28/04/2026
Precisamos de falar sobre o pai. Precisamos de falar sobre ele para que ele seja melhor compreendido e para que, por isso mesmo, também se queira integrar melhor nisto que é a aventura de ser-se pai.
Porque o pai não nasce pai no momento do parto. O seu processo é mais silencioso, menos visível, muitas vezes mais solitário. Enquanto a mãe é convocada pelo corpo, pela fusão biológica e pela evidência imediata do vínculo, o pai é convocado por uma realidade que exige construção interna. Ele precisa de simbolizar aquilo que ainda não sente plenamente, precisa de investir num bebé que, no início, pode parecer mais extensão da díade mãe-bebé do que relação própria.
Há, no pai, um movimento psíquico exigente. Um reposicionamento identitário onde deixa de ser apenas homem, parceiro, filho, para integrar uma função que implica presença, limite, sustentação e reconhecimento do outro enquanto sujeito. Isto ativa memórias antigas, modelos internos de paternidade, feridas não elaboradas e fantasias sobre o que signif**a cuidar, proteger e falhar.
O pai pode sentir-se periférico, dispensável, ou até incompetente. Pode desejar aproximar-se e, simultaneamente, recuar perante a intensidade emocional e a sensação de não saber. Tudo isto é normal. O pai não teve a preparação de 9 meses que a mãe teve e está tudo bem com essa diferença.
Integrar o pai implica dar-lhe lugar real. O pai não pode ser visto como um ajudante, mas sim, como figura estruturante. Implica reconhecer que o vínculo também se constrói pela repetição, pelo contacto, pelo erro e pela reparação. Implica permitir que ele encontre o seu ritmo, a sua forma de cuidar, a sua linguagem com o bebé.
Quando o pai é incluído, não apenas funcionalmente mas emocionalmente, algo se transforma no sistema. A mãe deixa de estar sozinha num lugar de exigência absoluta, o pai deixa de estar fora, e o bebé passa a habitar um espaço relacional mais amplo, mais complexo e mais verdadeiro. É aqui que nasce a família.
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