28/04/2026
Vou ser muito honesta: uma parte enorme do tempo de educação em consulta vai para isto: para desmontar a ideia de que “não quero tomar nada” e “se vem num frasco, não é natural”.
Eu entendo o desconforto: a vontade de não depender de nada produzido em laboratório, de obter tudo através da alimentação e estilo de vida. Eu também gosto dessa perspectiva (guia-me em grande parte).
Mas depois entra a vida real: mulheres profundamente anémicas a tentar levantar ferritina só com comida (não dá para levantar uma ferritina de 5 com heroísmo).
Ou o caso do folato: o tubo neural fecha muito cedo na gravidez, e a suplementação tem janela crítica. Além disso, há variantes genéticas (MTHFR) que mudam a conversa sobre forma e dose.
E o caso das leguminosas: o “dá-me gases, logo o meu corpo recusa” é muitas vezes desuso da microbiota e às vezes uma enzima simples resolve, sem empobrecer a dieta.
O ponto não é “tomar tudo”. É perceber quando faz sentido usar uma prótese inteligente num mundo que já não é o mundo ancestral.
Se quiseres ler os exemplos completos e o raciocínio inteiro, está no meu último artigo do blog: “A armadilha do natural” (link na bio).