04/01/2026
Reunião no Céu: 2026 Aprovado com o 10 como regente, a Roda da Fortuna, o Cavalo de Fogo!
Este ano não é para menin@s! 😁
Cenário: Um gabinete etéreo com vista panorâmica sobre a galáxia. As estantes são feitas de poeira de estrelas, os livros piscam como constelações, e um ecrã mostra a Terra, onde humanos correm em círculos à procura de si e de validação exterior. Duas Entidades conversam: uma é o Chefe Supremo, de olhos exaustos, mas ofuscantes de tanto Amor; a outra, uma jovem alma entusiasmada, com um tablet que parece ter mais aplicações que sabedoria.
JOVEM: Chefe, o briefing para 2026 está pronto. Diretrizes enviadas: Número 10, Roda da Fortuna, Cavalo de Fogo. Mas, honestamente, será que eles vão perceber? E será que vão usar estas ferramentas para... evoluir?
CHEFE: (Suspira. Aquele suspiro divino que faria Buda meditar durante mais 3 horas.) Perceber? Ah, meu anjo em estágio permanente, eles adoram símbolos, sim. Adoram pendurá-los ao pescoço, tatuam-nos no pulso, no… na… deixa estar. Imprimem-nos em canecas com frases motivacionais — bem giras! Nem fui eu que as enviei pelos profetas! — e f**am à espera que eles, per se, resolvam as vicissitudes. Portanto, familiarizados estão; entendê-los já é outra galáxia. Vê o que fazem: pagam para que outros resolvam os seus desafios! Pagam aos milhares!
JOVEM (Com um sorriso meio malandro): Chefe, refere-se a macumbas? Há quem leve 50 euros.
CHEFE (Finge-se de surdo): Estão tão viciados em facilitismo que esperam que a Roda da Fortuna vá com instruções, tipo Lego — o Lego foi um grande sucesso, não foi, filho? Se eles dedicassem tanto tempo à resolução dos dilemas da vida como ao Lego… Bom, e o Cavalo de Fogo querem-no com rédeas para vários tamanhos, géneros e tal. Não há pachorra!
JOVEM: Chefe, quer um s**o de papel para respirar? Quer que chame O Buda?
CHEFE: Chama, sim, há que séculos não o vejo. Tenho saudades dele. Mas, como eu estava a dizer: dizem que não têm tempo para se conhecer, mas fazem maratonas de séries sobre gente mais perdida do que eles. Dizem que querem paz, mas estão naquelas coisas infernais — como essa que tens na mão — como se o Nirvana estivesse no próximo vídeo de gatinhos.
JOVEM: Já que estamos num ano tão forte, podemos dar-lhes mais dons? Novos profetas? Uma série de workshops de autorresponsabilidade?
CHEFE: Filho, isso já foi. Quando demos mais dons rebentaram as guerras, lembras-te? Já demos profetas incríveis, e olha o que lhes fizeram! Um deles penduraram, literalmente. Não vou mandar mais ninguém. Agora é a Era de Aquário. Eles têm de ser os seus próprios mestres. Mandámos manuais e olha o que lhes fizeram: deturparam tudo. E milagres? Mais? Agora é a fase bricolage: “façam vocês mesmos”.
Bom, o número 10 é mágico. É um diploma que diz: “Filh@, fechaste um ciclo! Agora dá um passo em frente.” Tiveste nove anos a acumular lições — algumas incríveis, estás mais madur@, outras, convenhamos, escusadinhas. Já reparaste, filho, que 10 mil anos depois eles ainda lutam por terra? Por petróleo que vai acabar num ápice? Em quantos anos terrestres? Menos de 50?! Pelo Amor de MIM! O Buda está a caminho?! Okay, já me acalmei. Estou melhor.
Então, o número 10 fecha e abre — o vazio não existe — e agora é hora de integrar, agir, sair do modo espera ad aeternum e passar ao modo “olha quem eu me tornei”, não com sobranceria, mas com integridade.
JOVEM: (Furiosamente a escrever no tablet com um dedo divino.) Portanto: “Sobreviveste. Parabéns. Agora cria.”
E a Roda da Fortuna? É tipo máquina de lavar kármica?
CHEFE: (Acende uma luz dentro de si que ofuscaria uma supernova.)
É mais tipo professora de krav maga kármica. A Roda não baralha, filho. A Roda ensina — às vezes à bruta, é certo. Não castiga, não recompensa: ela expõe. Mostra o cimo e depois o fundo, só para que compreendas se já aprendeste que nenhuma posição é permanente, em particular quando a alma ainda é muito jovem. A constância vai sendo conquistada com trabalho prático espiritual. Ela quer que aprendam que a segurança não vem da estabilidade externa, mas da confiança interior. A Roda é o treino intensivo para o desapego — não do Amor, com A maiúsculo — mas da mania de querer controlar tudo. Filh@s, parem com isso! Não viram já que não funciona, canecos? E depois admiram-se de andarem exaustos e doentes. Escreve isso, filho. A lição é: se a tua segurança depende do degrau, estás lixad@… Achas que posso dizer lixado? Vai cair bem em Cascais e na Foz? Vamos colocar uma metáfora de mar, que eles adoram. A Roda quer ver se consegues dançar num convés molhado de um iate, em tempestade, sem te agarrares ao mastro nem gritares: “MIM, salva-me com um 11:11!”
JOVEM: (Aos pulos em cima de uma nuvem qual trampolim) Que máximo! Falando nisso: o Cavalo de Fogo! Parece épico. É tipo centelha divina com esteroides?
CHEFE: Filho, o que sabes tu sobre esteroides? O que andas a tomar?
JOVEM: Eu, Chefe? Só kombucha, juro!
CHEFE: Hum... então, repara que não é um simples ano do Cavalo, é um Cavalo de Fogo. Isto signif**a a vontade pura de alma em combustão máxima. Mas atenção, não é o “quero tudo para agora” do ego mimado. Não, não. É o “eu sou capaz, canecos!” da alma desperta com valores maiores. Ele vai chegar para incendiar os planos adiados desde a infância e rasgar o papel de vítima passiva presa ao passado, às velhas histórias, aos traumas… as coisas que as mentes deles arranjam.
Olha, uma coisa muito importante: aponta aí, filho, fazer um upgrade à mona deles. É factual, não o fazemos há milénios. Isso é responsabilidade nossa. O cérebro deles ainda está em modo sobrevivência.
JOVEM: Bem pensado, Chefe!
(O tablet vibra com aquela solenidade celestial típica de más decisões humanas transmitidas em direto.)
Chefe, o Primeiro-Ministro deles veio pedir “mentalidade vencedora”, ou garra, ou fogo no… espírito, não tenho bem a certeza, e, para ajudar à festa, enfiou no discurso um jogador da bola. A cena não caiu lá muito bem. Há memes com fartura. Diz-me, achas que ele já está a sentir o efeito do Cavalo de Fogo, ou foi só um pequeno-almoço com um cimbalino duplo? Podes espreitar o arquivo?
CHEFE: Talvez... ou talvez tenha confundido “garra” com entusiasmo sem estrutura. As resoluções de ano novo — e a gente vê bem aqui de cima — duram as 12 badaladas. Porquê? Porque são estipuladas na euforia e não num plano bem construído. É só adrenalina e zero planos. É “manifesto um novo eu!” sem sequer saberem o que fizeram ao velho. Sabes o que me faz lembrar? Que há quem acredite que eu construí o mundo em sete dias! Acreditas? Ai estas minhas criações… mas estão todas a crescer, é o que vale.
Então, escreve, filho: chega de analisarem os relatórios do IPMA para saberem quando será o momento ideal para começarem. Escreve isso de forma bem clara.
JOVEM: Então 2026 é sobre: tomar as rédeas da vida. Sem culpas para os outros, sem salvadores?
CHEFE: Exato. O Dez traz fecho e abre. Cabe a cada um abrir a porta que achar melhor.
A Roda traz perspetiva e sorte aos audazes.
O Cavalo traz iniciativa, coragem e paixão. Juntos, formam o trio que pode curar a doença crónica deles: a passividade conveniente, vulgo: zona de conforto. Filho, tu sabes o quanto eu gosto de chavões — sentiste a ironia? — mas “zona de conforto” é talvez aquela que me daria mais comichão… se eu tivesse um corpo físico. Também gosto daquele hábito de esperar “um sinal do universo” enquanto fazem… como é que se chama? Soll? Csoll Isso, scroll até a alma adormecer.
JOVEM: Chefe, e se eles falharem? Se não fizerem nada?
CHEFE: Ah, meu jovem, a Vida não pune e é disso que eles têm de se capacitar. A Roda gira outra vez, as vezes que forem precisas.
O Fogo acende noutro lugar, é só estarem atentos.
A lição volta disfarçada, renovada, sempre disponível.
O tempo é cíclico para eles. Não para nós. Nós só observamos com muito Amor e muita paciência. Por falar nisso, já convocaste O Buda?!
CHEFE: A verdadeira mensagem para finalizar? Parem de olhar para mim como um Pai birrento, um guru fofinho ou um despachante de milagres. Olhem para vós. Vocês são os artistas. A tela é a vida. As tintas são as vossas escolhas. Eu só forneci o estúdio, este espaço maravilhosamente caótico. Agora… pintem!
JOVEM: (Com uma lagriminha brilhante nos olhos, a alma neófita sente profundamente aquela mensagem.) Chefe… isso seria um post perfeito para o Instagram.
CHEFE: (Confuso com o peito de nebulosa.) Para onde? Ah, já sei, manda isso para o TokTok, que é mais animado.
Por falar em animação, não convides só o Buda porque ele vai pôr-me a fazer meditação e pranayama; liga ao Elias, ao Maomé, ao Abraão… esse deve estar velho, coitado… ao Zaratustra, ao Rumi, ao Tagore! Ao Krishna, que é bem animado! Hare, Hare! Ah e à HPB, ela faz uns truques giros com colheres. E à Maria Madalena e Jesus, claro, que trazem sempre vinho do bom!
FIM (Ou melhor, início.)
Nota:
Este texto teve como inspiração o trecho A pequena Alma e o Sol de Neale Donald Walsch que, senão leram, pf, façam-no, mas depois descarrilou. :)
By Vera Xavier
Mentora de Empoderamento Feminino
Academia da Nova Mulher