06/02/2026
O luto de um irmão é um silêncio estranho. Não é apenas a ausência de alguém — é a ausência de uma parte da nossa própria história. Um irmão é testemunha da infância, das primeiras memórias, das discussões sem importância e das reconciliações automáticas. É alguém que conhecia quem éramos antes de aprendermos a explicar quem somos.
Quando um irmão parte, o mundo continua, mas algo f**a desalinhado. Há músicas que deixam de ser só músicas, lugares que passam a doer e frases que f**am por dizer para sempre. O luto de um irmão traz muitas vezes uma dor discreta, porque nem sempre é reconhecida com a mesma intensidade que outras perdas, mas é profunda — porque perde-se alguém que caminhava ao nosso lado desde o início.
Há também uma sensação difícil de explicar: a de perder um pedaço da própria identidade. Quem éramos juntos deixa de existir da mesma forma. E ao mesmo tempo, nasce uma responsabilidade silenciosa de continuar a carregar as memórias, as histórias e aquilo que o outro deixou em nós.
O luto não desaparece. Transforma-se. Deixa de ser um peso constante e passa a ser uma presença. Às vezes dói, outras vezes aquece. Porque amar um irmão não termina com a ausência — muda apenas a forma de estar.
Se quiseres, posso escrever isto num tom mais poético, mais cru, mais íntimo ou até num formato de texto curto para publicação.