21/02/2026
Hoje, gostava de falar convosco dos “gangues” dos meninos bem comportados. Daqueles meninos que têm boas notas, que “não partem um prato” e têm sucesso. E que, em muitas circunstâncias, elegem um colega mais sensível, mais frágil ou, simplesmente, diferente e o destratam. O hostilizam. O ostracizam. E ameaçam e humilham.
O que é que faz que entre estas crianças boas e de famílias comprometidas com o seu crescimento saudável, haja uma que se toma como “chefe de gangue” e as outras como seus “operacionais” disciplinados?
Estes “gangues” de meninos bem comportados instrumentalizam um grupo e manipulam outras crianças, colocando-as num conflito de lealdades: ou estão com o “gangue” ou contra ele. Entretanto, bons miúdos são levados, por medo, a ignorar, a g***r e a desprezar. E isso acontece um dia atrás do outro, num conluio mais ou menos silencioso, à margem do conhecimento da escola. Todas as crianças sabem do que se passa mas, por medo, nenhuma denuncia. Nenhuma pede auxílio. E porque é que as escolas, quando sabem de tudo isto, regra geral, não actuam?
Às vezes, eu acho que estas crianças que “não partem um prato”, que se fazem de “sonsas” e que têm boas notas corporizam aquilo que muitas escolas mais valorizam. Eles têm bons resultados, não têm?… Logo, são bons. Não!!!! Não é razoável admitir que miúdos um bocadinho sabidos e inseguros e assustados se tornem, com a complacência de todos, más pessoas. Magoando. Expondo ao sofrimento. Achincalhando. Que sejam miúdos atilados e compenetrados, que diferença faz?… Não deve a escola preocupar-se, sobretudo, em contribuir para transformar bons miúdos em boas pessoas?… De que serve, como já ouvi tantas vezes, que estes miúdos tenham “espírito de liderança” se, depois, alimentam essa veleidade rebaixando os outros?
As escolas não actuam porque ainda imaginam que os verdadeiros bullys são crianças carenciadas, com insucesso escolar e de famílias problemáticas! Talvez seja altura da escola acordar. Porque há muitas crianças vítimas que têm na distracção da escola uma complacência incompreensível. E crianças que vitimam que não têm da escola as medidas sensatas que as protejam dos seus actos e as ensinem a crescer.