17/11/2025
Há inícios que não são suaves.
Há bebés que chegam ao mundo antes do tempo — e, sem saberem, começam a vida a lutar.
Na prematuridade, o corpo é pequeno demais para o susto, e o susto é grande demais para caber na recordação.
𝙈𝙖𝙨 𝙚́ 𝙞𝙨𝙨𝙤 𝙦𝙪𝙚 𝙤 𝙩𝙤𝙧𝙣𝙖 𝙢𝙖𝙞𝙨 𝙙𝙞𝙛𝙞́𝙘𝙞𝙡:
𝙣𝙖̃𝙤 𝙛𝙞𝙘𝙖 𝙖 𝙧𝙚𝙘𝙤𝙧𝙙𝙖𝙘̧𝙖̃𝙤, 𝙛𝙞𝙘𝙖 𝙖𝙥𝙚𝙣𝙖𝙨 𝙖 𝙈𝙚𝙢𝙤́𝙧𝙞𝙖.
Uma espécie de eco silencioso que, mais tarde, pode aparecer como ansiedade, hipersensibilidade, dificuldade em confiar, ou um medo que não se sabe explicar.
Esta Experiência traumática demasiado precoce, demasiado intensa, num tempo em que o bebé ainda não tem palavras, nem imagens, nem pensamento.
O corpo guarda o que a memória ainda não sabe guardar.
E, muitas vezes, os pais também f**am com marcas: o terror de perder, a culpa de não ter conseguido evitar, a sensação de que a vida começou antes de estarem prontos.
A prematuridade atravessa a família inteira.
Mas há uma boa notícia:
tudo o que foi vivido sem compreensão pode, mais tarde, ser compreendido.
O que começou assustador pode transformar-se quando é acolhido por vínculos seguros, presença constante, e alguém que ajude a dar sentido ao que o corpo guardou em silêncio.
Porque o início da vida pode ser assustador —
mas não precisa de definir a vida inteira.
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