31/10/2025
Mais uma reflexão, desta vez para mães e pais (onde me incluo) 💛Atualmente, atrevo-me a afirmar que a maior parte dos pais que foram crianças entre os anos 80 e 90s, terá memórias de uma infância passada na rua, em cima das árvores, correndo riscos e perigos, quer na infância, quer na rebeldia da adolescência. Também me atrevo a afirmar que essas experiências são o que nos construíram como adultos responsáveis, empáticos, confiantes e capazes. Custa-me observar que essas crianças dos anos 80-90 se tenham tornado em pais inseguros e desconectados de si mesmos. Talvez seja fruto de um bombardear de informações contraditórias e o deixar de escutar a nossa voz interior.Há alguma confusão entre os conceitos de cuidar e proteger. Proteger implica existir uma ameaça, logo, são tomadas medidas drásticas para salvar algo ou alguém. Já cuidar é presença, é estar atentos e alertas aos sinais de perigo. Implica, portanto, algum afastamento que permita deixar o outro errar de forma controlada e amparada.Nunca me disseram que quando fosse mãe iria reabrir feridas emocionais supostamente saradas e que isso me iria doer infinitamente mais do que no passado. Perceber que os meus filhos têm um problema ativa os sensores internos inconscientes de necessidade de proteção. Mas somos seres racionais e, como mãe que pensa, tenho a missão de me reeducar constantemente para cuidar, mais do que “salvar” porque ao cuidar estou a proteger os meus filhos das amarras da sua própria insegurança.Não deixo de lhes dar colo, de acolher o seu sofrimento. Não deixo de partilhar memórias de infância onde me senti de forma semelhante, incluindo sucessos ou tentativas falhadas.Não sou uma mãe perfeita. Sou “suficientemente boa” (Winnicott) porque mantenho esta autoconsciência de que os meus filhos não sou eu; são parte de mim.Se eu resolver todos os problemas e situações difíceis dos meus filhos, de quem será o mérito? Deles ou meu? Respeitar os meus filhos é encoraja-los a tentar, mesmo que isso implique falhar e voltar a tentar de formas diferentes sobre o meu olhar atento e presença.