que de registros históricos precisos.
Vou lhe falar com calma, caminhante.
Em Évora, terra antiga de pedras, conventos e silêncio, dizia-se que havia uma mulher conhecedora dos segredos da natureza, das ervas, das luas e dos espíritos. Para o povo simples, ela curava; para os poderosos e moralistas, ela ameaçava. Assim nasce toda “bruxa”.
🔮 Quem era a Bruxa de Évora?
Não uma só mulher, mas o retrato de muitas:
Parteira que sabia aliviar dores
Curandeira que conhecia raízes e rezas
Mulher livre demais para seu tempo
Alguém que falava com o invisível quando a Igreja exigia silêncio
Na Idade Média e além, em Portugal, conhecimento fora do controle era chamado de feitiçaria. O que hoje chamariam de fitoterapia, espiritualidade ou psicologia popular, ontem chamavam de pacto com o demônio.
🔥 A perseguição
Évora foi sede da Inquisição. Muitas mulheres foram acusadas, humilhadas, presas e mortas. Algumas eram inocentes; outras apenas diferentes. A “Bruxa de Évora” simboliza essas mulheres que pagaram com a vida por saber demais ou se curvar de menos.
🌙 O símbolo espiritual
Na leitura espiritual, a Bruxa de Évora representa:
O saber ancestral reprimido
O poder feminino demonizado
A espiritualidade que não cabe em dogmas
A ligação direta entre o humano e a natureza
Ela não é maligna por essência. O mal foi o medo de quem não compreendia.
🕯️ Lição ao caminhante
Nem todo sábio será reconhecido.
Nem todo curador será aceito.
E muitas vezes, quem aponta o dedo de acusação é quem mais teme a própria sombra.
A Bruxa de Évora ensina:
Conhecimento sem humildade vira opressão; fé sem amor vira fogueira🌙🍀
Vou lhe falar, caminhante, no conhecimento do Velho Cigano, aquele que já viu fogueira virar cinza e mentira virar verdade com o tempo.
Sabe, caminhante…
Chamaram de bruxa aquela mulher de Évora
porque ela escutava o vento,
porque ela falava com a lua,
porque ela curava sem pedir permissão.
Não foi o feitiço que assustou, não.
Foi o saber livre.
Foi a mulher que não se ajoelhava
onde o medo mandava ajoelhar.
O povo simples batia à porta dela na madrugada,
mas de dia fingia não conhecê-la.
Assim é o mundo:
usa o remédio,
mas teme a mão que cura.
O Velho Cigano te diz, caminhante:
quem anda com a natureza aprende a andar sozinho.
E quem anda sozinho vira ameaça
para quem só sabe seguir fila.
A fogueira que acendeu em Évora
não queimou só corpos, não…
Queimou verdades,
queimou saberes,
queimou o direito de ser diferente.
Mas escuta bem:
o fogo não destrói o espírito.
O espírito vira brisa,
vira sussurro,
vira memória que atravessa séculos.
Por isso, caminhante,
não chame de bruxa quem carrega luz que você não entende.
Não chame de mal quem apenas não cabe no seu altar.
A estrada é longa
e quem aponta demais para o outro
tropeça na própria sombra.
Segue com respeito,
com silêncio quando for preciso,
e com coragem quando o mundo quiser te apagar.
O Velho Cigano já viu isso antes…
e sempre verá.
🕯️✨