26/02/2026
Porque, no fundo, as hormonas protagonistas do ciclo menstrual, estrogénio e progesterona, não servem “só” para regular o ciclo. Elas estão entrelaçadas com o ritmo circadiano - nosso relógio biológico de 24 horas.
E quando essas hormonas começam a flutuar mais (e depois a cair), como acontece na perimenopausa, isso não mexe apenas com o ciclo. Mexe com tudo o que o corpo usa para se orientar no tempo: temperatura, sono, energia, apetite, humor.
Um exemplo muito concreto: os afrontamentos.
O estrogénio é uma das hormonas que ajuda a manter a temperatura corporal mais estável e, em geral, mais “fresca”. Quando ele desce de forma brusca (e desce e sobe como uma montanha-russa nesta fase), o corpo pode entrar naquele mecanismo de “aquecimento” que tantas mulheres reconhecem.
A progesterona, por outro lado, tende a subir ligeiramente a temperatura. E quem já reparou que dorme de forma diferente na fase lútea, ou que sente mais sonolência, sabe do que estou a falar. Só que claro, se a fase pré-menstrual for atormentada por desequilíbrios e sintomas, o sono também pode f**ar afectado pela negativa.
E depois há o resto do sistema endócrino. Porque isto não está isolado.
Estrogénio e progesterona também modulam o metabolismo da glucose e da insulina. E quando estas peças começam a falhar, o efeito “dominó” no corpo é real.
Agora junta a isto as hormonas do ritmo circadiano:
Cortisol, que tem de ter um pico fisiológico de manhã (é a nossa hormona de activação, simplif**ando).
Melatonina, que deveria começar a subir à noite, idealmente a partir das 21h, para induzir sono com qualidade.
Serotonina, que é uma espécie de base do bem-estar e também necessária para que a melatonina funcione como deve ser, para o sono não f**ar hiperfragmentado.
Ou seja: quando perdemos estrogénio e progesterona, perdemos também dois grandes “organizadores temporais”.
Eles regulam ciclos longos (o ciclo menstrual) mas também ajudam a organizar ciclos curtos (as 24 horas).
E é por isso que nesta fase f**amos muito mais vulneráveis à desorganização circadiana.
E, muitas vezes, muitas das queixas que aparecem na (peri)menopausa têm esta camada por trás: o corpo a perder o ritmo.