22/05/2017
O Destino e a Física Quântica
Afinal, existe o livre arbítrio, ou há um destino marcado?
Este é um problema que tem afligido muita gente. Num mundo dual, polarizado, parece evidente que a resposta só pode ser sim ou não.
Mas não é nada disso, pois a resposta é aquela que cada um decidir, de acordo com a sua crença.
Poucos já perceberam que as suas crenças moldam a sua personalidade e as suas decisões. Quem acredita que vai vencer, vence. Quem acredita que não vale a pena fazer nada porque o destino já está decidido também está certo porque o destino é aquele que ele decidiu.
Perante um obstáculo, há os que pensam logo em transpô-lo e há os que creem que o destino está decidido. Todos têm razão.
Na verdade todos nascemos com vários destinos prováveis, onde cada um escolhe o seu. Depende de nós agarrar o destino que queremos para nós, que pode não ser o mais fácil nem o mais provável.
Muitos queriam que o Mundo fosse muito certinho, previsível, científico, onde imperasse o Bem, a Felicidade, a Harmonia e as atitudes humanas correctas. Como o Mundo é o que é, a maioria das pessoas andam perturbadas, num Mundo que não entendem ou não querem entender.
O Mundo não é o que cada um quer. O Mundo é o que é, de acordo com o grau de consciência do conjunto da Humanidade.
Podemos concordar ou não concordar. O Mundo só se modif**a se nós contribuirmos para a mudança. Se cada um pensar que não adianta fazer nada porque outros o farão, é isso que vai acontecer. O Mundo será, em parte, aquilo que aqueles que nada fazem deixaram fazer.
Estamos numa encruzilhada histórica da nossa caminhada neste Mundo. Já passámos por épocas semelhantes no passado, mas esta parece ser a pior e a melhor de todas. A melhor porque temos Ciência e tecnologia quanto basta. A pior de todas porque a Ética e a Moral desceram muito abaixo de zero: Políticos, Instituições, Bancos, Banqueiros, Partidos, Dirigentes… a maior parte é o que sabe. Uma desgraça durante dezenas de anos de governos estáveis…e uma melhoria repentina com uma Geringonça. É só pensar e ver. Mas cada um veja por si.
O Mundo está num caos aparente, produzido por forças bem organizadas e decididas a afundar tudo, com fins inconfessáveis, para criar Medo e insegurança, um pânico Universal.
O Mundo tem que colapsar perante tanta Vilania? Haverá destino marcado? O Homem tem de sofrer com doenças físicas e mentais, ansiedades, depressões, pânicos, fobias e outras? Sim e não, dependendo da crença de cada um, ou melhor, da Humanidade.
As tuas crenças definem o teu destino. Se acreditas em algo, essa é a tua verdade. Se não acreditas, isso é como se não existisse para ti. A verdade objectiva, científ**a, só existe para quem a aceita e só ao nível da matéria inanimada. É por isso que a verdade científ**a de hoje é um erro amanhã, do mesmo modo que um erro de hoje é uma verdade no futuro. O Mundo da Física newtoniana aplica-se à Matéria, mas não à vida e menos ainda à Mente e à Consciência. A Física Quântica não anula a Física Newtoniana. Ela é apenas outro plano da Realidade. Cada plano tem leis próprias, diferentes de plano para plano.
No Mundo Quântico tudo pode ser ou não ser, de acordo com a mente de cada um. Estranho, não é?
Pensemos então: Um Ser Humano é formado por Órgãos, Aparelhos e Sistemas. Estes são formados por tecidos, formados por moléculas, formadas por átomos, formados por electrões, protões, neutrões. Estes são formados por quarks, energia pura. Afinal nós somos, cientif**amente, energia condensada. Para além da energia que somos, materialmente falando, temos uma consciência ou algo mais, desconhecido, que nos permite a noção de individualidade ou de unidade. Mas, de acordo com os conhecimentos científicos, nós somos apenas energia, triliões de quarks e electrões, que formam átomos, moléculas, órgãos e seres humanos.
Nós somos portanto muito diferentes do que pensamos ser. Perante estes dados científicos, já não nos podemos admirar das ideias niilistas de alguns Filósofos do tempo de Descartes, que consideravam que o Homem não existia, sendo apenas uma mera abstracção no Universo. Esta Filosofia existia e foi por isso que Descartes disse: Eu penso, logo existo.
Passaram cerca de 400 anos, e a realidade científ**a e filosóf**a mudou.
Talvez agora se possa dizer: Eu acredito, logo existo. É preciso perceber que a crença é uma forma de pensar. É por isso muito importante saber pensar e saber crer, pois daí resulta a nossa realidade.
Para não f**armos só por palavras, vou apresentar apenas alguns exemplos reais: Um Senhor acreditou que uma falsidade era verdade, criou a realidade virtual da existência de armas químicas no Iraque. Criou uma Guerra devastadora que desembocou no aparecimento do Estado Islâmico. Ora, esta gente também acredita que o seu Deus manda matar todos os infiéis. De um lado, os supostos cristãos, que consideravam e até afirmavam que uma Guerra rápida aquecia a Economia. Do outro lado, um grupo de extremistas que encontraram o motivo certo para fazer aquilo em que acreditam. E de crença em crença, outro País também acreditou que era bom derrubar pelas armas os dirigentes ditadores de outros países e assim chegámos à situação do Médio Oriente.
Pensemos bem o que fazem as crenças. Os cristãos acreditavam que tinham força para fazer a Guerra, assim disse o sr. Bush, sem ter pensado se tinha força para a parar. E ninguém parou a guerra até hoje.
Cada um criou a sua realidade e o Mundo está no fogo cruzado das lutas entre realidades criadas pelas crenças de cada uma das partes.
Cada um acredita no que quer, mas o Mundo sofre devido às crenças, sejam elas filosóf**as, políticas ou religiosas. Cada um que tem uma crença, acredita que tem a verdade. Daí se deduz que os outros estão na falsidade. Se a esta mistura, potencialmente explosiva, juntarmos a intolerância, temos o Mundo actual, tal como o vemos.
Solução? É o que todos andamos à procura. Ela já existe há muito tempo.
Eu não quero impor nenhuma verdade. Não faço parte de nenhuma religião ou seita. Não tenho dogmas nem verdades feitas. Penso, creio e decido em função do que observo.
Cada um tem de se interrogar por dentro de si próprio e perceber se a sua crença conduz ou não à realidade que procura.
A cultura e a crença mais difundida na actualidade é a violência.
Será que a violência é o caminho que nos conduz à Paz? Os israelitas faziam guerras sucessivas em nome de Jeová. Os cristãos fizeram cruzadas e matanças em nome de Deus. Os islâmicos pregam a guerra santa.
Todos acreditavam no que faziam e fizeram esta realidade que vemos hoje. Parece que temos que mudar de crença, para mudar de realidade, mas isso depende de todos nós. Mas quando alguém tem uma crença, tem a verdade, tem a obrigação de impor a sua verdade, porque os outros estão errados.
É aqui que está um dos principais dramas da Humanidade.
Como as Religiões criaram grandes dramas, muitos fizeram da Ciência a sua Religião, criando os seus dogmas, com crenças que são verdades, perseguindo os que pensarem de forma diferente, em nome da Ciência.
O Ser Humano é assim, gosta de dogmas e verdades feitas, sem ter de pensar sobre o que se aceita como verdade. Os Humanos gostam de crer sem ter de pensar sobre o que creem. É aqui que reside o fanatismo e a violência a ele associada. Ora, é legítimo ter fé e ter crenças, porque sem isso, o Homem não tem rumo. O que não é legítimo é procurar impor a sua verdade de qualquer forma violenta ou persecutória, mesmo velada.
Os religiosos ameaçam os hereges com o fogo do Inferno que eles inventaram e os cientistas fanáticos acusam de charlatanice qualquer prática fora do cânon das suas Academias de Ciência.
Sem qualquer intuito religioso, pois sou independente, direi apenas que há cerca se 2000 anos Jesus, o Cristo, disse: Ouvistes o que foi dito aos antigos: Olho por olho, dente por dente? Eu porém vos digo: amai os vossos inimigos.
Podemos dar todas as voltas, não encontraremos outra solução para o Mundo. O Mundo não é aquilo que parece. O Mundo é quântico e reage às nossas crenças. Se acreditamos na Violência, ele torna-se violento.
Jesus usou a força duas vezes apenas, talvez para indicar que há situações onde poderemos ter de impor limites. Parece que ser contra a violência seria deixar correr e permitir toda a violência aos violentos. Não! É legítimo usar a Força para impor limites, mas f**amos por aí.
Se aplicarmos esta ideia à Medicina, vemos como o excesso se dr**as pesadas têm intoxicado e inflamado o corpo humano. São os anti isto, anti aquilo. A Medicina é predominantemente anti qualquer coisa, baseada na força de um medicamento. Depois surgem as consequências do excesso de antis. Com menos dr**as e mais suaves far-se-ia melhor Medicina, evitando o excesso de poluição farmacológica. É legítimo usar medicação pesada em certos casos, mas não correntemente.
Mas se Jesus ensinou a amar os inimigos, como foi possível que os Cristãos se dividissem em seitas cristãs, que se combatem umas às outras, ao ponto de na reforma Protestante, Lutero e Calvino que lutavam contra a Igreja Católica e a sua Inquisição, terem-se, eles próprios, transformado em inquisidores, perseguindo e matando não só católicos mas também anabaptistas, porque eles recusavam o baptismo infantil?
Os protestantes reformaram o Catolicismo e fizeram o mesmo tipo de perseguições dos católicos. Mas há outras curiosidades: Calvino foi um perseguidor cruel dos anabatistas e depois, muitos dos seus sucessores transformaram-se em calvinistas fanáticos, defensores de um Deus que criou alguns homens para a salvação e a maioria dos humanos para a perdição eterna, para se vingar neles no dia do juízo. Não estou a inventar nada. Estou a dizer o que está escrito, para chamar a atenção do poder das crenças e o seu impacto no funcionamento do Mundo.
Mas Jesus disse também: Pelos frutos os conhecereis. Não disse que as pessoas seriam conhecidas pelas suas crenças ou pela sua fé, mas sim pelos seus frutos, as suas obras.
Então, cada um pode ter a ideia que quiser, a fé que quiser, a crença que quiser. Os seus frutos, as suas obras dirão quem é tal pessoa e mostrarão qual é a sua verdadeira fé ou crença. Não esqueçamos que, uma coisa é a fé oca, racional, que professamos. Outra coisa bem distinta é a fé que praticamos.
Então, o destino existe? Existe, sim, porque nós o criámos.
Não há fatalismo no Universo, pois a Física Quântica nos ensina que há múltiplas possibilidades à nossa disposição. Nós escolhemos e criamos a nossa realidade com as escolhas que fazemos, de acordo com as nossas crenças. Não há fatalismo. Há possibilidades e probabilidades.
Esta é uma crença oposta àquela que afirma que está tudo predestinado, não podendo ser de outro modo.
Se está tudo predestinado, de forma fatal, que culpa têm os criminosos de praticarem crimes?
Está tudo predestinado de forma probabilística, mas não fatal. Dentro das várias possibilidades, cada um escolhe a que quer. É verdade que escolhe condicionado pelos seus genes, condicionado pela sua cultura, condicionado pelo povo a que pertence, condicionado pela sua família, condicionado pela sua religião. Mas cada um escolhe de acordo com aquilo em que acredita. A crença é a base da escolha de qualquer um.
Somos por isso responsáveis por aquilo em que acreditamos.
Termino com uma frase lapidar de Jesus, para pensar: E conhecereis a Verdade e a verdade vos libertará!
21.5.2017
Daniel Matos