25/01/2026
Síndrome do Gémeo Evanescente
Há pessoas que carregam uma sensação difícil de nomear. Um vazio silencioso. Uma saudade sem lembrança.
Hoje sabemos que muitas gravidezes começam como gemelares.
Estima-se que uma percentagem signif**ativa perca um dos embriões nas primeiras semanas, muitas vezes antes mesmo da primeira ecografia.
Na maioria dos casos, essa existência nunca é reconhecida.
Na visão sistémica, a vida cria vínculo desde o início. Mesmo num estágio muito precoce, há relação, há campo, há pertença.
Quando um gémeo desaparece sem ser visto ou nomeado, essa perda pode f**ar registada no inconsciente daquele que permanece.
Não como memória, mas como sensação.
Ao longo da vida, isso pode manifestar-se como:
• sentimento de perda sem causa aparente
• tristeza ou angústia difusa
• medo profundo de abandono
• dificuldade em sentir pertença
• inquietação constante
• tendência à auto-sabotagem
• dificuldade em criar raízes ou ocupar plenamente o próprio lugar
Nas constelações familiares, vemos muitas vezes que o sobrevivente vive “por dois”,
ou sente que não pode ser totalmente feliz,
ou carrega uma lealdade invisível a quem partiu cedo.
O caminho é reconhecer o que existiu. Dar lugar a quem não pôde f**ar liberta quem ficou para viver com mais inteireza.
Quando cada um ocupa o seu lugar, a vida pode finalmente fluir. Cada um pertence.