05/02/2026
A Natureza tem tudo o que é necessário 💚🌳
O teixo (Taxus baccata) em Portugal Continental cresce nas serras do Caramulo, Estrela e Gerês, onde segundo a https://listavermelha-flora.pt/flora-single/?slug=Taxus-baccata está Em Perigo (EN).
É extremamente tóxica, mas simultaneamente uma árvore salva-vidas pelos metabolitos anticancerígenos que reserva: paclitaxel (taxol), docetaxel, cabazitaxel, utilizados em fármacos nos tratamentos de quimioterapia.
O taxol, atualmente conhecido como paclitaxel, foi descoberto no âmbito de estudos sobre compostos antitumorais iniciados em 1959. Em 1963, foi isolado a partir da casca e das folhas do teixo-do-Pacífico, sendo reconhecido como princípio ativo em 1969. A sua estrutura química e ação citotóxica em alguns cancros foram estabelecidas em 1971.
Em 1987, iniciaram-se ensaios clínicos, o que levou a uma exploração intensiva de teixos. Em 1988, o corte destas árvores foi proibido nos EUA devido ao risco de extinção. Apesar disso, a procura por taxol continuou a aumentar, levando à plantação de cerca de 15 milhões de teixos entre 1993 e 1994 para garantir a sua disponibilidade futura.
Em 1988, foi alcançada a hemisíntese do taxol e descoberto o docetaxel, um composto estruturalmente análogo, mas com menos efeitos colaterais. Em 1993, a síntese laboratorial do taxol foi concluída e o paclitaxel (Taxol®) aprovado para o tratamento de vários tipos de cancro, incluindo mama, ovário, útero, pulmão, próstata e sarcoma de Kaposi. Todos os precursores destes compostos estão presentes nos teixos da serra da Estrela.
Este exemplo demonstra a relevância da biodiversidade. Uma árvore que cresce há milhões de anos na Terra e cujas aplicações terapêuticas só foram plenamente compreendidas na década de 1990, tendo já contribuído para salvar inúmeras vidas.
Quanto mais haverá para descobrir na biodiversidade que nos rodeia?