16/03/2026
O síndrome do impostor raramente aparece como um pensamento claro. Ele instala-se nos intervalos.
Na forma como minimizamos o que fizemos.
Na dificuldade que temos em celebrar conquistas.
Na sensação persistente de que estamos sempre “um passo atrás”, mesmo quando tudo indica o contrário.
É aquela voz que diz:
“Qualquer pessoa faria isto.”
“Não foi assim tão especial.”
“Tive sorte.”
E isto vai corroendo devagar. E, com o tempo, transforma crescimento em ansiedade, reconhecimento em desconforto e sucesso em vigilância constante. Não raras vezes está relacionado com narrativas antigas, expectativas internas elevadíssimas e uma voz que grita silenciosamente, uma voz bem crítica — por vezes internalizada há bastante tempo.
Em terapia, não calamos essa voz. Muito pelo contrário, escutamos com presença, ganhando maior consciência e compreensão.
E aprendemos, pouco a pouco, a conviver em maior equilíbrio com essa parte de nós.
Porque não é preciso viver sempre a provar que merecemos estar aqui.