05/04/2026
Há reuniões de família que aquecem.
E há as que desenterram.
Aquele comentário do teu pai que parece inofensivo, mas que te leva de volta a uma versão mais nova de ti, que nunca se sentiu suficiente.
A forma como a tua mãe olha para os teus filhos e te faz questionar, em segundos, tudo o que tens feito.
A dinâmica que pensavas ter resolvido, e que afinal só estava adormecida.
E tu ali, a sorrir, a servir, a gerir, a tentar que corra bem para todos, enquanto por dentro algo aperta.
Não tens de te convencer de que está tudo bem, só porque é domingo de Páscoa.
Podes estar presente sem teres de apagar o que sentes por dentro.
O que sentes tem razão de ser, mesmo que mais ninguém à mesa o perceba.
E se este fim de semana te trouxer coisas ao de cima que ainda precisam de ser olhadas, isso não é fraqueza, é um convite.
A família de origem é muitas vezes onde as nossas feridas começaram, mas não tem de ser onde ficam.