25/04/2026
Sobre lugares onde a relação f**a guardada…
Esta semana voltei à água.💧
E, com esse regresso, voltei também a uma história especial, de um adolescente que acompanhei há muitos anos.
Na altura, num corpo a aprender a encontrar-se e suster-se no mundo, adquirindo a marcha de que alguns duvidaram (mas nunca quem mais importava!)
Esta semana, regressámos juntos à piscina. 🩵
E foi impossível não sentir que, apesar do tempo, de tudo o que mudou, de tudo o que cresceu —
havia ali algo (tanto) que não se perdeu…
A relação.
Na água, isso torna-se ainda mais claro.
O corpo baixa as defesas.
O sistema nervoso encontra mais facilmente equilíbrio.
E ali, mais livres, mais pode acontecer.
E para mim, dentro de água, a tentar ler todas as entrelinhas, o mundo ilumina-se sempre que surge aquele sorriso subtil, doce e malandro.
Trabalhar com crianças e jovens com Perturbação do Espectro do Autismo é, muitas vezes, começar pela regulação.
Antes da comunicação.
Antes da aprendizagem.
Antes de qualquer objetivo mais visível.
E a água ajuda. Muito.
Contém.
Organiza.
Abranda.
E, nesse abrandar, abre espaço para algo essencial: o encontro.
Nem sempre de olhos nos olhos.
Nem sempre da forma que esperamos.
Mas real.
E foi isso que senti, novamente, esta semana.
Que há relações que se constroem no corpo, no ritmo partilhado, na presença que não força — mas que está e que f**a.
E quando essa base existe…
mesmo que o tempo passe,
mesmo que os contextos mudem…
ela continua lá.
À espera de ser reencontrada.
Estou feliz.
Também me reencontrei, apesar de nem nunca me ter perdido.
Estou feliz por seguirmos juntos.
Vamos voltar a gerir desafios “do corpo”,
mas partindo do que mais importa. 🌈