17/02/2026
Recentemente fui colocada numa situação inusitada, onde uma pessoa ultrapassou os limites básicos da urbanidade e da correção.
Partilho isto porque vejo muitas pessoas, em contexto terapêutico, presas a um dilema: quando são desrespeitadas, sentem indignação — mas quase de imediato tentam anulá-la. Como se, por serem boas pessoas, perdessem o direito ao protesto. Como se, para manter a dignidade e não “levantar ondas”, tivessem de engolir em silêncio.
Não é verdade. Considero que ser boa pessoa não é ser permissiva. Não é aceitar o inaceitável, muito menos normalizar o que não pode ser normalizado.
A indignação saudável é um sinal interno de que foram ultrapassados limites, que precisam de ser repostos. É autopreservação. Ignorar esse sinal para desculpar a desfuncionalidade dos outros é abandonar-se a si.
Enfrentar quem deve ser enfrentado, com firmeza e sem agressividade, é um ato de coragem e coerência.
Por isso defendo que não há conflito entre empatia e limites. Entre a bondade e a correção.
Dizer “isto não está certo” não nos torna piores pessoas. Torna-nos pessoas inteiras.