23/12/2025
REVISÃO DO CCTV PARA OS PRÓXIMOS 3 ANOS
Decorreu ontem (22/12) a primeira reunião entre o SIMM e a ANTRAM para que se dê início ao processo negocial que culminará na revisão do CCTV para o sector dos transportes públicos rodoviários de mercadorias para mais 3 anos.
Importa salientar duas coisas, a primeira é que o SIMM está neste processo em total boa fé e as propostas que apresentamos resultam do nosso conhecimento profundo da atividade enquanto motoristas que todos os dias conduzem um camião, a segunda, as contra propostas da ANTRAM vão no sentido da valorização dos profissionais do sector, contudo, f**am muito aquém daquilo que é necessário para recuperar o que se perdeu nos últimos 3 anos.
Recorde-se que, nos últimos 3 anos não houve qualquer atualização dos valores de ajudas de custo e a proposta da ANTRAM f**a muito aquém do aumento das refeições nos estabelecimentos de restauração.
Nacional de 9€ para 10€, diária de 24,50€ para 26,50€
Ibérico de 10,50€ para 11,30€, diária de 27,50€ para 30€
Internacional a diária passa de 40€ para 43€
Convidavamos aqui, os patrões a tomar as refeições por estes preços e depois nos dissessem o que tinham conseguido comer...
Nos últimos 3 anos, não houve qualquer atualização nos subsídios de operações da cláusula 60.ª (cargas e descargas).
Nos últimos 6 anos, não houve atualização na ajuda de custo TIR para o ibérico e internacional.
Nos últimos 6 anos, não houve qualquer atualização dos subsídios de risco para as matérias perigosas, seja no subsídio diário ou no subsídio mensal.
Nestas matérias a ANTRAM não fez qualquer proposta, o que leva a crer que pretendem que estes valores fiquem congelados por mais 3 anos.
É certo que têm havido atualizações anuais em outras cláusulas, mas se fizermos bem as contas, o que se ganhou de um lado perdeu-se do outro, pois a inflação na alimentação em muitos casos é superior a 50% nos últimos 6 anos, mas os trabalhadores não tiveram atualizações salariais de 50%, ou seja, já estamos a pagar para trabalhar, principalmente quem faz servicos que obrigam a pernoitar fora da residência.
Não é justo e os patrões têm de perceber isso, caso contrário perderão muitos bons profissionais desiludidos com a profissão e os mais jovens não quererão esta profissão também.
Há outras matérias que constam da nossa proposta para a revisão sobre as quais a ANTRAM nem se pronunciou, como o fim da mudança de pneus e pequenas reparações efetuadas pelos motoristas, a proteção das duplas em tripulação múltipla (principalmente casais), a clarif**ação dos EPIs que o empregador tem de fornecer obrigatoriamente a cada trabalhador de acordo com a atividade que desempenha e outras, a maioria delas não impõe quaisquer custos para as empresas e que são de grande importância para os motoristas.
Não vemos com bons olhos, apesar de parecer uma melhoria, a proposta do pagamento de horas extra para além dos limites aos tempos de trabalho impostos na cláusula 21.ª, bem sabemos que neste sector tudo o que se pode fazer, rapidamente é convertido em "obrigatório" fazer e que raio, será que os motoristas não têm direito a ter tempo para viver para além do camião?
Neste caso ainda estamos à espera para ver como a ANTRAM quer colocar esta norma por escrito para podermos dizer se é bom ou mau.
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