31/12/2025
Escrevo sobre o Natal alguns dias depois.
Hoje é dia 30.
O Natal foi dia 25.
Precisei de tempo.
Tempo para atravessar o jet lag.
Tempo para sair do inverno de Portugal e permitir que o verão do Brasil me abraçasse de volta.
Tempo para enraizar o corpo, a alma e o coração depois da travessia.
Nem sempre eu sigo o tempo de todo mundo.
Há momentos em que preciso respeitar o meu próprio ritmo interno.
Sentir primeiro. Integrar depois. Só então colocar em palavras.
Agora, com os pés novamente em casa, consigo olhar para esses natais com mais verdade.
Teve o Natal dos sonhos realizados.
Vigo. Braga. Ponte de Lima. Barcelos.
Cidades iluminadas, tradições vivas, eu e minha filha atravessando paisagens que pareciam cenário.
Foram natais sofisticados, expansivos, cheios de movimento e conquista.
E teve o Natal deste ano.
Minha filha ao lado da minha avó.
Bisavó e bisneta.
O tempo fazendo um círculo perfeito diante dos meus olhos.
A Leyane de antigamente talvez dissesse que esse último foi o único que realmente importou.
Porque, lá atrás, eu confundia humildade com renúncia.
Merecimento com excesso.
Espiritualidade com escassez.
Mas a Leyane de hoje não escolhe mais.
Ela integra.
Eu não preciso diminuir o mundo para honrar minhas raízes.
Nem abandonar minhas raízes para viver o mundo.
O simples e o sofisticado podem coexistir.
Essa exigência de escolha é uma imposição de uma consciência fragmentada.
O autoconhecimento me ensinou que a espiritualidade verdadeira não exclui. Ela inclui.
Um Curso em Milagres colocou palavras em algo que meu corpo já sabia:
o meu valor não é conquistado.
Ele é intrínseco.
Nada do que eu faça pode aumentá-lo ou diminuí-lo.
Eu mereço não porque provo, esforço ou performo.
Eu mereço porque sou.
O Curso é claro:
o valor foi estabelecido por Deus e é imutável.
Sentir-se pequeno não é humildade, é defesa do ego.
Se o que você tem é tudo, nada menos do que tudo pode te satisfazer.
Esses natais não competem.
Eles se completam.
Assim como eu.
Assim como você.
Talvez por isso eu só consiga escrever agora.
Porque algumas verdades não seguem calendário. Elas seguem consciência.
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