06/04/2026
𝗘𝗳𝗲𝗺é𝗿𝗶𝗱𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺ó𝗻𝗶𝗼 𝗖𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗨𝗟𝗦 𝗦ã𝗼 𝗝𝗼𝘀é - 𝗟𝗫𝗫𝗜𝗩
Nos dias 3, 4 e 5 de Abril de 1775, por ordem régia, foi transferido o Hospital Real de Todos-os-Santos para o então novo Hospital Real de São José. No dia seguinte, 6 de Abril, foi emitido um documento oficial relativo a este assunto. Foi há 251 anos.
Embora o Hospital Real de Todos-os-Santos tenha ficado muito destruído na sequência do Terramoto de 1755, as obras de reconstrução tiveram início logo nas semanas imediatas, ficando os doentes temporariamente instalados em outros locais. Por volta de 1761, parte significativa dos doentes já tinham retornado ao antigo hospital, estando então já a funcionar cerca de 20 enfermarias.
Porém, apesar de estar prevista a sua manutenção nos primeiros projectos de reconstrução da Baixa Pombalina, a introdução de novas práticas ao nível da assistência e também da melhoria das condições de salubridade dos espaços médicos, levaram a que surgissem várias vozes referindo que as condições do local não eram as mais adequadas para a presença de uma instituição hospitalar.
Estando o antigo Colégio de Santo Antão-o-Novo a ser usado como hospital público para enfermos desde a expulsão dos jesuítas em 1759, aquele começou a ser visto como o local ideal para a reinstalar o Hospital Real. Com efeito, erguido na encosta de Sant’Ana, este edifício possibilitava um bom arejamento dos espaços, tendo igualmente uma boa exposição solar, além de uma cerca que possibilitava a construção de novos edifícios caso fossem necessários.
Assim, em 1769, por decreto régio, o antigo colégio jesuíta foi entregue à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que então administrava o hospital, para que fossem realizadas as obras de adaptação consideradas necessárias para a transferência para aquelas instalações do hospital até aí sediado junto ao Rossio.
Conforme documento presente no Livro V do Registo Geral do Hospital de São José, actualmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, por ordem de sua majestade fidelíssima, teve lugar a mudança do Hospital Real de Todos-os-Santos para o novo Hospital Real de Sam Jozé, instituído pelo mesmo senhor, dando-lhe nova forma de rendas e governo, sob coordenação do Enfermeiro-Mor Francisco Furtado de Mendonça. Concorreram para a mudança, a nobreza da corte, pessoas de bem e irmãos da Misericórdia que conduziram em macas e esquifes os doentes de maior perigo. Os religiosos dos conventos, com suma caridade, levaram também em seus ombros alguns daqueles. Os doentes de menos perigo, foram transportados em seges cedidas por muitos devotos, que além destas deram também avultadas esmolas, permitindo assim dar cumprimento às ordens do rei que determinou que a dita mudança tivesse lugar nos três dias mencionados, sem quaisquer perigos para os doentes e sem se fazer despesa alguma.
📷 Vista do Rossio antes do Terramoto de 1755, vendo-se a fachada do Hospital Real de Todos-os-Santos e do Convento de São Domingos, entre outros edifícios. Zuzarte, 1787. Desenho à pena, aguarelado a nanquim. Col. Celestino da Costa. Reprodução existente na Biblioteca do Hospital de São José.