22/04/2026
Quando fui a um retiro, um dos palestrantes decidiu falar sobre o medo de uma forma diferente.
Levou duas tigelas tapadas e colocou-as à frente do grupo.
Só isso bastou para criar tensão e curiosidade.
O que estaria lá dentro?
Convidou alguém a abrir uma delas, se tivesse coragem.
Uma jovem voluntariou-se.
Quando levantou a tampa, deu um grito.
Lá dentro estava… uma pequena lagartixa.
Lembro-me de pensar: tanta reação por causa de algo tão pequeno.
Mas a segunda tigela ficou fechada.
Entretanto, o palestrante seguiu para outro tema… e esqueceu-se completamente dela.
Só que eu não consegui esquecer.
Comecei a imaginar o que poderia estar lá dentro.
Uma cobra? Algo perigoso? Alguma surpresa assustadora?
Sem perceber, o meu medo começou a crescer… apenas porque eu não sabia.
No final, fui até à tigela esquecida.
Abri devagar.
Com receio.
Com o coração acelerado.
E quando finalmente olhei lá para dentro… só havia água.
Água.
E o reflexo da minha própria cara.
Naquele momento percebi uma lição que nunca esqueci:
Muitas vezes não temos medo da realidade.
Temos medo da história que criámos sobre ela.
Quantas oportunidades evitamos?
Quantas mudanças adiamos?
Quantas decisões travamos… por medo do que imaginamos?
Às vezes, o maior medo não é o que existe.
É o que a mente inventa.