26/02/2026
O luto não se supera!
Em dois anos e meio aprendi que o luto não se supera — aprende-se a viver com ele. Aprende-se a respirar quando o peito aperta, a continuar quando tudo parece suspenso, a encontrar forças onde julgávamos já não existir nada.
Fiquei com dois filhos para criar. Duas vidas que dependem de mim, dois corações que também carregam a ausência.
Eles são o meu maior desafio e a minha maior razão para nunca desistir.
Houve uma fase muito cruel, em que sobreviver era o único objectivo. Dias cinzentos, noites longas, um silêncio pesado que parecia não ter fim.
Mas o luto transforma-nos. Molda-nos. E, sem deixar de doer, ensina-nos.
Percebi que cuidar de mim não era egoísmo — era responsabilidade.
Para ser mãe, precisava de estar inteira. Para ser forte por eles, precisava primeiro de me fortalecer por dentro.
Nesta fase, reencontrei-me. Cuidei do meu corpo, da minha saúde, da minha mente. SAREI-ME!
Perdi 15 kg, mas ganhei muito mais do que isso. Ganhei leveza, energia, autoestima. Hoje sinto-me na minha melhor versão. Sinto-me mais jovem — não apenas no corpo, mas na forma como olho para a vida. Com mais consciência, mais maturidade e, curiosamente, com mais brilho.
Estou a ser a minha melhor versão como mulher, redescobrindo quem sou para além da dor. Como profissional, mais focada e determinada. E, sobretudo, como mãe — presente, equilibrada e resiliente.
A saudade continua. O amor não desaparece. O luto não se supera — aprende-se. E eu aprendi que, mesmo depois da maior perda, é possível reconstruir-nos. É possível florescer. É possível voltar a viver — não esquecendo, mas honrando, e seguindo em frente com a força que carrego cá dentro!