Estilo de vida saudável

Estilo de vida saudável Cuidamos da nossa saúde física e psicológica

— Mãe, achas mesmo que isto chega? — A voz da Inês cortou o silêncio da sala, enquanto segurava o envelope branco nas mã...
27/01/2026

— Mãe, achas mesmo que isto chega? — A voz da Inês cortou o silêncio da sala, enquanto segurava o envelope branco nas mãos trémulas. O vestido de noiva ainda lhe caía nos ombros, e os olhos, outrora doces, estavam agora duros como pedra.

Fiquei ali parada, com as mãos entrelaçadas, sentindo o chão fugir-me dos pés. O António, meu marido, olhava para mim sem saber o que dizer. O envelope continha quinhentos euros — tudo o que conseguimos juntar depois de meses a apertar o cinto. Não era pouco para nós. Mas, pelos vistos, era pouco para ela.

— Inês, filha... — tentei começar, mas ela interrompeu-me.

— Toda a gente deu mais. A tia Teresa deu mil euros! O primo Rui ofereceu uma viagem! E vocês... vocês são os meus pais! — A voz dela subiu de tom, e senti o António encolher-se ao meu lado.

Naquele momento, tudo o que eu queria era abraçá-la e dizer-lhe que o amor não se mede em dinheiro. Mas as palavras f**aram presas na garganta. Lembrei-me de todas as noites em claro, das febres que baixei com panos frios, dos trabalhos extra para pagar-lhe a universidade. E agora, ali estava ela, a medir o nosso amor pelo valor de um envelope.

— Inês, sabes bem o quanto nos esforçámos... — disse António, num fio de voz.

Ela revirou os olhos. — Não é uma questão de esforço. É uma questão de prioridade. — E saiu da sala, deixando-nos sozinhos com a vergonha e a mágoa.

O resto do casamento passou por mim como um nevoeiro. Sorrisos forçados, brindes vazios. Vi a Inês rir com os amigos, dançar com o marido novo — o Miguel, rapaz simpático mas sempre distante de nós. Senti-me uma estranha na festa da minha própria filha.

Quando voltámos para casa naquela noite, sentei-me na cozinha e chorei em silêncio. António tentou consolar-me:

— Ela está nervosa, foi um dia grande... Amanhã já passou.

Mas não passou. Nos dias seguintes, Inês não atendeu as minhas chamadas. As mensagens f**aram sem resposta. O silêncio dela era um muro cada vez mais alto entre nós.

Comecei a duvidar de mim mesma. Será que falhámos como pais? Será que devíamos ter pedido dinheiro emprestado só para não f**armos mal vistos? Lembrei-me da minha mãe, a avó da Inês, que sempre dizia: “O mais importante é o coração.” Mas será que isso ainda conta neste mundo?

O António tentava manter-se forte, mas via-lhe nos olhos a mesma dor. Uma noite, depois do jantar, ele desabafou:

— Sinto-me inútil. Trabalhei toda a vida para dar à nossa filha tudo o que podia... e agora parece que nada chega.

A nossa casa ficou mais fria desde então. As fotografias da Inês espalhadas pela sala começaram a parecer relíquias de outra vida. Os vizinhos perguntavam pela recém-casada e eu sorria, fingindo normalidade.

Um dia, a Teresa — minha irmã — ligou-me:

— Ouvi dizer que a Inês anda chateada convosco por causa do presente... — disse ela, com aquele tom de quem sabe tudo.

— Não foi só pelo dinheiro — respondi eu. — Acho que foi tudo junto. Ela sempre achou que devíamos dar-lhe mais... mais tempo, mais atenção, mais apoio.

— Mas tu deste-lhe tudo! — exclamou Teresa. — Ela é ingrata!

Será? Ou será que falhei em algum momento crucial? Comecei a revisitar mentalmente cada decisão: quando voltei ao trabalho depois de ela nascer; quando não pude ir àquela apresentação na escola porque estava doente; quando discuti com ela por causa das notas no secundário...

As semanas passaram e a distância entre nós só aumentava. O António sugeriu irmos falar com ela pessoalmente.

— Não podemos deixar isto assim — disse ele. — É a nossa filha.

Marcámos um almoço num restaurante perto da casa dela. Quando chegámos, Inês já lá estava com o Miguel. O ambiente era tenso; os talheres tilintavam alto demais.

— Então... como está a correr a vida de casada? — perguntei, tentando soar leve.

— Bem — respondeu ela secamente.

O Miguel tentou aliviar:

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— Não mintas mais, Rui! Eu vi as mensagens! — gritei, a voz embargada, enquanto segurava o telemóvel com as mãos trémula...
27/01/2026

— Não mintas mais, Rui! Eu vi as mensagens! — gritei, a voz embargada, enquanto segurava o telemóvel com as mãos trémulas. O som da chuva a bater nas janelas da nossa casa em Cascais parecia ecoar o tumulto dentro de mim. Rui estava parado à minha frente, pálido, os olhos fixos no chão.

— Mariana, deixa-me explicar... — tentou ele, mas a minha raiva abafou qualquer tentativa de justif**ação.

— Explicar o quê? Que traíste a tua mulher com a minha melhor amiga? Que destruíste tudo o que construímos nestes quinze anos? — As palavras saíam-me como facas, cada uma mais dolorosa do que a anterior.

Nunca pensei que aquela noite de outubro mudaria tudo. Sempre achei que a nossa família era sólida, à prova de tempestades. Rui era o meu porto seguro, o pai dedicado dos nossos dois filhos, Sofia e Tomás. E a Ana... a Ana era mais do que uma amiga; era como uma irmã. Crescemos juntas em Sintra, partilhámos segredos, sonhos e até as dores da adolescência. Nunca imaginei que ela pudesse ser capaz de tamanha traição.

Naquela noite, depois do confronto, Rui saiu de casa. Ficou tudo em silêncio, exceto pelo choro sufocado da Sofia, que ouvira parte da discussão. Tomás, com apenas oito anos, dormia alheio ao caos. Sentei-me no chão da cozinha, abraçada às pernas, sentindo-me mais sozinha do que nunca.

No dia seguinte, tentei manter a rotina para os miúdos. Preparei o pequeno-almoço como sempre, mas as mãos tremiam-me tanto que deixei cair uma chávena. Sofia olhou para mim com olhos vermelhos:

— Mãe... o pai vai voltar?

Não soube responder. Como se explica a uma filha de doze anos que o mundo dela acabou de ruir?

Os dias seguintes foram um borrão de lágrimas e telefonemas. A minha mãe, Dona Teresa, apareceu em casa com um tacho de sopa e palavras duras:

— Sempre te disse que esse Rui não era homem para ti! — exclamou ela, sem esconder o desdém.

— Mãe, por favor... agora não — pedi-lhe, mas ela continuou:

— Tens de ser forte pelos teus filhos. Não te deixes ir abaixo!

Mas como ser forte quando tudo à minha volta desabava? O trabalho no hospital tornou-se um refúgio e um tormento. Os colegas cochichavam nos corredores; numa cidade pequena como Cascais, os boatos correm depressa. Até o senhor Manuel da mercearia me olhava com pena.

A Ana tentou ligar-me várias vezes. Ignorei todas as chamadas. Uma tarde, apareceu à porta de casa. Abri só porque não queria fazer escândalo à frente dos vizinhos.

— Mariana... por favor... deixa-me explicar — suplicou ela, os olhos inchados de tanto chorar.

— Não há nada para explicar! — respondi entre dentes. — Tu eras minha amiga! Como foste capaz?

Ela caiu de joelhos no tapete da entrada.

— Eu não queria... foi um erro... Eu estava tão sozinha depois do divórcio... O Rui apoiou-me... As coisas aconteceram...

— As coisas não "acontecem", Ana! Nós escolhemos! E tu escolheste trair-me!

Fechei-lhe a porta na cara. Senti-me vazia e ao mesmo tempo cheia de raiva.

Os meses passaram devagar. Rui tentou voltar para casa várias vezes. Mandava mensagens aos miúdos, aparecia nos jogos de futebol do Tomás e nas apresentações de ballet da Sofia. Eu evitava-o sempre que podia.

No Natal, a família reuniu-se em casa da minha mãe. O ambiente estava tenso; todos sabiam do escândalo. O meu irmão Pedro não perdeu a oportunidade para lançar farpas:

— Então, mana... já pensaste em perdoar o Rui? Ou vais f**ar sozinha para sempre?

Olhei para ele com desprezo:

— Prefiro estar sozinha do que viver uma mentira.

A minha avó Maria tentou apaziguar:

— Filha, todos erramos... Às vezes é preciso perdoar para seguir em frente.

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— Dona Teresa? — a voz trémula da rapariga ecoou pelo corredor, misturando-se ao som da chuva a bater nas janelas. Eu he...
27/01/2026

— Dona Teresa? — a voz trémula da rapariga ecoou pelo corredor, misturando-se ao som da chuva a bater nas janelas. Eu hesitei antes de abrir a porta. O relógio marcava quase sete da tarde, e o céu de Lisboa estava escuro como breu. O cheiro a terra molhada entrava pela fresta da porta, misturado com o aroma do meu café frio esquecido na mesa.

Abri a porta devagar, com o coração apertado. Do outro lado, uma jovem de olhos vermelhos e cabelo colado à cara pela chuva segurava uma mochila gasta. — Sou a Inês… namorada do Miguel. — O nome do meu filho saiu-lhe dos lábios como uma prece, mas para mim soou como uma facada.

Miguel. O meu filho desaparecido há quase três meses. Desde aquele dia em que saiu de casa depois de uma discussão feia — mais uma — sobre o futuro dele, sobre as más companhias, sobre tudo aquilo que eu achava que sabia e afinal não sabia nada.

— O que é que queres? — perguntei, a voz mais dura do que pretendia. Ela baixou os olhos, encolhendo-se sob o casaco encharcado.

— Preciso de falar consigo… sobre o Miguel. —

Deixei-a entrar. O silêncio entre nós era pesado, só interrompido pelo tilintar das gotas na varanda. Sentei-me à mesa da cozinha, ela à minha frente, as mãos a tremerem enquanto puxava um envelope do bolso.

— Ele… ele deixou isto para si. —

Peguei no envelope com dedos trémulos. O nome “Mãe” escrito à pressa, com a letra dele. Senti um nó na garganta, mas não consegui abrir logo. Olhei para Inês, tentando decifrar-lhe o rosto.

— Onde é que ele está? —

Ela hesitou. — Não sei. Ele desapareceu há duas semanas. Pensei que tivesse vindo para aqui… —

O chão pareceu fugir-me dos pés. Duas semanas sem notícias dele, e eu só soube agora? Como é possível? Senti-me uma estranha na vida do meu próprio filho.

— Ele falou-me muito de si… — murmurou Inês. — Disse que queria pedir desculpa, mas não sabia como. —

As palavras dela eram como agulhas. Lembrei-me da última vez que falámos: gritos, portas a bater, acusações. “Nunca me ouves!” tinha ele gritado antes de sair. E eu, orgulhosa, não fui atrás.

Abri finalmente o envelope. Dentro estava uma carta curta:

“Mãe,

Desculpa por tudo. Sei que te magoei e que não sou o filho que esperavas. Preciso de tempo para me encontrar. Não te preocupes comigo.

Amo-te sempre,

Miguel”

As lágrimas caíram-me pelo rosto sem pedir licença. Inês ficou calada, respeitando o meu silêncio.

— Ele falou-me do pai dele… — disse ela de repente.

O nome do António ficou suspenso no ar como um fantasma antigo. O meu marido tinha morrido há cinco anos num acidente de carro, e desde então tudo mudou cá em casa. Eu fechei-me no trabalho, Miguel fechou-se no quarto e depois na rua.

— Disse que nunca conseguiu perdoar-se por não ter estado com ele naquele dia… —

Senti um aperto no peito. Eu também nunca me perdoei por tantas coisas: por não ter visto os sinais, por não ter perguntado mais vezes se ele estava bem, por ter deixado o silêncio crescer entre nós como erva daninha.

— Ele andava metido em problemas? — perguntei finalmente.

Inês olhou-me nos olhos pela primeira vez. — Não sei tudo… mas acho que sim. Havia um rapaz, o Rui… ele meteu-se em dívidas com gente perigosa. O Miguel tentou ajudar… —

A minha cabeça rodopiava. Sempre achei que conhecia o meu filho: bom aluno, educado, sensível. Mas depois da morte do pai tornou-se outro. Eu própria me tornei outra.

— Porque é que nunca me disseste nada? — perguntei-lhe, quase num sussurro.

Ela encolheu os ombros. — Ele tinha vergonha… não queria preocupar-la mais.

Ficámos ali sentadas horas, partilhando silêncios e memórias partidas. Inês contou-me como se conheceram na faculdade de Belas-Artes, como ele desenhava retratos dela nos cadernos enquanto fingia tirar apontamentos de História da Arte.

— Ele dizia que desenhar era a única coisa que o fazia esquecer tudo… —

Olhei para a parede da sala onde ainda estavam pendurados os desenhos dele de quando era criança: barcos no Tejo, eléctricos amarelos, retratos nossos sorridentes antes da tragédia.

De repente ouviu-se um estrondo na rua: sirenes, vozes exaltadas. O meu coração disparou. Corri à janela: dois carros da polícia parados junto ao prédio em frente.

— Acha que…? — Inês levantou-se num salto.

Vesti o casaco à pressa e descemos juntas as escadas húmidas do prédio antigo. Na rua, vizinhos amontoados cochichavam nomes e suspeitas.

— É o Rui! — ouvi alguém dizer.

Aproximei-me de um agente da polícia com as pernas a tremer.

— Desculpe… sabe alguma coisa do Miguel Cardoso? É o meu filho… —

O agente olhou para mim com pena nos olhos. — Encontrámos o Rui inconsciente no apartamento dele. Não sabemos nada do seu filho neste momento, mas estamos a investigar ligações entre eles.

Senti-me a afundar num poço sem fundo. Inês agarrou-me pelo braço.

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— Mãe, não podes fazer isto! — gritou o Ricardo, com os olhos vermelhos de raiva e lágrimas contidas. O eco da sua voz a...
27/01/2026

— Mãe, não podes fazer isto! — gritou o Ricardo, com os olhos vermelhos de raiva e lágrimas contidas. O eco da sua voz ainda ressoava nas paredes frias da sala, enquanto eu, sentada na poltrona gasta do meu marido falecido, sentia o peso do mundo nos ombros.

O testamento estava ali, em cima da mesa. Um papel que parecia tão leve, mas carregava décadas de dor, esperança e desilusão. Olhei para o Ricardo, o meu único filho, e vi nele o menino que outrora corria pelo quintal, antes de as sombras da dependência lhe roubarem o brilho dos olhos.

— Ricardo, por favor… — tentei falar, mas a voz saiu-me trémula. — Tu sabes porque faço isto.

Ele virou-me as costas, murmurando palavras que preferi não ouvir. A minha neta, a Mariana, estava sentada no sofá ao lado, com as mãos entrelaçadas e o olhar fixo no chão. Tinha vinte e dois anos, mas os olhos dela já tinham visto mais do que muitos adultos. Cresceu entre discussões, portas a bater e promessas quebradas.

Lembro-me do dia em que a mãe dela, a Ana Sofia, me ligou a chorar. “O Ricardo voltou a desaparecer”, disse-me. Foram noites sem dormir, à espera de um telefonema da polícia ou de um hospital. Quando ele regressava, vinha sempre mais magro, mais perdido. E eu? Eu continuava a abrir-lhe a porta, a dar-lhe sopa quente e a prometer a mim mesma que seria a última vez.

Mas nunca era.

A Mariana cresceu nesse caos. Muitas vezes dormiu cá em casa porque os pais discutiam até tarde ou porque o Ricardo não aparecia durante dias. Eu tentava protegê-la, mas como se protege uma criança das tempestades que vêm de dentro da própria família?

— Avó, não quero ser motivo de briga — sussurrou ela naquela noite decisiva.

Abracei-a com força. — Não és tu que causas isto, querida. Somos nós, os adultos, que falhámos.

O Ricardo voltou-se para mim com uma expressão amarga. — Falhaste comigo agora. Preferiste a Mariana. Achas que ela merece mais do que eu?

Senti as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto. — Não é isso…

Mas era. No fundo, era exatamente isso. O Ricardo tinha tido tantas oportunidades. Dei-lhe tudo: amor, dinheiro para tratamentos, apoio incondicional. Mas ele nunca conseguiu sair daquele ciclo. A Mariana era diferente. Trabalhadora, estudiosa, nunca pediu nada além de paz.

Os vizinhos murmuravam sobre nós. “Aquela família tem problemas”, diziam na mercearia da Dona Lurdes. Eu fingia não ouvir, mas cada palavra era uma facada.

O meu marido morreu cedo demais. Foi ele quem sempre acreditou que o Ricardo ia mudar. “Dá-lhe tempo”, dizia-me. Mas o tempo passou e só trouxe mais mágoa.

Naquela noite, depois da discussão, fiquei sozinha na sala. O silêncio era ensurdecedor. Peguei no testamento e reli-o pela centésima vez:

“Deixo a minha casa à minha neta Mariana, na esperança de que encontre aqui o lar e a estabilidade que eu não consegui dar ao seu pai.”

Assinei com mãos trémulas.

Os dias seguintes foram um inferno. O Ricardo deixou de me falar. A Ana Sofia ligou-me furiosa: “Como é que foste capaz? Ele é teu filho!”

Expliquei-lhe tudo: as dívidas do Ricardo, as vezes em que quase perdi a casa para pagar os tratamentos dele, as noites em claro à espera de notícias. Mas ela não quis ouvir.

A Mariana tentou mediar a paz. “Pai, eu posso dividir contigo…”, sugeriu ela numa tarde chuvosa.

O Ricardo respondeu com frieza: — Não quero nada que venha da tua mão.

Vi nos olhos dela o mesmo sofrimento que tantas vezes vi nos meus. A culpa corroía-nos por dentro.

💬 Essa história ainda não acabou. Leia o resto abaixo 👇

— Miguel, vais mesmo viajar amanhã? — perguntei, tentando manter a voz firme enquanto dobrava as camisas dele.Ele nem le...
27/01/2026

— Miguel, vais mesmo viajar amanhã? — perguntei, tentando manter a voz firme enquanto dobrava as camisas dele.

Ele nem levantou os olhos do telemóvel. — Sim, Eliana. Já te disse, é uma reunião importante em Lisboa. Não sei porque insistes nisso.

O silêncio que se seguiu era pesado, quase sufocante. Eu sabia. Sabia de tudo. O cheiro do perfume diferente nas camisas, as mensagens apagadas à pressa, as desculpas cada vez mais esfarrapadas. Não era só Lisboa. Era a Andreia. A colega nova do escritório, aquela que ele dizia ser “apenas simpática”.

Naquela noite, enquanto ele dormia ao meu lado, virei-me para a parede e chorei baixinho, mordendo o lençol para não acordar os miúdos no quarto ao lado. O coração parecia querer saltar-me do peito. Como é que se sobrevive à traição de quem jurou proteger-nos?

No dia seguinte, enquanto ele tomava banho, abri a mala dele. As roupas estavam dobradas de qualquer maneira, como sempre fazia quando estava ansioso. No fundo da mala, entre as meias, encontrei o frasco de perfume caro que nunca usava comigo. Senti uma raiva surda misturada com uma tristeza tão funda que quase me afoguei nela.

Peguei num papel e escrevi:

"Miguel,

Sei da Andreia. Sei dos jantares, dos risos partilhados às escondidas, das mensagens trocadas quando pensavas que eu dormia. Sei do hotel reservado em Lisboa — não precisavas de apagar o histórico do computador, eu já sabia antes disso tudo.

Não vou fazer escândalos nem pedir explicações. Só quero que saibas que merecia mais respeito. Mereço amor verdadeiro, não migalhas de atenção entre mentiras. Quando voltares, não estarei cá.

Cuida dos nossos filhos como prometeste no altar.

Eliana"

Dobrei a carta com mãos trémulas e coloquei-a entre as camisas dele. Fechei a mala devagar, como quem fecha um ciclo inteiro da vida.

O pequeno-almoço foi um teatro silencioso. Os miúdos falavam animados sobre o passeio da escola e eu sorria, mas por dentro sentia-me feita em pedaços. Miguel deu-me um beijo apressado na testa antes de sair — o último beijo de uma rotina que já não existia.

Quando a porta se fechou atrás dele, sentei-me no chão da cozinha e chorei tudo o que tinha guardado durante meses. A minha mãe ligou-me nesse momento, como se sentisse à distância o meu desespero.

— Eliana, filha, está tudo bem?

— Não está, mãe… — respondi entre soluços. — O Miguel traiu-me.

Houve silêncio do outro lado. Depois ouvi o suspiro pesado dela.

— Vem para casa. Traz os meninos. Não tens de passar por isto sozinha.

Arrumei as coisas dos miúdos em sacos de supermercado — nem tive forças para fazer malas decentes. Cada brinquedo que eles escolhiam parecia pesar toneladas nas minhas mãos cansadas.

Quando cheguei à casa da minha mãe em Vila Nova de Gaia, ela esperava-me à porta com os braços abertos. Abracei-a com força e chorei como uma criança perdida.

Os dias seguintes foram um nevoeiro denso. Miguel ligou dezenas de vezes, deixou mensagens a pedir desculpa, a dizer que era um erro, que me amava. Mas eu já não conseguia ouvir nada disso sem sentir náuseas.

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— Mãe, por favor, não tenho mais a quem recorrer. Se não me ajudares agora, vou perder tudo. — A voz do Rui tremia do ou...
26/01/2026

— Mãe, por favor, não tenho mais a quem recorrer. Se não me ajudares agora, vou perder tudo. — A voz do Rui tremia do outro lado da linha, e eu sentia o desespero dele como se fosse meu.

Agarrei o telefone com força, sentada na poltrona gasta da sala. O relógio marcava quase meia-noite, mas o sono já me tinha abandonado há muito. O Rui era o meu único filho, o meu orgulho e também a minha maior preocupação desde que o pai dele nos deixou, há já quase vinte anos. Lembro-me de todas as noites em que lhe fazia chá quando tinha febre, de todos os dias em que lhe apertava a mão antes dos exames. Agora, era ele quem precisava de mim — mas de uma forma que eu nunca tinha imaginado.

— Rui, já te ajudei tantas vezes… — tentei argumentar, mas a minha voz saiu fraca, quase um sussurro.

— Desta vez é diferente, mãe! Juro que é a última. Só preciso de um recomeço. — Ele chorava. E eu… eu sentia-me a afundar.

Durante dias não consegui pensar noutra coisa. O Rui estava atolado em dívidas. Primeiro pensei que era por causa do negócio de restauração que nunca arrancou verdadeiramente. Mas as contas não batiam certo. As quantias eram demasiado altas, os prazos demasiado curtos. Quando finalmente tive coragem de lhe perguntar diretamente, ele desviou o olhar.

— Rui, diz-me a verdade. Isto é por causa do jogo? — perguntei-lhe numa tarde fria de janeiro, sentados à mesa da cozinha.

Ele ficou calado durante tanto tempo que pensei que não ia responder. Depois, baixou a cabeça e murmurou:

— Sim, mãe… Perdi-me. Não sei como sair disto.

Senti um nó no estômago. O meu filho, aquele menino que eu embalei nos braços, estava preso numa teia de vício e desespero. Mas era meu filho. E eu faria tudo por ele.

Foi assim que tomei a decisão mais difícil da minha vida: vender a casa onde vivi mais de trinta anos. A casa onde o Rui deu os primeiros passos, onde celebrámos aniversários e chorámos perdas. A casa onde eu própria cresci, herdada dos meus pais. Mas naquele momento, parecia-me que nada era mais importante do que salvar o meu filho.

A minha irmã Teresa foi a primeira a saber.

— Estás louca? Vais f**ar sem teto por causa dele? — gritou ela ao telefone.

— Ele é meu filho, Teresa! Não percebes? — respondi, sentindo as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto.

— E quando o dinheiro acabar? Achas que ele vai mudar? — Ela suspirou fundo. — Tu não podes carregar o mundo às costas.

Mas eu já tinha decidido. Vendi a casa por um valor abaixo do mercado porque precisava do dinheiro rápido. O comprador era um senhor idoso chamado Sr. Manuel, que me olhou com pena quando assinei os papéis.

— Tem a certeza do que está a fazer? — perguntou-me ele.

— Tenho — menti.

Entreguei todo o dinheiro ao Rui. Ele prometeu-me que ia pagar as dívidas e começar de novo. Até me disse que ia procurar ajuda para o vício. Durante umas semanas, parecia outro homem: mais calmo, mais presente. Até me levou flores num domingo à tarde.

Mas a ilusão não durou muito tempo.

Comecei a notar sinais estranhos: telefonemas à noite, ausências prolongadas, olhares fugidios. Um dia encontrei uma carta do banco dirigida ao Rui — estava cheia de ameaças de penhora. O dinheiro tinha desaparecido tão depressa como chegou.

— Rui, onde está o dinheiro? — perguntei-lhe num confronto inevitável.

Ele chorou, ajoelhou-se aos meus pés e pediu desculpa. Admitiu que tinha voltado ao casino logo depois de pagar parte das dívidas. Achava que podia recuperar tudo com uma aposta de sorte.

— Mãe, eu sou um falhado… — soluçou ele.

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— Não faças assim, Mariana, o arroz f**a sempre empapado desse jeito! — A voz da minha sogra ecoou pela cozinha, cortand...
26/01/2026

— Não faças assim, Mariana, o arroz f**a sempre empapado desse jeito! — A voz da minha sogra ecoou pela cozinha, cortando o silêncio da manhã como uma faca afiada. Segurei a colher com força, sentindo o calor subir-me ao rosto. Era a terceira vez naquela semana que ela corrigia a minha maneira de cozinhar, como se eu fosse uma criança desajeitada e não a dona da casa onde vivia há mais de dez anos.

Olhei para o relógio. Eram sete e meia. O João, meu marido, ainda dormia. Desde que a mãe dele veio morar connosco, depois do divórcio com o meu sogro, as nossas manhãs deixaram de ser tranquilas. Antes, havia silêncio, cumplicidade, até risos. Agora, tudo era tensão e passos apressados para evitar cruzar olhares.

— Mariana, não te importas de passar a ferro as camisas do João? Ele vai precisar delas para amanhã — continuou ela, sem sequer esperar resposta. Senti um nó na garganta. Passei anos a construir uma relação de respeito mútuo com o João, partilhando tarefas e decisões. Agora, parecia que tudo voltava atrás no tempo, como se eu tivesse sido reduzida ao papel de empregada.

A primeira semana foi um caos disfarçado de solidariedade. O João insistiu: "A minha mãe precisa de nós agora. Ela está tão sozinha..." Eu compreendi. Também teria feito o mesmo pelos meus pais. Mas ninguém me preparou para o que viria a seguir.

No início, tentei ser paciente. A minha sogra chorava muito, sentia-se perdida. Eu ouvia-a desabafar sobre o fim do casamento, sobre como o meu sogro era frio e distante. "Ao menos aqui sinto-me em casa", dizia ela, olhando-me nos olhos como se me desafiasse a contrariá-la.

Mas rapidamente as lágrimas deram lugar ao controlo. Começou por pequenas coisas: mudava os móveis de sítio sem pedir, reorganizava os armários da cozinha, criticava as minhas escolhas para o jantar. "Na minha casa sempre fizemos assim", repetia ela, como se aquela casa já não fosse minha.

Certa noite, sentei-me com o João na sala depois de ela se deitar. — João, precisamos falar — disse-lhe, tentando manter a voz calma. Ele olhou-me cansado. — Não podemos continuar assim. Sinto que estou a perder o controlo da nossa vida.

Ele suspirou fundo. — Mariana, é só uma fase. A minha mãe vai encontrar um apartamento assim que puder...

— Mas até lá? — interrompi-o. — Até lá vamos deixar de ser nós?

Ele não respondeu. Ficámos em silêncio, cada um perdido nos seus pensamentos. Senti-me sozinha na minha própria casa.

Os dias seguintes foram ainda piores. A minha sogra começou a implicar com tudo: desde a maneira como dobrava as toalhas até à forma como educávamos a nossa filha, a Beatriz. Uma tarde ouvi-a dizer à Beatriz: "A tua mãe é muito mole contigo, no meu tempo não era assim!" Senti uma raiva surda crescer dentro de mim.

Tentei conversar com ela. — Dona Teresa, eu sei que está difícil para si, mas esta casa tem as nossas regras...

Ela interrompeu-me com um sorriso frio: — Mariana, estou só a ajudar. Se não fosse por mim, esta casa já estava virada do avesso.

Comecei a evitar estar em casa. Saía mais cedo para o trabalho, f**ava mais tempo no café depois do expediente. Sentia-me uma estranha no meu próprio lar.

Uma noite, quando cheguei mais tarde do costume, encontrei o João e a mãe sentados à mesa da cozinha. Ela ria-se alto de uma piada qualquer que ele contara. Senti-me excluída daquele momento íntimo entre mãe e filho.

— Chegaste tarde — disse ele, sem olhar para mim.

— Tive muito trabalho — respondi secamente.

A minha sogra levantou-se e pousou uma mão no ombro dele. — O João sempre foi trabalhador. Herdou isso do pai.

Senti-me invisível.

No dia seguinte, decidi falar com a minha mãe ao telefone. Desabafei tudo: as críticas constantes, o sentimento de invasão, o afastamento do João.

— Filha, tens de impor limites — disse ela com firmeza. — Essa casa é tua também.

Ganhei coragem e decidi confrontar o João mais uma vez.

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— Não venhas cá hoje, mãe. O Rui não está bem e prefere que fiquemos só nós — disse-me a minha filha, Joana, com aquela ...
26/01/2026

— Não venhas cá hoje, mãe. O Rui não está bem e prefere que fiquemos só nós — disse-me a minha filha, Joana, com aquela voz baixa, quase envergonhada, ao telefone. Senti o peito apertar-se, como se alguém me tivesse tirado o chão debaixo dos pés. Era a terceira vez naquele mês que me pedia para não ir a casa dela. E eu, Maria, que sempre fui a mãe presente, a avó dedicada, via-me agora reduzida a uma sombra à porta da vida da minha própria filha.

Lembro-me do dia em que Joana me apresentou o Rui. Era um domingo de chuva miudinha, e ela chegou com ele à minha casa em Almada. Trazia um sorriso nervoso e os olhos brilhantes de esperança. Rui era educado, mas havia nele uma frieza que me gelou logo o coração. Não sei explicar — talvez fosse o modo como olhava para mim, como quem avalia e encontra defeitos invisíveis. Mas calei-me. Por amor à minha filha, engoli o desconforto e abri-lhes a porta.

Os meses passaram e Joana foi-se afastando. Primeiro eram os jantares de família que ela faltava porque "o Rui está cansado". Depois vieram os aniversários em que só aparecia ela, sozinha, com desculpas esfarrapadas. Eu via nos olhos dela um pedido de desculpa mudo, mas nunca tive coragem de perguntar diretamente: "O que se passa?".

O silêncio tornou-se rotina. Eu ligava e ela respondia com mensagens curtas. Quando insistia em visitar os netos, havia sempre um motivo para adiar: "A Leonor está doente", "O Rui tem trabalho até tarde", "Hoje não dá, mãe". Comecei a sentir-me um peso, um incómodo na vida da minha própria família.

Uma noite, depois de mais uma chamada recusada, sentei-me na cozinha vazia e chorei. Oiço ainda o eco dos meus soluços naquela casa onde antes havia risos de crianças e cheiro a bolo acabado de fazer. O meu marido, António, tentava consolar-me:

— Maria, não te martirizes. A Joana sabe que tu estás aqui para ela.

Mas eu sabia que não era assim tão simples. Havia algo entre nós — algo que tinha o nome de Rui.

Certa tarde, decidi ir à escola buscar a Leonor sem avisar ninguém. Queria surpreender a minha neta e sentir-me útil outra vez. Quando cheguei à porta da escola, vi-a sair com a mochila às costas e um ar cansado. Corri para ela:

— Leonor! A avó veio buscar-te!

Ela sorriu, mas logo olhou para trás, nervosa.

— O pai disse para eu esperar por ele...

Nesse momento, Rui apareceu do outro lado da rua. Olhou para mim com aquele olhar frio e disse:

— Maria, agradeço a intenção, mas não é preciso. Eu trato disto.

Senti-me pequena, desnecessária. A Leonor abraçou-me rapidamente e foi embora com ele. Fiquei ali parada, no meio da rua, a sentir o vento frio do Tejo cortar-me a pele.

Os dias seguintes foram ainda mais duros. Joana ligou-me:

— Mãe, não faças isso outra vez. O Rui não gosta de surpresas.

— Mas eu só queria ajudar... — tentei explicar.

— Eu sei, mãe. Mas é melhor assim.

A voz dela soava cansada, resignada. Senti raiva — não dela, mas daquela situação absurda em que me encontrava.

Comecei a reparar em pequenos sinais: Joana já não ria como antes; as mensagens eram cada vez mais curtas; os convites para almoços em família desapareceram por completo. António tentava animar-me:

— Um dia ela vai perceber o que está a perder.

Mas eu sabia que cada dia era mais um tijolo no muro que nos separava.

No Natal desse ano, preparei tudo como sempre: bacalhau com natas, rabanadas e sonhos polvilhados de açúcar e canela. Esperei horas pela Joana e pelos netos. Às oito da noite recebi uma mensagem:

"Desculpa mãe. O Rui não se sente bem. Passamos aí amanhã."

Chorei sozinha à mesa posta para seis pessoas.

No dia seguinte apareceram por breves minutos. Joana entrou apressada com as crianças pela mão:

— Mãe, só viemos deixar as prendas... O Rui ficou no carro.

Olhei-a nos olhos e vi tristeza profunda — ou talvez fosse culpa? Quis abraçá-la mas ela afastou-se rapidamente.

Depois desse Natal tudo mudou ainda mais depressa. Comecei a ouvir rumores no bairro: diziam que Rui era controlador, que Joana já quase não saía de casa sem ele saber onde ia. Uma vizinha contou-me baixinho:

👀 Algo surpreendente aconteceu depois... veja nos comentários 👇

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