30/03/2026
O tratamento hormonal é, muitas vezes, uma das primeiras estratégias usadas no controlo da endometriose e da adenomiose. Para algumas mulheres, funciona bem. Para outras, os sintomas mantêm-se ou até pioram.
As hormonas actuam sobretudo sobre a actividade das lesões, ajudando a reduzir estímulos inflamatórios e sangramento. Mas a dor nem sempre depende apenas da lesão visível.
Em muitas situações, a dor persiste por outros mecanismos:
- inflamação residual, mesmo com as lesões “controladas”;
- sensibilização do sistema nervoso, que mantém o corpo em estado de alerta;
- disfunção do pavimento pélvico, com contracções involuntárias;
- sobreposição com intestino ou bexiga, frequente na dor pélvica crónica;
- impacto emocional e stress, que amplificam a perceção da dor.
Além disso, cada organismo reage de forma diferente às hormonas. O que alivia uma mulher pode não ser tolerado por outra e isso não é falha, é individualidade biológica.
Por isso, quando o tratamento hormonal não traz alívio, não significa que não haja solução. Significa que precisamos de olhar para o corpo de forma mais ampla, ajustar a estratégia e, muitas vezes, integrar outras abordagens no plano de tratamento.
Cuidar da dor é mais do que suprimir hormonas. É escutar o corpo, respeitar a história de cada mulher e construir um caminho que faça sentido para ela.