Sophie Seromenho

Sophie Seromenho Somos uma clínica localizada em Setúbal que alia psicologia, neuropsicologia, nutrição clínica e coaching

Precisamos de falar sobre o pai. Precisamos de falar sobre ele para que ele seja melhor compreendido e para que, por iss...
28/04/2026

Precisamos de falar sobre o pai. Precisamos de falar sobre ele para que ele seja melhor compreendido e para que, por isso mesmo, também se queira integrar melhor nisto que é a aventura de ser-se pai.

Porque o pai não nasce pai no momento do parto. O seu processo é mais silencioso, menos visível, muitas vezes mais solitário. Enquanto a mãe é convocada pelo corpo, pela fusão biológica e pela evidência imediata do vínculo, o pai é convocado por uma realidade que exige construção interna. Ele precisa de simbolizar aquilo que ainda não sente plenamente, precisa de investir num bebé que, no início, pode parecer mais extensão da díade mãe-bebé do que relação própria.

Há, no pai, um movimento psíquico exigente. Um reposicionamento identitário onde deixa de ser apenas homem, parceiro, filho, para integrar uma função que implica presença, limite, sustentação e reconhecimento do outro enquanto sujeito. Isto ativa memórias antigas, modelos internos de paternidade, feridas não elaboradas e fantasias sobre o que signif**a cuidar, proteger e falhar.

O pai pode sentir-se periférico, dispensável, ou até incompetente. Pode desejar aproximar-se e, simultaneamente, recuar perante a intensidade emocional e a sensação de não saber. Tudo isto é normal. O pai não teve a preparação de 9 meses que a mãe teve e está tudo bem com essa diferença.

Integrar o pai implica dar-lhe lugar real. O pai não pode ser visto como um ajudante, mas sim, como figura estruturante. Implica reconhecer que o vínculo também se constrói pela repetição, pelo contacto, pelo erro e pela reparação. Implica permitir que ele encontre o seu ritmo, a sua forma de cuidar, a sua linguagem com o bebé.

Quando o pai é incluído, não apenas funcionalmente mas emocionalmente, algo se transforma no sistema. A mãe deixa de estar sozinha num lugar de exigência absoluta, o pai deixa de estar fora, e o bebé passa a habitar um espaço relacional mais amplo, mais complexo e mais verdadeiro. É aqui que nasce a família.

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Na clínica Sophie Seromenho, acreditamos que o autoconhecimento é a chave para uma vida mais equilibrada. Oferecemos um ...
27/04/2026

Na clínica Sophie Seromenho, acreditamos que o autoconhecimento é a chave para uma vida mais equilibrada. Oferecemos um acompanhamento especializado ONLINE ou PRESENCIAL, ajudando-o a lidar com desafios psicológicos, relacionais e/ou profissionais de forma consciente e ef**az.
 
Psicologia Clínica (online e presencial):
 
Se enfrentas ansiedade, depressão, dificuldades emocionais ou questões existenciais, estamos aqui para te ajudar. Trabalhamos com:
✔ Perturbações de ansiedade e de humor
✔ Perturbações de personalidade
✔ Trauma complexo e PTSD
✔ Processos de luto e perda
✔ Adições
✔ Apoio à comunidade LGBT+
✔ Desenvolvimento pessoal
 
Neuropsicologia (presencial):
 
Se precisa de uma avaliação neuropsicológica, oferecemos diagnóstico e intervenção para:
✔ Perturbações do neurodesenvolvimento (PHDA/ADHD, dislexia, autismo)
✔ Dificuldades cognitivas e neurológicas (demências, AVC, epilepsia)
✔ Treino cognitivo e reabilitação neuropsicológica
✔ Estratégias para melhorar a autorregulação e a impulsividade
 
Coaching Psicológico (online e presencial);
 
Quer reavaliar a sua vida profissional ou desenvolver competências? Podemos ajudar em:
✔ Orientação vocacional e transições de carreira
✔ Desenvolvimento de liderança e gestão de equipas
✔ Gestão de tempo e produtividade
✔ Comunicação assertiva e resolução de problemas
 
Terapia de Casal (online e presencial):
 
As relações podem ser desafiantes, e estamos aqui para apoiar casais que querem fortalecer a sua ligação. Trabalhamos com:
 
✔ Comunicação ef**az e resolução de conflitos
✔ Superação de traição, ciúmes e insegurança
✔ Fortalecimento da intimidade e do desejo
✔ Apoio a relações não-monogâmicas éticas e à comunidade LGBT+
 
Contudo, é perfeitamente natural ter dúvidas sobre quais destas especialidades a mais indicada para si. Acontece com frequência, e estamos aqui para ajudar a esclarecer.
 
Por isso temos disponível a Consulta de Avaliação de Necessidades Terapêuticas, que será uma triagem mais formal, com avaliação diagnóstica e orientação personalizada.

Contacte-nos! Estamos aqui para o apoiar neste processo. ✨
 
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26/04/2026
Fala-se dos baby blues, das hormonas, como se bastasse apontar para o corpo para compreender o que ali se passa. Mas o q...
25/04/2026

Fala-se dos baby blues, das hormonas, como se bastasse apontar para o corpo para compreender o que ali se passa. Mas o que acontece na mulher puérpera é mais íntimo e mais inquietante. É uma travessia. Um deslocamento do centro de si, onde o eu cede lugar a uma presença outra que se instala por dentro e por fora.

A mulher que antes se pensava, que continha, que organizava o mundo interno, torna-se mais permeável, mais aberta, mais exposta à intensidade da experiência. Não se trata de fragilidade, trata-se de uma abertura radical à relação. O psiquismo deixa de estar recolhido em si e passa a viver em função de um vínculo que a convoca inteira.

O bebé não é apenas um outro. É também um espelho profundo onde se refletem camadas antigas, memórias afetivas sem nome, restos de experiências que nunca chegaram a ser plenamente pensadas. E por isso, o que emerge não é só ternura. É também tensão, ambivalência, movimentos contraditórios que coexistem sem se anularem. Amar e rejeitar, aproximar e afastar, cuidar e querer desaparecer por instantes.

O afeto, neste tempo, surge mais cru, mais direto, menos protegido pela palavra. Há menos distância entre sentir e ser invadida pelo que se sente. E é aqui que o ambiente ganha um lugar essencial. Quando há um outro que sustenta, que acolhe, que ajuda a dar forma ao indizível, o caos começa a organizar-se. A experiência encontra linguagem, o afeto transforma-se, o vínculo consolida-se.

Quando esse suporte falha, o risco é outro. Não apenas o sofrimento, mas a solidão psíquica, a dificuldade em integrar o que se vive, a tendência para se fechar ou fragmentar.

Para todas as recém-mamãs, este é um tempo de grande vulnerabilidade, mas também de criação. Algo se perde, inevitavelmente, mas algo também pode nascer. E entre perda e nascimento, a mulher tenta, pouco a pouco, encontrar uma nova forma de ser dentro de si.

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A depressão não aparece do nada. Eu vejo isto muitas vezes em acompanhamento psicológico, não começa com um “clique”, co...
21/04/2026

A depressão não aparece do nada. Eu vejo isto muitas vezes em acompanhamento psicológico, não começa com um “clique”, começa com pequenas ruturas que não foram digeridas. Perdas, rejeições, relações que falharam em momentos críticos. Antes disso, a pessoa costuma ter acesso ao mundo, consegue interessar-se, ligar-se, sentir prazer, mesmo com dificuldades. Há movimento interno, há alguma flexibilidade para lidar com o que dói.

Com o tempo, quando essas experiências se repetem e não encontram espaço para serem pensadas, algo começa a mudar por dentro. A pessoa começa a proteger-se como consegue, e uma das formas mais comuns é retirar-se. Retira-se do outro, do mundo, mas também de si. E é aqui que acontece uma viragem importante, aquilo que antes vinha de fora passa a existir dentro.

Eu explico isto muitas vezes assim, o outro que magoou deixa de ser apenas uma memória e transforma-se numa voz interna. Uma voz crítica, exigente, muitas vezes dura. E a pessoa começa a viver com isso constantemente. Já não precisa de ninguém de fora para se sentir diminuída, o ataque passa a ser interno.

A partir daqui, tudo se reorganiza. O pensamento f**a mais rígido, mais negativo, mais fechado. O corpo começa a sentir cansaço constante, como se estivesse sempre em esforço. O prazer desaparece, não porque a pessoa não queira, mas porque perdeu acesso a essa capacidade. E o mundo começa a perder cor, não é dramático no início, é mais subtil, mais vazio.

A depressão não é só tristeza. É desconexão. É insatisfação crónica de necessidades. É uma forma de funcionamento em que a pessoa se vai desligando da vida enquanto f**a presa a um mundo interno que a desgasta. E o mais difícil é isto, muitas vezes quem está de fora não vê, mas por dentro está um sistema inteiro a funcionar contra a própria pessoa.

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Como psicóloga, vejo isto todos os dias e não compro a explicação fácil. O problema não é o bebé e também não se resolve...
18/04/2026

Como psicóloga, vejo isto todos os dias e não compro a explicação fácil. O problema não é o bebé e também não se resolve a dizer às mulheres para saírem do trabalho e f**arem em casa como se isso fosse a solução universal. Isso só muda o cenário, não resolve a origem. Volto a repetir e nunca me irei calar: a origem é estrutural.

A culpa não nasce do cuidado. A culpa nasce de um sistema que define valor humano com base em produtividade económica e depois falha em criar condições para integrar o cuidado dentro dessa realidade. Exige desempenho constante e, ao mesmo tempo, depende silenciosamente do trabalho invisível de cuidar. Esta contradição é o que adoece.

Eu vejo mulheres a viverem uma experiência profundamente signif**ativa com os seus bebés e, ao mesmo tempo, a sentirem que estão a falhar. Não porque estejam, mas porque foram ensinadas a medir-se com critérios que não servem para o cuidado. O problema não é trabalhar nem é cuidar. O problema é o sistema capitalista que obriga a escolher entre dois pilares fundamentais da vida e depois culpa a pessoa pela tensão que ele próprio criou.

E é aqui que eu me posiciono com alguma firmeza. Não acho que a resposta seja abandonar a vida profissional como se isso resolvesse o conflito. Para muitas mulheres isso traz outras perdas, dependência, isolamento e até mais sofrimento psíquico. O cuidado não deve existir à custa da anulação da identidade noutras áreas. E é por isso que capitalismo está a destruir a saúde mental da mulher e do homem.

Cuidar de um bebé é exigente, é intenso, é repetitivo. E tem de ser. Não há atalhos para construir segurança emocional. Mas também não é um desvio da vida “real”, nem um intervalo até se voltar a ser produtiva. É parte da vida adulta e deveria estar integrado numa organização social que o reconheça como tal.

E, na minha opinião, é preverso colocar a mulher a escolher entre trabalhar ou cuidar. É preverso tratar-se deste assunto como uma escolha. A questão deveria ser a luta contra este sistema que está mal desenhado para permitir que ambas coexistam com dignidade. E enquanto isso não for confrontado, a culpa vai continuar a cair no sítio errado: nas mulheres.

Rótulos como “amor próprio” ou “autoestima” são vagos, por isso importa perceber como o profissional pensa o problema. S...
16/04/2026

Rótulos como “amor próprio” ou “autoestima” são vagos, por isso importa perceber como o profissional pensa o problema.

Se a abordagem se limita a mudar pensamentos ou dar estratégias rápidas, provavelmente está a atuar na superfície. Um bom psicólogo tenta compreender a história, os padrões relacionais, a função do sofrimento e adapta a intervenção à pessoa, não ao rótulo.

Protege-te escolhendo quem trabalha a estrutura e não apenas o sintoma, porque é aí que acontece transformação real e não apenas alívio momentâneo.

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