27/12/2025
A vida é uma história que acaba mal, disse-me, e eu senti o peso daquelas palavras transmutadas em rochas, penedos, fragas, rochedos, blocos de pedra que saltaram da paisagem transmontana para se agarrarem a sons. E a voz que os proferiu não era apenas uma, era um coro de muitas vozes, coro de dor, dor velada pelas serras, o cansaço de quem desiste de tentar chegar ao cume e encontrar sabe-se lá o quê. Eu queria dizer que não, não era verdade, mas eu sou de mar aberto e imensidão de mãos dadas com o céu, como fazer compreender-me... E pela primeira vez não contestei, cada um carregará o fardo que escolher, e fiquei ali em silêncio, brotando azul por dentro, ancorada na verdade que guia os meus passos: seremos sempre aquilo que nos permitirmos...