17/01/2026
Viver com uma fobia não é “ter muito medo”.
Não é drama, exagero ou falta de força.
E não está apenas “na tua cabeça”.
É viver em estado de alerta permanente, como se o cérebro tivesse um alarme de incêndio sempre a tocar, mesmo sem perigo real. Situações comuns passam a ser interpretadas como ameaças e o corpo reage em modo de sobrevivência: coração acelerado, falta de ar, tonturas, tremores, vontade de fugir.
O mais difícil muitas vezes não é a situação em si, mas o medo constante de voltar a sentir medo. É antecipar, evitar, dizer “não” a convites, inventar desculpas e aguentar em silêncio. Um campo de batalha interno que ninguém vê. As fobias não são fraqueza nem escolhas. São resultado de aprendizagens do cérebro, influenciadas por genética, experiências e traumas. E apesar de o cérebro aprender rápido, desaprender leva tempo, paciência e apoio.
Existe tratamento. É possível regular o sistema nervoso, reaprender respostas e reduzir o “medo de ter medo”. O caminho não é linear e custa mais quando é feito sozinho, por isso compreensão, escuta e empatia fazem toda a diferença. Se conheces alguém que vive com uma fobia, lembra-te: menos julgamento, mais escuta. Menos “vai passar”, mais “estou aqui”. Porque ninguém escolhe viver com medo, mas todos merecem bem-estar.