24/12/2025
Votos de plena Saúde e Festas Felizes a todos os clientes e amigos! Nesta quadra de frequentes excessos, partilho publicação de Dom Carlos Amaral Amaral
"A “INFLAMAÇÃO SISTÉMICA” E OS PERIGOS DOS AÇUCARES …
(consumo excessivo de açúcares, sobretudo os refinados e adicionados)
Teimo em enfatizar, nomeadamente nesta quadra festiva, sobre o uso dos açucares que levam à inflamação sistémica, que é um estado de activação crónica do sistema imunitário que, ao contrário da inflamação aguda (local e temporária), se mantém de forma persistente e silenciosa no organismo. Este fenómeno está hoje associado a numerosas patologias modernas, como a diabetes tipo 2, doenças cardio-vasculares, obesidade, síndrome metabólica, doenças auto-imunes, declínio cognitivo e até certos tipos de cancro. Entre os factores mais relevantes na génese da inflamação sistémica destaca-se o consumo excessivo de açúcares, sobretudo os refinados e adicionados. O açúcar, em especial a “sacarose” e os xaropes ricos em “frutose”, actua por vários mecanismos inflamatórios:
- Picos repetidos de glicemia, que provocam libertação excessiva de insulina, levando à resistência insulínica, sendo um estado pró-inflamatório.- Glicação avançada (AGEs), que provoca que o excesso de glicose se ligue às proteínas e lípidos, formando compostos tóxicos que danificam tecidos e vasos sanguíneos.
- Stress oxidativo, fazendo com que o metabolismo excessivo do açúcar aumente a produção de radicais livres.
- Alteração da microbiota intestinal, que favorece bactérias patogénicas, aumentando a permeabilidade intestinal e a inflamação sistémica.
- Activação de citocinas inflamatórias, como a IL-6 e o TNF-α.
Por sua vez, ao contrário da glicose, a frutose é metabolizada quase exclusivamente no fígado. Em excesso, promove:
- Esteatose hepática (fígado gordo)
- Aumento de triglicéridos
- Inflamação hepática
- Maior risco cardio-vascular
É particularmente nociva quando consumida sob a forma de refrigerantes, sumos industriais e alimentos ultra-processados. Por outro lado, a inflamação persistente causada por dietas ricas em açúcar está associada a:
- Envelhecimento precoce
- Dores articulares e musculares
- Fadiga crónica
- Declínio da função imunitária
- Perturbações do humor e da cognição
- Maior risco de doenças degenerativas
Efectivamente trata-se de um processo insidioso, muitas vezes sem sintomas evidentes até fases avançadas. E sem recorrer a prescrições médicas, a evidência científica aponta para princípios gerais:
- Redução drástica de açúcares adicionados
- Preferência por alimentos integrais e não processados
- Consumo equilibrado de gorduras naturais e proteínas de qualidade
- Estabilidade glicémica ao longo do dia
- Cuidado com “açúcares escondidos” em produtos ditos saudáveis
O açúcar, outrora um luxo raro, tornou-se um dos principais factores de agressão metabólica do mundo moderno. A inflamação sistémica que dele resulta não é um fenómeno inevitável do envelhecimento, mas frequentemente uma consequência directa de escolhas alimentares prolongadas no tempo. Compreender este mecanismo é um passo essencial para preservar a saúde, a lucidez e a vitalidade ao longo da vida!
É fundamental saber, que o stress induzido pelo açúcar interfere com os mecanismos normais de morte celular programada, pois as células danificadas deixam de ser eliminadas, aumentando a senescência celular, e a acumulação de células disfuncionais inflamatórias. Portanto, este fenómeno contribui para enfermidades degenerativas e oncológicas. O açúcar age como um agressor metabólico silencioso, corroendo progressivamente a maquinaria celular. O dano não resulta de uma exposição ocasional, mas da repetição diária e prolongada, típica da alimentação moderna. Em suma, compreender estes mecanismos permite encarar o açúcar não como um simples nutriente energético, mas como um factor biológico capaz de alterar profundamente a vida das células!
CARLOS AMARAL ND. HD. DSc."