08/03/2026
Em que mundo vivemos hoje, em que celebrar o Dia da Mulher é um ato simbólico, mas também (e ainda) uma necessidade?
Em que mundo vivemos em que a misoginia se mostra mais agressiva e perniciosa do que nunca?
Talvez precisamente porque quanto maior a necessidade de diminuir, perseguir ou silenciar, maior é o reconhecimento de que a mulher é uma força intrinsecamente indomável. Mesmo quando não o pode demonstrar abertamente, essa característica nunca a abandona.
A misoginia não nasce da superioridade. Nasce do medo e do desconforto face ao poder da mulher que não se compreende nem se controla.
Um poder de quem pode ser, ao mesmo tempo, firme, guerreira, cuidadora e profundamente humana.
O que celebras quando celebras o Dia da Mulher?
Resistência?
Liberdade?
A capacidade de criar, transformar, amar, cuidar?
Ou celebras simplesmente o facto de as mulheres continuarem, com determinação, a ocupar o seu lugar no mundo — um lugar que é seu por direito?
Sabemos que pertencemos ao mundo.
E que o nosso lugar e a nossa pertença são inegociáveis.
Nesta ordem de ideias, celebrar a mulher é, em certa medida, uma redundância.