07/12/2025
O ano passado viajei até à Costa Rica. E uma das riquezas de qualquer viagem é termos guias que nos enriqueçam.
Um dos vários episódios que testemunhei foi a forma como se relacionavam as formigas cortadeiras.
As formigas que carregam folhas chamam muito a atenção porque, muitas vezes, é possível ver uma formiga “montada” em cima da folha, como se estivesse ali para guardar ou vigiar.
Esse comportamento não é por acaso: faz parte de uma organização social muito complexa, típica das formigas cortadeiras, que vivem em colónias com divisão de tarefas bem definida.
As formigas cortadeiras não levam as folhas para comer diretamente. Na verdade, elas utilizam esses pedaços de folhas como substrato para cultivar um fungo especial dentro do formigueiro, e é esse fungo que serve de alimento principal para a colónia.
Por isso, o transporte das folhas é um processo essencial para a sobrevivência de todas as formigas do ninho.
Durante esse transporte, algumas formigas sobem em cima das folhas carregadas por outras. A formiga que vai em cima atua como uma espécie de guarda e ajudante, vigiando o caminho e protegendo a companheira que está a carregar a folha. Ela pode morder e afastar pequenos inimigos ou parasitas que tentem atacar durante o trajeto e mesmo infiltrar-se no formigueiro.
Além da defesa, essa formiga “de cima” também contribui para a higiene do material que está a ser levado. O fungo que as formigas cultivam é sensível a microrganismos e contaminantes, por isso é importante que as folhas cheguem ao interior do formigueiro o mais limpas possível.
Esse comportamento mostra como as formigas têm uma vida social altamente organizada, com cooperação e especialização de funções. Enquanto umas cortam as folhas, outras carregam, e outras ainda protegem e cuidam do material transportado.
Aquilo que à primeira vista parece apenas uma fila de insetos com folhas na cabeça é, na verdade, um sistema coletivo muito eficiente para garantir a sobrevivência de todo o formigueiro.
Precisamos de mais formigas cortadeiras no SNS… e que as mesmas sejam devidamente reconhecidas.