Vera Xavier

Vera Xavier Life Coaching, Desenvolvimento Pessoal e Espiritual

05/03/2026

🚫 faz este exercício rápido e depois conta-me como f**aste, pode ser?
E partilha com a amiga 🤍

Quão Infantil é a Humanidade?Quando a cor da pele ainda serve de critério, mesmo entre risos e camisolas levantadas.Não ...
22/02/2026

Quão Infantil é a Humanidade?
Quando a cor da pele ainda serve de critério, mesmo entre risos e camisolas levantadas.

Não é a cor que nos divide. É a imaturidade.

Trabalhava eu no Banco Comercial de Moçambique quando uma cena aparentemente banal me marcou para sempre. Era um daqueles fins de tarde pesados, de calor húmido que nos exigia 3 duches ao dia, e o cansaço nos deixa mais permeáveis ao que normalmente deixaria passar. Estávamos todos descontraídos, a conversar depois de um dia longo, a trocar provocações leves, aquele humor que nasce da convivência diária e da confiança instalada. Confiança que eu tinha conquistado a ferros.

Foi então que alguém sugeriu, entre risos, que se alinhassem por ordem, do mais claro para o mais escuro, e os meus colegas alinharam-se, assim, com uma naturalidade desconcertante, como quem organiza uma fotografia de grupo, mas com um critério que ninguém questionou. Um a um, foram-se posicionando segundo a tonalidade da pele, comparando braços, aproximando rostos, medindo diferenças subtis com gargalhadas cúmplices, como se aquilo fosse apenas uma brincadeira inofensiva, uma leve provocação entre colegas que se estimam.
Eu sei que não havia intenção maldosa, sei mesmo. Eram pessoas boas, inteligentes, a tentar ser engraçadas e charmosas, talvez até a brincar com o próprio tema da diversidade. Mas naquele instante senti qualquer coisa a apertar-me por dentro, uma espécie de silêncio interno que contrastava com o barulho dos risos, porque ali, naquele alinhamento cromático, estava exposta a nossa infantilidade coletiva.

O busílis não era a piada, era o paradigma invisível que a sustentava, a ideia antiga, arcaica, de que a cor é um critério, de que pode servir como eixo organizador, ainda que sob a capa do humor. É aqui que a dicotomia da Humanidade se revela com uma clareza quase cruel: proclamamos igualdade, defendemos direitos, falamos de inclusão, mas, no momento descontraído, recorremos ao velho impulso de classif**ar.

Somos uma espécie fascinante, mas emocionalmente ainda imatura. O cérebro adora categorias, adora simplif**ar o mundo para reduzir a incerteza, claro, escuro, bonito, feio, semelhante, diferente, como se a complexidade fosse demasiado complexa para a aceitarmos. É um mecanismo primário de sobrevivência, mas sobreviver não é o mesmo que evoluir, e é precisamente essa dissonância que me inquieta, porque sabemos, racionalmente, que somos iguais, que a biologia é inequívoca, que a única diferença real está na quantidade de melanina, na geografia dos antepassados, na idiossincrasia cultural que cada um carrega, e sabemos tudo isto com dados, com ciência, com história, com consciência. E, no entanto, ainda brincamos como se a tonalidade fosse um marcador diferenciador.
Bolas, como é que isto ainda é compreensível, quanto mais aceitável?

Somos todos iguais, iguais na estrutura, iguais na vulnerabilidade, iguais na capacidade de amar, de errar, de aprender. O que muda é a superfície, é a tez, é a variação estética que a natureza distribuiu com generosidade. Nada mais. E, no entanto, a Humanidade continua a comportar-se como uma criança no recreio, a formar filas, a comparar diferenças. Talvez porque assumir igualdade verdadeira exige responsabilidade, logo, maturidade, e maturidade raramente é confortável.
E a verdade desconfortável é esta: não são só os outros. Não são só os jogadores, os dirigentes, os anónimos nas bancadas. Somos nós também, nas piadas que deixamos passar, nas gargalhadas em que participamos, nos silêncios convenientes. O preconceito raramente começa num estádio. Começa na leveza com que relativizamos.

Naquele dia, em Moçambique, percebi que a evolução tecnológica não garante evolução ética. Podemos discutir inteligência artificial, mercados globais, bitcoins e afins. Podemos falar de novos paradigmas económicos e sociais, mas se ainda organizamos pessoas pela cor da pele, mesmo em tom de brincadeira, então ainda estamos a aprender o básico.
Porque esta semana, num jogo de futebol, numa equipa portuguesa que me envergonhou profundamente, assistimos a um episódio de racismo tão explícito que já nem cabe no disfarce do “foi mal interpretado”. O jogador tapou a boca com a camisola para insultar o adversário. Um gesto quase teatral, como quem acha que a maldade desaparece se for sussurrada atrás de algodão e poliéster.

Vamos lá a ver. Se tapas a boca para falar, não é para recitar poesia. Aposto o meu dedo mindinho que não foi para lhe dizer algo do género: “Vivi, faz-me um filho!” Nem para discutir literatura russa, nem para partilhar uma receita de bacalhau espiritualizado. Tapou a boca porque sabia que o que ia sair dali era feio. E quando sabemos que é feio e mesmo assim dizemos, isso já não é ingenuidade. É escolha.

E é aqui que a dissonância coletiva se torna gritante. Um estádio cheio, câmaras por todo o lado, redes sociais em modo amplif**ador permanente, e ainda assim alguém acredita que esconder a boca é esconder a intenção. Como se o problema fosse a leitura labial e não o conteúdo da frase.
Um comportamento infantil com um salário milionário e patrocinado por marcas que falam de inclusão.

Sabes aquela frase? “Eu não sou ra***ta, mas…” — e depois vem o comentário que desmonta a primeira parte em três segundos. Estudamos esta construção frásica no Coaching e na PNL. É quase um ritual moderno de absolvição preventiva. Primeiro nego, depois ataco. Primeiro lavo as mãos, depois sujo-as.
Tapar a boca com a camisola é a versão física desse ‘mas’.
Não apaga a intenção. Não purif**a a frase. Apenas revela consciência de culpa. E isso é o mais inquietante. Porque quando alguém sabe que o que vai dizer é humilhante, e ainda assim diz, já não estamos no território da ignorância. Estamos no território da *escolha*.

Voltamos sempre ao mesmo ponto, a cor como critério, a tez como provocação, a melanina como munição.
Quão infantil é a Humanidade para ainda escorregar nisto? Somos todos iguais, e o que muda é a tonalidade da pele, não é a dignidade, não é a inteligência, não é o valor. Enquanto ainda precisarmos de vírgulas defensivas ou de camisolas estrategicamente levantadas para disfarçar preconceito, signif**a que ainda não crescemos o suficiente.

Talvez o verdadeiro salto da Humanidade não esteja em conquistar novos territórios nem em desenvolver tecnologias mais rápidas. Talvez esteja simplesmente em parar de usar a cor da pele como critério. Tonalidade é tonalidade. Não é hierarquia. Não é argumento. Não é arma.
Mas crescer como espécie não acontece sozinho. Não é automático. Não vem com a idade, nem com dinheiro, nem com cargos, nem com discursos bonitos sobre inclusão. Crescer é uma decisão prática.
E a decisão começa nas coisas pequenas. Começa quando alguém faz uma piada e nós não rimos. Começa quando alguém diz “eu não sou ra***ta, mas…” e nós não aceitamos a frase como normal. Começa quando percebemos que tapar a boca para insultar alguém não diminui a gravidade do que foi dito, só prova que quem falou sabia que era errado.

O racismo não começa no estádio. O estádio é só o lugar onde f**a visível. Ele começa nas conversas informais, nas piadas que deixamos passar, no silêncio que escolhemos para evitar desconforto. Começa quando relativizamos. Começa quando fingimos que não é assim tão grave.
Se queremos uma sociedade adulta, então comportemo-nos como adultos. Adultos assumem responsabilidade pelo que dizem. Adultos não escondem preconceito atrás de vírgulas nem de camisolas. Adultos não classif**am pessoas pela cor, nem a brincar.
A evolução ética depende de escolhas individuais repetidas. Depende de cada um de nós decidir interromper o padrão em vez de o justif**ar.
Enquanto continuarmos a apontar apenas para o jogador, para o clube, para “os outros”, continuaremos na mesma imaturidade que criticamos.

Crescer implica parar. Parar de rir. Parar de relativizar. Parar de repetir frases nunca pensadas com profundidade e observação, como: Portugal não é um país ra***ta.
E isso não é abstrato. É pessoal.
A pergunta não é se a Humanidade vai amadurecer.
A pergunta é se nós vamos.
Como dizia Krishnamurti, “Quando te identif**as com uma nacionalidade, uma religião ou uma ideologia, estás a separar-te do resto da humanidade.”

By Vera Xavier

🖤 Nem sempre é ódio.🩶 Nem sempre é inveja.🤎 Nem sempre é maldade premeditada.Às vezes é ‘só’ uma frase dita em tom de ir...
11/02/2026

🖤 Nem sempre é ódio.
🩶 Nem sempre é inveja.
🤎 Nem sempre é maldade premeditada.

Às vezes é ‘só’ uma frase dita em tom de ironia.
Um comentário que ‘escapa’.
Uma suspeita lançada para diminuir.

MAS, de onde vem a emoção que faz proferir essas palavras?
É a pergunta relevante.
E quase nunca tem a ver com a outra mulher.
Tem a ver com quem ainda não se sente suficiente.

Uma mulher segura não precisa de descredibilizar a outra.
Não precisa de competir.
Não precisa de provar que é melhor.
🤍 Ela sabe quem é.
E isso muda tudo e é altamente libertador.

❕Se isto te fez engolir em seco, talvez não seja por acaso.
Há um nível de consciência que começa exatamente aqui,
quando deixamos de reagir às outras
e começamos a olhar para dentro.

❕É aí que começa o verdadeiro trabalho❕

Link na bio.




10/02/2026

O Novo Feminino é poderosamente suave
Não é tonto.
Nem zen.
Nem ‘iluminado’.

É uma Mulher que já chorou o que tinha a chorar
e decidiu parar de pedir licença para avançar.

É suave, sim,
mas não confundamos suavidade com disponível 24/7 para crises existenciais alheias. Já não sofremos do complexo de enfermeiras nem de Virgem Maria… pois não?

É firme
não porque quer mandar no mundo,
mas porque finalmente manda no seu.

Sente tudo.
Tem hormonas.
Tem dias.
Tem fases.
Tem ondas e sempre terá, homens.

Aceita-se tal como é.
A diferença?
Já não usa isso como desculpa para se sentir envergonhada
nem como arma para atacar outras mulheres.

O Novo Feminino não compete.
Não se explica.
Não precisa de validação exterior.
Se vier, agradece.

O Novo Feminino está cada vez mais em Paz
E isso parece incomodar muita gente.

Se isto te irritou ou te deu alívio,
há trabalho aí.
Link na bio.




06/02/2026

🛑 Sinais de Alerta muito óbvios ❕
SOS Linha Anti Sabotagem Feminina ❕



O Pacto Antigo da Borboleta e a Noite Escura de uma NaçãoJaneiro terminou, mas a sua sombra aquosa persiste. Não é apena...
05/02/2026

O Pacto Antigo da Borboleta e a Noite Escura de uma Nação

Janeiro terminou, mas a sua sombra aquosa persiste. Não é apenas chuva que cai há semanas e semanas; é uma inundação da alma coletiva. Portugal transformou-se num aquário gigante, onde as ruas são veias entupidas pela lama, os sorrisos estão guardados da chuva e os ombros do povo carregam o peso invisível das árvores tombadas, das memórias submersas, dos futuros postos em causa.

A solidariedade emerge, linda e necessária – a mão estendida, o abrigo partilhado, o presidente de câmara cuja voz se quebra diante da impotência –, mas mesmo esta luz não parece, por vezes, suficiente para aquecer o frio húmido que se instalou no bravo espírito lusitano. Estamos, colectivamente, a atravessar aquilo que os místicos chamam a “noite escura da alma”: um período de profunda desolação, onde os referenciais se apagam e o mundo conhecido se dissolve. É um estado liminar, forte e sagrado.
E é nesta escuridão encharcada que a voz de Helena P. Blavatsky ressoa como um trovão filosófico, iluminando o caminho:
“A borboleta não trai a lagarta ao deixar o casulo. Cumpre um pacto antigo com o voo.”
Esta não é uma simples metáfora sobre mudança. É uma tese ontológica radical. A lagarta, na sua fase rastejante e terrestre, não é um erro a ser corrigido, nem uma versão inferior. É uma fase. É uma passagem. A sua decomposição no casulo não é uma aniquilação, mas uma entrega necessária a um desígnio maior. A borboleta, ao emergir, não é uma traidora, mas a guardiã fiel de um pacto ancestral com o ar, com a luz, com a liberdade. A traição, sugere Helena Blavatsky, seria f**ar presa na forma anterior, negando o voo para o qual se estava, desde sempre, destinada.

Portugal é agora a lagarta e o casulo, simultaneamente. As tempestades tremendas que nos assolam são o líquido digestivo que dissolve as estruturas antigas, porosas e incapazes de nos protegerem. A devastação nas paisagens externas é o espelho fiel da turbulência interna. E é precisamente aqui que reside o potencial terapêutico desta crise: o que parece um fim absoluto é, na verdade, a condição biológica e espiritual para um renascimento. A “noite escura” não é uma punição; não será antes um parto? É talvez o processo pelo qual a consciência colectiva é despojada das suas ilusões de segurança e controlo, para que algo novo – mais consciente, mais resiliente, mais adaptado à nova realidade climática e humana – possa nascer.
Antes do voo, porém, é preciso honrar a ferida. Não basta lamber-nos; é preciso sentar-se com a dor, a frustração, o “eh pá, que merda!” profundo. É reconhecer que cada cicatriz na terra e na alma é uma marca que narra uma lição de vulnerabilidade e força. A terapia colectiva começa nesta aceitação radical do que foi perdido, sem saltar prematuramente para o “vai f**ar tudo bem!”. Não vai f**ar como antes. Não vai. E talvez essa seja a boa notícia. Ficará diferente. Ficará com a sabedoria da inundação inscrita nos ossos.

Janeiro acabou. E com ele, a ilusão de que a primavera chegará apenas por um decreto do calendário ou por um acto de benevolência solar. A primaVera – essa força germinativa, interna e irreprimível – não está à espera. Ela já nos chama, de dentro. É a voz que sussurra que somos, apesar de tudo, entidades biológicas programadas para a vida, absurdamente resilientes, capazes de encontrar fissuras de luz no betão mais grosso. Há lá imagem mais poderosa que demonstre a nossa capacidade de regeneração?

Esta é a minha proposta de ladainha para os dias de reconstrução que estamos a viver, mais do que frases de auto-ajusa, são afirmações existenciais para uma nação em plena metamorfose:
“A minha resiliência nasce da aceitação do que não posso controlar.”
“A minha raiz é mais profunda do que a inundação.”
“Sou aprendiz da tempestade e arquiteta da nova margem.”
“Na noite escura da alma, olho as estrelas que só na escuridão se veem.”

Portanto, Irmã, Irmão, País: a borboleta não trai a lagarta. Nós não trairemos este momento. Honramos a dor, a lama, a perda. Mas honramos, sobretudo, o pacto antigo com o voo que nos define enquanto seres em evolução. Voar não é esperar que o céu azul nos dê licença. É tornar-se primaVera ativa em pleno temporal, é construir a mesa com a madeira das árvores tombadas, é escolher-se a si próprio – numa decisão diária, corajosa e empática – para que se tenha solidez para estender a mão ao outro.

A tempestade passará. E nós, se cumprirmos o nosso pacto, não voltaremos a ser o que éramos. Emergiremos do casulo colectivo – não traidores do passado, mas fiéis ao futuro. Com as asas ainda húmidas, mas abertas para um voo que, finalmente, compreende o preço e a promessa da liberdade.
Aceitação é a palavra de ordem

By Vera Xavier
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🛑 LÊ A LEGENDA❕Cria um micro-bom-hábito por dia.Nada de ‘vou começar a correr 6 dias por semana.’! Isso é irrealista.Mic...
03/02/2026

🛑 LÊ A LEGENDA❕
Cria um micro-bom-hábito por dia.
Nada de ‘vou começar a correr 6 dias por semana.’! Isso é irrealista.
Micro-hábitos. Ex: Ao sair da cama, agradece o teu dia e sorri.
Garanto que as próximas 24h serão bem melhores do que imaginas. Repete.



📍 Onde está o teu foco❔É aí que está a tua energia. Está no que perdeste? Está no que queres para o teu futuro?Está no q...
28/01/2026

📍 Onde está o teu foco❔
É aí que está a tua energia.
Está no que perdeste?
Está no que queres para o teu futuro?
Está no que te queres tornar?
Onde está o teu FOCO❔



A Quem Devia Lealdade? (O Custo Invisível de Estar Calada)O Guimas era daquelas pessoas que não pedem licença para entra...
22/01/2026

A Quem Devia Lealdade? (O Custo Invisível de Estar Calada)

O Guimas era daquelas pessoas que não pedem licença para entrar na nossa vida; simplesmente instalam-se como se fizessem parte da mobília. Era o campeão do charme, o mestre da boa disposição e tinha aquela aura de "bom rapaz" que até as nossas mães aprovam. A minha aprovou.
Na minha casa, ele já sabia onde moravam os copos, qual era o vinho que valia a pena abrir e como animar um jantar que ameaçava ser do pior. Quando a vida lhe deu um daqueles abanões que deixam qualquer um num caco, nós estivemos lá. De pedra e cal. Ele era um de nós.
Até que o Guimas decidiu trazer a Lurdes para o grupo. Ela vinha do Norte, com aquele sotaque que soava a verdade e um jeito de quem não tem tempo para fitas. Gostámos dela no primeiro segundo. A Lurdes entrou de sorriso em riste e o coração nas mãos. E, com o tempo, a vida — que tem este hábito irritante de desmascarar as personagens — começou a mostrar que a verdadeira peça de coleção ali era ela, e não ele. Enquanto o Guimas se ia tornando num figurante que já não fazia sentido, a Lurdes tornou-se o centro. Era ela a amiga. Ponto.

O Silêncio que se Vende como Lealdade:
Mas havia um problema: o Guimas era um amigo porreiro para beber uns copos, mas era um namorado miserável. Eu vi, vi o que não queria, ouvi o que preferia ter ignorado. Assisti ao que os homens que não cresceram costumam fazer: asneiras da grossa. Pensei em falar? Sim. Mas a amizade com ela era recente, contava-se em semanas, meses, e a minha história com ele vinha de trás. Na minha cabeça, instalei a crença conveniente de que a lealdade era um contrato antigo que me obrigava ao silêncio.
Esta "nobre" decisão tinha raízes bem fundas. Eu já tinha tentado ser a paladina da verdade noutras ocasiões e o resultado foi sempre um desastre ferroviário. Quando contamos a uma amiga que o "príncipe" dela é, na verdade, um traste com tiques de vilão, o que acontece? A negação instala-se, a amizade implode e nós passamos de confidentes a “ressabiadas”, a “invejosas” ou "intrusivas". Aprendi a murro que muita gente prefere uma mentira confortável a uma verdade que as obrigue a arrumar a casa. Por isso, calei-me. Deixei que a vida, essa juíza implacável, fizesse o seu trabalho.

O Tiro pela Culatra e o Café Amargo:
Anos depois, o relacionamento deles morreu de morte natural (ou por exaustão dela). Numa tarde qualquer, entre cafés e desabafos, o nome do Guimas surgiu na mesa. E eu, num momento de honestidade desastrada, soltei a bomba sem qualquer aviso: "Amiga, perdeste pouco. Tu merecias muito mais."
O ar fugiu da sala. O gelo que se formou entre nós dava para arrefecer o Atlântico. Naquele momento, na verdade, nem percebi que tinha cometido o erro fatal. A Lurdes não viu ali um apoio; viu uma traição retroativa.
As mensagens dela deixaram de chegar, os silêncios tornaram-se definitivos. Antes de bater a porta da minha vida, ela ainda me perguntou o óbvio: "Se sabias, porque é que nunca disseste nada?" E a minha resposta, embora honesta, soube a pouco, pelos vistos: "Porque achei que devia lealdade ao meu amigo.”
Ainda me dói o corte da Lurdes. Dói porque percebi que a lealdade verdadeira não se ajusta para evitar o desconforto. Ao tentar não ser a "amiga chata", acabei por não ser amiga nenhuma. A lealdade não é um pacto de silêncio para proteger quem age mal; é a coragem de ser um espelho, mesmo quando a imagem refletida é feia para caramba.

A Anatomia do "E Se...?" e o Peso da Escolha:
A Lurdes afastou-se com a precisão de quem deita fora um s**o de plástico do Pingo Doce. E eu fiquei ali, a olhar para os cacos, a tentar perceber se havia como concertar a cena. Não havia
MAS, e se eu tivesse falado na altura, ela teria acreditado? Provavelmente não. Teria defendido o Guimas e eu teria sido expulsa do harém da amizade muito mais cedo. Mas talvez, só talvez, uma semente de dúvida tivesse f**ado lá.
A verdade é que as pessoas só ouvem quando estão prontas para acordar.

O outro cenário era de filme, onde eu falava, ela via a luz e íamos as duas celebrar a liberdade com um gin tónico… Pois, seria apenas uma fantasia de argumento de Hollywood. Na vida real, a verdade tem dentes e morde. Dizer o que se pensa não garante paz de espírito nem finais felizes; garante apenas que não estamos a viver numa farsa.
E o pior dos cenários? Teria sido perder os dois… e viveríamos os três infelizes para sempre.

A Lealdade como Exercício de Dignidade:
Hoje, a pergunta continua a ecoar: a quem devemos lealdade? Ao passado ou ao presente? À "irmandade" dos velhos amigos ou à integridade das mulheres que entram na nossa vida para nos ensinar o que é a decência?
Se fosse hoje, eu teria tido o desplante de ser desagradável mais cedo? Sim, muito provavelmente. Agora com mais maturidade posso dizer que prefiro perder uma amizade por excesso de verdade do que mantê-la à custa de uma omissão cobarde. A lealdade aos outros começa na lealdade ao que os nossos olhos veem e o nosso coração sabe. O resto? O resto são s**os de plástico vazios levados pelo vento.
Lealdade, a quem? Sim, aos nossos valores.

By Vera Xavier
Mentora da Nova Mulher

14/01/2026

Qual é a tua opinião?
Aqui não há canetas azuis 😁
Viva a que não é crime - nem ataques pessoais, claro! 💪🏼💪🏽💪🏾

A Tirania do PerdãoPorque a tirania do perdão é uma das formas mais sofisticadas de violência espiritual do nosso tempo....
13/01/2026

A Tirania do Perdão

Porque a tirania do perdão é uma das formas mais sofisticadas de violência espiritual do nosso tempo.
Sabes aquele momento em que partilhas com uma amiga um episódio íntimo e doloroso, a ferida ainda a sangrar, e recebes como resposta um solene “tens de perdoar para teu próprio bem”? Aquela frase vazia, tirada da cartola de quem não sabe o que dizer perante a tua dor e resolve parecer sábia à pressa. Zero empatia. Ela quer ajudar, mas se não sabe como, então, fecha a matraca e abraça.

“Tenho?”, penso eu. “Tenho porquê, se ainda me dói? E dói-me porque ainda não percebi o que raio me aconteceu. Tenho de perdoar para ser considerada uma pessoa decente e espiritualmente aceitável? Tenho de perdoar senão fico ‘cristalizada’, amarga, pequena, mal resolvida — talvez até condenada a um qualquer inferno simbólico inventado para mulheres que sentem demais e calam de menos? Ainda estamos nisto, caneco?”
E eu pergunto: desde quando é que sentir dor passou a ser falta de evolução? Desde quando é que expressar revolta se tornou um defeito de caráter? Não tenho direito a estar frágil, zangada, confusa? A dizer “isto foi injusto” sem que alguém me venha logo tentar corrigir a alminha? Voltámos exatamente a onde? Ao tempo em que a mulher se queria composta, grata, arranjadinha e de sorriso permanente pronto a servir? Pois é, tenho boas notícias: caminhamos no sentido inverso.
“Tens de te despachar com isso, senão és má pessoa e não evoluíste.”
E se eu perdoar à pressa, sou boa pessoa? Ou estou só em negação? Em alheamento total? Em dissociação completa? Porque nesse estado vive meio mundo, minha amiga. Aliás, 99% do mundo. E não me parece que as almas dissociadas sejam as mais livres à face da Terra. Nã...

Achas mesmo que os evoluídos são os que varrem tudo para debaixo do tapete? Ou serão os que param e enfrentam as memórias, os traumas, a revolta, a sensação de injustiça? Os que gritam, insultam e sentem tudo o que as rasga com o único intuito honesto de se libertarem?
E não, o tempo não cura coisa nenhuma. Isso é outra falácia simpática da 'new age'. O tempo arquiva. E o que é arquivado sem consciência não desaparece; f**a ali, à espreita.
Quando me dizem que tenho de perdoar para ser melhor pessoa, o que me estão a pedir, no fundo, é que eu me cale depressa porque não têm ferramentas para lidar com a minha intensidade. E está tudo certo. Têm o direito de sentir esse desconforto; não têm é o direito de despejar estas “verdades instagramáveis”. Não podem exigir que eu salte etapas. Que eu finja que não doeu assim tanto para não incomodar. Isso não seria nobreza, seria censura interna. E disso já a gente fez demais.
Depois deste episódio, fui pedir ajuda aos meus amigos filósofos. Precisava de quem me aquecesse as costas — e aqueceram. Procurava respostas inteligentes.

O meu preferido, Nietzsche — meio louco, meio génio, ou talvez muito de ambos, porque raramente a lucidez extrema e o bom comportamento andam de mãos dadas. Ouviu-me com atenção, sem me interromper. A certa altura, olhou para mim com um certo orgulho pela minha irreverência, aquele olhar cúmplice de quem reconhece uma alma que ainda não foi domesticada, e disse-me, sem qualquer ternura na voz:
“Tudo o que se faz por dever mata a nobreza do ato.”
Boom! Disse-o. Assim, sem vaselina.
E eu agradeci. Porque não estava à procura de colo nem de frases bonitas para pendurar na parede. Precisava de alguém que não me tratasse como uma novata espiritual — que não sou.

Para Nietzsche, perdoar por dever não é virtude nenhuma; é obediência social. É ressentimento legitimado pela moral. É dor reprimida. É pura negação. E isso não fortalece ninguém; só cria almas pequenas com um ar de superioridade moral (atitude que Nietzsche, com a sua ironia, adorava dissecar).
Depois fui falar com Derrida. Francês, irreverente, desconstrutor… Um dos dois únicos franceses de que gosto (brincadeira, gosto de mais um - Saint Germain. o alquimista).

Ouviu-me com atenção, mas com aquele ar ligeiramente petulante de quem tem a certeza de estar um passo à frente de toda a gente. E estava. Disse-me que o perdão só existe, de facto, quando se perdoa o imperdoável.
Disse-o com aquela elegância meio irritante, como se fosse óbvio.
E eu pensei: “Hã?! Pronto, lá ‘tá ele.”
Derrida não entra numa conversa sem baralhar a mona. Ele não resolve, ele agrava — o que pode ser divertido. Ele não fecha discussões, deixa-as suspensas. E eu ali, a desejar estar só um bocadinho mais sossegadita...

Ele continuou, impassível: porque quando o perdão é fácil, rápido e exigido, não é perdão nenhum. É apenas um acordo tácito para não se voltar a falar do assunto. Uma forma educada de dizer: “Pronto, já chega, isto está a ser incómodo”. Ele não o disse nestas palavras, claro. Disse-o de forma muito mais hermética, mas foi isto que eu retirei.
Por fim, como quem se senta à mesa sem fazer barulho, apareceu Schopenhauer. O meu velho companheiro de muitos anos de escrita. Sempre fiel, sempre lúcido. O quanto eu gosto dele! O que não signif**a que concorde com tudo o que escreveu. Continuo a achar profundamente injusto chamarem-lhe pessimista, quando, na verdade, ele apenas não gostava da Maya (a ilusão).

Schopenhauer não faz floreados. Não infantiliza — graças aos deuses! — nem ilude. Olha para a vida como ela é, e não como a queremos ver. Ouviu tudo e disse-me, com aquele tom sereno de quem não precisa de convencer ninguém: “Enquanto não compreenderes, não há perdão nenhum. O resto é treta.” (Ele não disse “treta”, para que fique claro).

Continuou em schopenhauerdês e eu traduzi: Fingir que já passou, que já estás bem, ou que és maior do que a ferida, é uma exaustão silenciosa. É viver com o corpo em tensão e a mente em vigília constante, a tentar sustentar uma fachada civilizada enquanto o verdadeiro conflito ferve cá dentro. E como essa vigília cansa, a mente acaba por desistir e "arquivar" o que não quisemos ver. Só que o tempo não cura o que foi arquivado à força; ele apenas adia o inevitável, guardando o trauma com promessas vagas de “um dia destes”.
E eu sei que, quando ele diz isto, não é para nos desanimar. É para nos despertar com responsabilidade. Porque a clareza custa, mas a confusão custa muito mais. E, como diz Tony Robbins (sim, grande salto temporal): “Clareza é Poder!”

Por isso, não, amiga. Não tenho de perdoar enquanto ainda me dói. Não tenho de me despachar com a dor para aliviar o teu desconforto. Não tenho de ser serena à força para ser considerada evoluída.
Se ainda dói, é porque ainda há ali matéria. Se ainda incomoda, é porque ainda não foi vista nem compreendida. Há trabalho a fazer antes.

Claro que sei que terei de perdoar — por mim, não pelos outros. Sei-o e fá-lo-ei ao meu ritmo, de forma consciente e estruturada.
O perdão é a nossa pedra filosofal: todos a procuramos, e é precisamente por isso que não se encontra escondida debaixo da primeira pedra que aparece.
Está lá mais à frente, ou quiça, aqui, agora, onde a dor e a compreensão finalmente se encontram. Será que o momento é agora? Sentes que é? Só tu sabes. Só eu sei.
Pergunta a Parsifal. Ele soube.
A tirania do perdão é, de facto, uma das formas mais sofisticadas de violência espiritual do nosso tempo.

By Vera Xavier
Mentora de Empoderamento Feminino
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05/01/2026

🆘 SOS LINHA ANTI-SABOTAGEM FEMININA
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