29/12/2025
A infantilização da pessoa maior continua a ser uma realidade presente no nosso dia a dia. Ainda ouvimos, com demasiada naturalidade, que “os velhos voltam a ser crianças”, como se, ao envelhecer, perdessem a capacidade de compreender, decidir e participar ativamente na sua própria vida. Esta visão não só é injusta, como profundamente arrepiante, refletindo formas subtis de preconceito, associadas ao Idadismo.
Mesmo quando não há intenção de magoar, estas atitudes deixam marcas: palavras em tom de brincadeira, diminutivos usados como se falássemos com uma criança, decisões tomadas sem consulta, conversas das quais são excluídos… tudo isto contribui para que a pessoa se sinta diminuída, pouco valorizada, quase que invisível.
A comunicação não deve ser guiada pela idade, mas pela pessoa, e devemos adequar a nossa linguagem à capacidade cognitiva, ao nível de escolaridade, às dificuldades visuais ou auditivas, nunca à ideia preconcebida de que “idoso entende menos”. Da mesma forma, o excesso de cuidados, ainda que motivado por amor, pode ser sufocante. Retirar a oportunidade de fazer pequenas tarefas, impor rotinas ou substituir a autonomia por conveniência é, muitas vezes, retirar também a vontade de viver.
A quem cuida, f**a o convite: ajude apenas quando for realmente necessário; permita que a pessoa faça o que ainda consegue fazer, mesmo que mais devagar; procure ouvir antes de decidir por ela. Autonomia não é um detalhe, é dignidade!
É verdade que, em algum momento, podemos sentir que nos tornamos “pais dos nossos pais”. Mas isso não signif**a inverter os papéis. Eles continuam a ser quem sempre foram: protagonistas da sua própria história.
Dra. Lília Mendes- Assistente social Privada
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